No começo de outubro, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil promove, no Rio, um evento que faz parte do processo de estudo das suas políticas de investimento para os próximos sete anos
O início do ciclo de queda na taxa de juros no país abre uma discussão na Previ, um dos maiores investidores institucionais do país, sobre as aplicações em renda fixa ao mesmo tempo em que a fundação passa a reavaliar a carteira de renda variável.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Nos últimos 12 anos, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil fez um movimento gradual de redução da posição em ações no Plano 1, o maior e mais antigo.
Como resultado dessa estratégia, a participação em renda variável caiu quase 70% para 30% no portfólio do plano e, em contrapartida, houve um aumento dos investimentos em renda fixa, as NTNBs de longo prazo, com vencimento até 2060.
“O que temos feito é reavaliar a carteira, as oportunidades”, diz o presidente da Previ, João Fukunaga. Essa reavaliação considera vários cenários que incluem desde a manutenção até um eventual aumento em renda variável, dependendo da capacidade de liquidez da fundação.
Fukunaga diz que a Previ tem visão de longo prazo quando analisa a forma de trabalhar com renda variável. Essa análise considera também o “colchão confortável” que a fundação possui na renda fixa para pagar os compromissos com aposentadorias, que chegam a R$ 1,3 bilhão por mês no Plano 1.
Dados de junho deste ano mostram que o Plano 1, de benefício definido, tinha uma carteira total de R$ 224,8 bilhões, sendo R$ 136,37 bilhões ou 60,6% em renda fixa e R$ 67,8 bilhões ou 30,1% em renda variável. No Previ Futuro, mais novo e que opera no modelo de contribuição variável, a carteira do plano, em junho, era de R$ 29,3 bilhões, sendo R$ 20,3 bilhões ou 69,2% do total em renda fixa e R$ 4,6 bilhões ou 15,7% do bolo em renda variável. Tanto no plano 1 como no Previ Futuro há ainda outras aplicações.
No começo de outubro, a Previ promove, no Rio, um evento que faz parte do processo de estudo das políticas de investimento da fundação para os próximos sete anos. Embora o planejamento das políticas seja de longo prazo, o fundo faz uma revisão anual. O evento, a ser realizado entre os dias 3 e 6 de outubro, foi batizado com o acrônimo SIGA, iniciais de seminário de investimentos, governança e aspectos jurídicos da previdência complementar.
Segundo a Previ, o evento busca fomentar a governança corporativa no setor e discutir agendas relevantes para a previdência complementar fechada. Também participam da organização do seminário, junto com a Previ, Anapar, Previc, Funcef, Petros, Valia, Postalis e Fachesf. Entre os temas do SIGA, está a agenda ESG, que reúne temas ambientais, sociais e de governança corporativa nas empresas.
“O seminário faz parte desse bojo de discussões em que fazemos os estudos do planejamento das políticas de investimento para sete anos [2024-2030], revisados anualmente”, diz Paula Goto, diretora de planejamento da Previ.
Segundo ela, a política de investimentos dá o direcionamento “macro” nesse horizonte de sete anos. “Mas o mais importante é olhar [os investimentos] à luz de cada plano.” O Plano 1, por exemplo, busca o equilíbrio atuarial e a liquidez para fazer frente aos pagamentos dos participantes. “Ao longo do tempo precisamos ter boa gestão de liquidez e de equilíbrio, foi o que nos trouxe até aqui, nunca precisamos implementar nenhum plano de equacionamento.”
A Previ considera que há um cenário “vigoroso” para investimentos no país, considerando, inclusive, que a fundação participa como investidora da economia real, em empresas de diferentes segmentos, incluindo infraestrutura.
Na visão de Fukunaga, o Novo PAC traz perspectiva interessante para investimentos em relação aos quais a Previ precisará analisar oportunidades. Ele reconhece, no entanto, que projetos de infraestrutura precisam garantir segurança jurídica aos investidores. Citou como exemplo os problemas na Linha Amarela, via expressa na cidade do Rio que enfrenta um litígio entre a concessionária, a Invepar – da qual a Previ é sócia –, e o município.
Fukugana diz ainda que a Previ olha para oportunidades de investimento em setores do futuro, incluindo transição energética, tecnologias e segurança alimentar. Paula Goto acrescenta que a Previ tem uma matriz de atratividade setorial que avalia como a fundação aloca os recursos e o que é mais indicado. A partir desse diagnóstico, são feitos os investimentos buscando a melhor relação risco-retorno-liquidez.
Fernando Melgarejo, diretor de participações da Previ, afirma que a fundação procura montar um equilíbrio entre macro setores de renda variável, olhando as principais empresas no país, investimentos no exterior e a renda fixa, no mercado doméstico, que teve boas oportunidades nos últimos anos.
“Neste momento estamos avaliando a posição em renda variável, o que inclui a velocidade do desinvestimento [feito nos últimos anos], se faz sentido continuar ou não.” Ele diz que os compromissos previdenciários da fundação estão equacionados. A aplicação em títulos de renda fixa de longo prazo garante o pagamento dos compromissos previdenciários do Plano 1 até 2060. Isso mesmo em um cenário de queda de juros, diz Melgarejo, uma vez que a carteira está posicionada numa taxa de juros acima da meta atuarial e blindada em relação à inflação. É o que os técnicos da Previ chamam de “imunização”, uma proteção da carteira.
“Além disso, tem toda a carteira de renda variável que é praticamente uma carteira de blue chip, para buscar alfa [ganhos acima do mercado].” Esse portfólio inclui empresas grandes, caso de Vale, Itaú, Banco do Brasil, Neoenergia, Petrobras e Fundição Tupy, entre outras.
A meta atuarial do Plano 1 da Previ é de INPC mais 4,75% ao ano, enquanto a meta do Previ Futuro é de INPC + 4,63% ao ano. Já o Tesouro IPCA, com juros semestrais e vencimento em 2055, por exemplo, paga IPCA mais 5,62% ao ano.
João Fukunaga, presidente da Previ — Foto: Leo Pinheiro/Valor
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