Candidato ao CA responde perguntas

FERNANDO SÁ

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1) Como você vê a questão da diversidade e tratamento na PETROBRAS?

Primeiro, entendo que todo ser humano é igual independente de etnia, ideologia, opção sexual, auto-reconhecimento de gênero, religião professada, … Todos são iguais perante a lei, cabendo atenção aos princípios da igualdade e da impessoalidade. Se é ser humano deve ser respeitado por princípio básico. Essa visão eu trago de casa desde criança. A única regra era: “não ande com quem se porte mal ou haja fora da lei”. Por isso, entendo que a única diferenciação possível está no caráter. Quem não prima pela legalidade e seriedade pode ser diferenciado, nos termos da lei, no seio da sociedade. Me parece que o tratamento da diversidade pela Petrobras tem sido bem conduzido, mas esta é uma mera per cepção. Seria importante ter maior feedback dos empregados sobre o assunto. Aliás essa é uma preocupação minha, ou seja, se eleito, manter um canal de informação com os empregados.

2) O senhor gostou das desculpas dadas pela PETROBRAS a investigados em Comissões Internas de Apuração?

Sou cauteloso sobre o assunto. Quando a Operação Lavajato surgiu vimos advir uma série de investigações internas que por vezes queriam isentar amigos e punir desafetos, fossem culpados ou não. Havia adoção de um procedimento sem contraditório e imputação de responsabilidade desde o início, gerando um tribunal de exceção, avesso aos princípios do Estado Democrático e de Direito. Aliás, várias decisões acabaram revertidas em sede judicial. Fui testemunha em algumas CIAs e via o dirigismo existente. Vários membros investigadores acabaram sendo considerados culpados em ações judiciais e investigações policiais. Quando a Operação Lavajato começou a deslanchar com provas e condena& ccedil;& otilde;es nos deparamos com revisões de investigações e denúncias abafadas. A situação culminou na revisão do procedimento investigatório, que ainda contém pontos questionáveis. Não custa lembrar que um esquema de corrupção como o que assolou a Petrobras envolve dois tipos de agentes. Os agentes estratégicos que montam os esquemas, em regra recebem a propina, vendem os favores, … Todavia, há os agentes táticos que possibilitam a ocorrência da corrupção dando aparência seja de tecnicidade ou de legalidade aos atos irregulares. Não podemos esquecer que grande parte dos desvios envolveram assuntos decididos na Diretoria, cujas matérias de decisão eram obrigatoriamente (estatuto societário da Petrobras) acompanhadas de pareceres técnicos e jurídicos, orçamentos, estudos de viabilidade, … Alg umas pes soas, que aparentemente estavam nessa “área tática”, estariam bem incorporadas e com funções hoje. Assim, prefiro esperar para, com o tempo, fazer uma análise mais precisa da política de cartas de desculpas.

3) Vender refino para diminuir endividamento, pois foi a área com mais desvios, não é justo?

Temos que ter alguns cuidados, pois os desvios ocorreram nas mais diversas áreas. No antigo Abastecimento ocorreram indubitavelmente desvios, mas que também ocorreram na área de Gás & Energia (UFN III e UFN V, por exemplo), na área Internacional (Pasadena e OKinawa), na área de E&P (Sete Brasil, aquisições desnecessárias de árvores de natal molhadas), … Aparentemente o endividamento foi uma estratégia para tentar esconder o rombo da gestão anterior, que continuou, agravando a situação então pela ocorrência das duas situações (rombo + dívidas). Outro dia, vi uma autoridade que atuou quando do endividamento, palestrar sobre a característica do setor petróleo como área de investimento intensivo de capita l, o que não permite endividamento de médio e longo prazo.

Estranha a mudança de posição para o óbvio. O novo pensamento é colocado como se não houvesse posicionamento contrário no passado (ou concordância), sem justificativa de mudança, gagueira ou rubor. A cara de pau das pessoas me constrange. Mas isso corrobora o que foi dito na resposta anterior. A questão de fundo mesmo é: quanto vai advir com a venda do refino e quanto isso representa no abatimento do endividamento, analisada a redução de retorno pela redução da atividade de produção de bens de maior valor agregado? Acrescido aqui o que já foi mencionado em nosso terceiro artigo sobre premissas características, riscos, …

4) Por que você acha que o preço do petróleo vai ter queda? Seu último artigo indica isso. Houve sinal de aumento com a chance de Guerra USAxIrã.

O petróleo é uma commodity internacional o que permite uma análise dos preços históricos e premissas de formação de preços futuros. Ocorre que temos ouvido algumas informações que não mantêm diapasão entre si como o preço considerado para fins de investimento e custo com o preço para fins de contratos de hedge, feitos para proteger transações comerciais envolvendo petróleo. Além disso, havia uma informação de coxia que duas das maiores “majors” do petróleo trabalhavam com preços futuros na faixa de US$ 28.00 a US$ 32.00 por barril. A ausência dessas “majors” no fracassado leilão da ANP demonstra que existe efetivamente um cenário de queda. Aliás, uma autoridade disse que não acudiram interessados ao leilão pois os preços estavam altos, o que traz a dúvida sobre por que a Petrobras comprou. A ser verdade tal informação, a compra poderia caracterizar um sobrepreço prejudicial aos acionistas minoritários ou uma ação para diminuir o insucesso do acionista controlador. Pelas dúvidas que podem ensejar, informações de preço devem ser precisas. Situações anômalas (guerras, controle de produção, …) são momentâneas e podem trazer aumento de preço por tempo determinado ou condicionado. Mas isso não dá sustentabilidade a um negócio com foco em perpetuidade ou de investimento intensivo de capital.

5) Quando você fala em autorização de venda de refino pelos acionistas, não acha que o CA tem poder, já que indicado na maioria pelo acionista principal?

No primeiro artigo que publicamos deixamos claro o papel dos órgãos societários. E defendo que esta seja uma decisão do acionista em Assembleia Geral. Mantida a decisão no âmbito do CA, se eleito, eu seria contrário pelas razões daquele artigo. Mas, importante novamente frisar que, os Conselheiros são indicados pelos acionistas, mas não os representam. Os conselheiros têm independência, emitem vontade própria, são responsáveis por seus atos e respondem com seu próprio patrimônio. Por isso não deve haver indicação de voto a conselheiros. Tal procedimento demonstraria uma violação ao princípio de independência do Conselho de Administração (obrigado com o negócio e não com o acionista ) e pode inclusive vir a caracterizar responsabilidade concorrente do acionista ao conselheiro.

6) O que acha da Petrobras como empresa exclusivamente de foco em E&P?

Foi dito em entrevista que se pretende reduzir a Petrobras a metade, ou pouco menos de seu tamanho, isso não significa somente sair do refino, mas também sair de outras áreas e reduzir também atividade de E&P. Aliás, já vemos PDVs também para áreas específicas do E&P. A questão que surge é: a Petrobras seria uma empresa de E&P ou uma empresa financeira de investimento na área de E&P? Ou será que no final, a ideia seria a liquidação ou venda completa da Petrobras visto que sendo o foco somente no pre-sal pelo controlador já existe a EMPRESA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL S.A. – PRÉ-SAL PETRÓLEO S.A., que é uma empresa pública de controle pleno e complet o da Uni ão sem participação de acionistas externos.

Candidato ao CA: FERNANDO SÁ – Número 1912

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