Levantamento, realizado pela Marsh em parceria com o CFA Institute, considera tanto os regimes públicos quanto os mecanismos privados de poupança para a aposentadoria
O Brasil caiu da 40ª para a 44ª posição no Índice Global de Previdência Marsh CFA Institute de 2026, que avalia os sistemas públicos e privados de aposentadoria de 55 países. Apesar da queda no ranking, a pontuação brasileira melhorou ligeiramente, de 56,2 para 57 pontos, mantendo a classificação C. O pior desempenho do país está no quesito sustentabilidade, que mede a capacidade dos sistemas de manter o pagamento dos benefícios no longo prazo. Nesse indicador, o Brasil obteve 32,1 pontos, a quinta pior nota do levantamento, à frente apenas de Áustria, Itália, Turquia e Argentina.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A Marsh é uma consultoria global especializada em riscos, investimentos e previdência”. A sustentabilidade da previdência brasileira praticamente não avançou em relação a 2025, quando havia recebido 31,8 pontos, apesar da reforma da Previdência pública aprovada em 2019, que endureceu as regras de aposentadoria e estabeleceu idades mínimas. Nos outros dois componentes do índice, a evolução foi desigual: a adequação dos benefícios recuou de 70,6 para 69,1 pontos, enquanto a integridade, que considera aspectos de regulação, governança e proteção dos participantes, avançou de 67,3 para 72,6 pontos.
O levantamento, realizado pela Marsh em parceria com o CFA Institute, considera tanto os regimes públicos quanto os mecanismos privados de poupança para a aposentadoria. Segundo o estudo, o envelhecimento da população e a queda nas taxas de natalidade tornam necessário fortalecer o financiamento dos benefícios futuros e ampliar a previdência complementar. Na América Latina, o Chile lidera o ranking, com 79,2 pontos na avaliação geral e 73,5 em sustentabilidade, enquanto o México registra 71,2 e 64 pontos, respectivamente. O Brasil permanece distante dos dois países, especialmente na capacidade de financiar as aposentadorias no longo prazo.
Para Tiago Calçada, diretor de Investments and Retirement da Marsh Brasil, o resultado reforça a necessidade de ampliar a cobertura previdenciária e fortalecer a poupança de longo prazo. “O desafio é assegurar um sistema que continue entregando proteção adequada hoje, sem comprometer sua viabilidade para as próximas gerações”, afirma. O estudo defende a expansão de sistemas supervisionados de capitalização privada como complemento à previdência pública, além de maior flexibilidade nas regras de aposentadoria diante do aumento da longevidade e das mudanças no mercado de trabalho.
A Holanda lidera o ranking mundial, com 85,8 pontos, seguidos por Dinamarca (84,1) e Islândia (84). Os três receberam classificação A, atribuída aos sistemas considerados mais sólidos. Segundo a Marsh e o CFA Institute, a combinação de envelhecimento populacional, maior expectativa de vida e mudanças nas relações de trabalho exigirá adaptações tanto nos regimes públicos quanto nos planos privados, para garantir renda aos aposentados sem comprometer a sustentabilidade financeira das próximas gerações.
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