Petros reduz perdas com ações e títulos públicos

A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, recuperou parte das perdas registradas em março em função da crise provocada pelo coronavírus. As carteiras foram adaptadas e entre abril e junho tiveram ganhos de 9,42%. Com isso, o resultado negativo, que chegou a 14,2% em março, foi reduzido para 5,87% ao fim de junho. “Os números seguem melhorando e as perdas caíram para 3% em julho”, disse ao Valor o diretor de investimentos Alexandre Mathias.

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Nos últimos meses, a Petros aumentou em 10% sua exposição em renda variável e nas NTN-Bs longas, considerados os dois principais vetores de risco em um fundo de pensão. Com o avanço de mais de 30% da exposição em bolsa no segundo trimestre e alta de 6% dos títulos públicos, foi possível minimizar as perdas.

O resultado da Petros está em linha com o setor. Os fundos de pensão atingiram o fundo do poço em março, e vem apresentando uma trajetória “bastante positiva”, na visão do superintendente da Previc, regulador os fundos de pensão, Lucio Capelletto. “A tendência é de equilíbrio técnico e agora está se falando até em superávit [em 2020]. Os resultados têm sido positivos e estamos retornando à situação pré-crise”, afirmou Capelletto.

Considerando um prazo de 18 meses, a rentabilidade acumulada da Petros é de 12,67%, superior ao CDI do período (7,82%). “A conclusão é que o dinheiro que ficou na Petros rendeu muito mais que o CDI. A despeito de toda a volatilidade, os ganhos de 2019 mais do que compensaram as perdas de 2020”, afirmou Mathias. No ano passado, a rentabilidade foi de 20%, a melhor em 12 anos.

Desde o fim de 2019, a Petros revisou o modelo de gestão de ativos, o que faculta um melhor posicionamento em cenários de crise. Para cada uma das alocações do fundo de pensão, há uma estratégia — ou “programa de investimentos” — que, segundo Mathias, precisa ser tão boa ou melhor que seus equivalentes disponíveis no mercado.

Entre os programas de investimentos estão fundos de ações, que administram no total R$ 3,5 bilhões, um fundo passivo que precifica o Ibovespa e que tem R$ 5,5 bilhões, além da carteira de ações própria atualmente avaliada em cerca de R$ 9 bilhões. A tendência, segundo Mathias, é que a fatia de renda variável total da Petros oscile entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões e a ideia é dividi-la em vários fundos. Aos poucos, serão abertos novos programas de investimento.

Umas das próximas alternativas que o fundo de pensão da Petrobras estuda é o investimento em “small caps”, que pode ser de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão. “Estamos tentando criar mecanismos para que o nosso tamanho não seja uma restrição para buscar valor para os participantes”, afirmou.

A estratégia dos programas de investimentos pode facilitar a aplicação nas ofertas, não só de ações mas de outros títulos do mercado também. Determinadas emissões acabam sendo muito pequenas para o porte de uma fundação como a Petros — e também a Previ, do Banco do Brasil.

A fundação tem analisado as ofertas iniciais de ações (IPOs) e “follow-ons”, segundo o diretor. “Temos a carteira muito grande e temos interesse em diversificar. São oportunidades interessantes. Somos cuidadosos com o apreçamento dos ativos. Os preços podem ficar altos com o mercado muito animado”, disse Mathias.

Petros reduz perdas com ações e títulos públicos | Finanças | Valor Econômico

https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/07/21/petros-reduz-perdas-com-acoes-e-titulos-publicos.ghtml

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