Em outra frente de diversificação em renda variável, a Previ montou uma carteira para investir em IPOs
O maior plano da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, teve rentabilidade de 7,29% até abril e acumulou um superávit de R$ 21,65 bilhões nos primeiros quatro meses do ano. A alta de quase 13% da carteira de renda variável impulsionou os ganhos do Plano 1, onde se concentram as maiores participações da fundação. A maior delas, de mais de R$ 50 bilhões, é a Vale.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A despeito da concentração em Vale, o “mix” dos investimentos em carteira “é muito bom”, segundo o diretor de investimentos da fundação, Marcelo Wagner. No acumulado do ano até abril, as ações da mineradora tiveram alta de 30,11%.
A Vale é um ativo relevante do portfólio e é aderente à estratégia do Plano 1, defende Wagner, ao considerar o pagamento de dividendos e a geração de caixa da empresa. Ao mesmo tempo, a Vale faz parte da estratégia global de desinvestimentos. “Isso inclui todas as empresas, na medida em que temos necessidade de pagamento de benefícios ou oportunidade de fazer rebalanceamento”, disse.
“Temos outros papéis que possuem fundamentos muito bons, mas acabam tendo um retorno ‘a posteriori’. Esperamos que parte da carteira ainda tenha recuperação ao longo de 2021 e talvez de 2022”, acrescentou o diretor, citando setores como os de concessões e utilidades, que incluem energia e saneamento.
O executivo da Previ não descarta o risco de crise hídrica, mas acredita que a matriz energética do Brasil é muito mais diversificada do que na época do apagão elétrico do governo Fernando Henrique Cardoso. “Obviamente é um assunto que está no radar e traz um possível rebote nos preços”, disse o executivo. Por esse lado, a Previ se protege com os títulos de renda fixa atrelados à inflação, movimento que vem intensificando.
Desde 2018, a entidade buscou reduzir a exposição em renda variável, com vendas de participações de mais de R$ 35 bilhões. Ao mesmo tempo, adquiriu títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs), em um total de R$ 25,6 bilhões – foram R$ 15 bilhões em 2020 e outros R$ 10,6 bilhões em 2021, até abril.
O executivo reiterou que não haverá movimentos bruscos da fundação, seja para venda ou para a compra de ativos. Um exemplo foi a operação recente de BRF. A Previ vendeu um terço de sua participação no fim de maio e manteve o restante, embolsando mais de R$ 600 milhões.
Segundo Wagner, foi um movimento tático, no sentido da rapidez do negócio. Em pouco mais de uma semana, o ativo tinha se valorizado perto de 30%. Durante todo o período que ficou na carteira da Previ, a BRF superou a meta atuarial, IPCA, Selic e Ibovespa, de acordo com o executivo. Os recursos da venda foram realocados em NTN-Bs com vencimento em 2055.
Movimentos paulatinos também são realizados para a montagem de novas posições. Para 2022, a Previ em um orçamento de R$ 7 bilhões para investimentos no exterior, fundos multimercados e imobiliários. No exterior, a Previ optou por fazer os aportes a cada R$ 250 milhões. Com o arrefecimento do dólar, o fundo de pensão vai chegar a R$ 1 bilhão investidos fora do Brasil. O movimento vai representar 0,28% da carteira do Plano 1 e 0,63% do Previ Futuro, plano de contribuição variável, que ainda está em acumulação e portanto tende a ter uma fatia maior. O percentual ainda é baixo perto do limite de 10% permitido pelas regras dos fundos de pensão.
Em outra frente de diversificação em renda variável, a Previ montou uma carteira para investir em IPOs, que já soma mais de R$ 1 bilhão, com oito ativos. Também iniciou uma “carteira de valor” para novos investimentos em papéis em que a entidade acredita no potencial de valorização. Esse portfólio no final de abril era de R$ 332,5 milhões.
“Os números de maio ainda não estão fechados, mas já sabemos que o resultado positivo continua a crescer. Isso cria um colchão que garante segurança para momentos de incerteza”, disse em nota o presidente da Previ, José Maurício Coelho.
O executivo deixará o cargo em meados de junho e seu substituto ainda não foi divulgado oficialmente. Nos bastidores, circula o nome de Daniel Stieler, que atualmente comanda o Economus, fundo de pensão do antigo Nossa Caixa, pertencente ao Banco do Brasil. O resultado, segundo Coelho, mostra que as ações realizadas nos últimos anos foram acertadas e deixa a Previ preparada para possíveis cenários de volatilidade.
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