Petrobras recorre à Justiça contra arbitragem da Petros e Previ

Petrobras recorre à Justiça contra arbitragem que deu ganho de causa a fundos de pensão estatais

A Petrobras apresentou pedido na Justiça para anular a decisão arbitral favorável aos fundos de pensão Petros e Previ em uma disputa contra a petroleira. A companhia tenta reverter sentença que determinou que deverá pagar uma indenização às fundações por supostos danos causados por informações incompletas e falsas que teriam sido prestadas pela estatal.

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O documento obtido pelo Valor foi apresentado na 5ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). “A Petrobras está ciente da excepcionalidade de que se reveste o controle judicial da atividade arbitral e dos estritos limites dentro dos quais é cabível uma ação anulatória”, diz o documento assinado pelo Souto Correa Advogados.

Na noite de ontem, a petroleira divulgou comunicado em que confirmou o arquivamento do processo. Conforme determina a Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM), da B3, a ação judicial tramita em segredo de justiça: “A Petrobras reitera que seguirá buscando a anulação definitiva da sentença parcial, por suas graves falhas e impropriedades, e continuará a se defender vigorosamente, em respeito a seus atuais acionistas, em todas as arbitragens de que é parte”, disse a estatal.

No fim de maio, a sentença do tribunal arbitral trouxe o entendimento, inédito no mercado brasileiro, de que os investidores devem ser indenizados pela companhia, quando a lei das S.A. prevê responsabilização apenas dos administradores e dos controladores. O argumento é de que atos de corrupção e informações falsas divulgadas pela petroleira teriam inflado o valor das ações. Mas quando os problemas vieram à tona os investidores tiveram prejuízos com a queda dos papéis. A sentença foi parcial, uma vez que deu ganho de causa aos fundos mas ainda falta calcular o valor da rescisão.

Para fundamentar a petição, a petroleira consultou quatro juristas – Paulo Cezar Pinheiro Carneiro, Leonardo Greco, Luiz Roberto Ayoub e Nelson Eizirik. Entre os pontos apontados, está o de que a sentença arbitral parcial não especificou quais seriam os atos ilícitos e quais seriam atribuíveis à Petrobras. Também não fundamentou o entendimento quanto à culpa da empresa ou expôs as razões pelas quais entende que haveria responsabilidade da companhia.

O documento afirma que na sequência da Operação Lava-Jato, acionistas ajuizaram ações indenizatórias contra a Petrobras, pleiteando ressarcimento do suposto dano que teriam experimentado. E que o poder judiciário tem rejeitado todos eles, uma vez que o direito brasileiro não conferiu ao acionista pretensão indenizatória em face da companhia. Outro ponto foi que o descumprimento dos deveres de administração – principalmente, dever de lealdade – de alguns ex-administradores afetou o patrimônio da companhia e aos acionistas de forma indireta.

A empresa alega que a sentença arbitral condenou a Petrobras sem que pudesse apresentar provas. E que desejava demonstrar, por exemplo, que eventual falsidade em informação divulgada ao mercado ocorreu por ato de terceiros e que agiu com diligência na apuração e divulgação de informações ao mercado. Também aponta que nem a Petros nem a Previ consideraram as informações que agora alegam falsas para comprar ou vender as ações da Petrobras.

A petição solicita troca do tribunal arbitral. Se obtiver decisão favorável na Justiça quanto a anulação da decisão, o caso volta à CAM para que provas, por exemplo, possam ser produzidas. Procuradas, Previ e Petros não comentaram.

Estatal recorre à Justiça contra arbitragem | Empresas | Valor Econômico

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/07/22/estatal-recorre-a-justica-contra-arbitragem.ghtml

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