MPF: Corregedoria vai apurar conduta de subprocurador que deu desconto de R$ 6,8 bi à J&F

O subprocurador deverá ser convocado para prestar esclarecimentos. Albo, coordenador da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, foi quem aprovou, em maio deste ano, a redução da multa de R$ 10,3 bilhões a serem pagos ao longo de 25 anos para R$ 3,53 bilhões a serem quitados em oito anos pelo grupo comandado pelos irmãos Batista.

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A abertura da apuração, que corre sob sigilo, foi oficializada pelo corregedor José Elaeres, primeiro suplente da corregedoria-geral da MPF, que foi acionada pelo procurador da República Carlos Henrique Martins Lima no início da semana. Como publicamos na última quinta-feira, a titular, Célia Alvarenga, se declarou impedida por ser casada com um dos advogados do grupo J&F, Aristides Junqueira.

Em ofícios obtidos pela coluna, Martins Lima argumentou à corregedora-geral do MPF, Célia Alvarenga, que “aparentemente houve, na tramitação daquele feito, diversas ilegalidades”. Caso seja detectada improbidade administrativa, o subprocurador pode ser alvo de advertência, censura, suspensão ou, em casos mais extremos, demissão.

A mudança no acordo original, firmado em 2017 e considerado um dos maiores da história do MPF, estabeleceu novas cláusulas que excluíram da compensação por atos de corrupção os fundos de pensão Funcef e Petros, além da Caixa Econômica Federal e do BNDES. A revisão foi feita sob sigilo de Justiça.

Há seis anos, os irmãos Joesley e Wesley Batista concordaram com o valor inicial, mas agora questionam o cálculo adotado para a definição da cifra e alegaram “excessiva onerosidade” e conseguiram o aval de Albo, chefe da 5ª Câmara, órgão do MPF que analisa casos de combate à corrupção e improbidade administrativa.

Como publicamos no blog, a revisão do acordo abriu uma crise interna no MPF. Considerado pessoa de confiança do procurador-geral da República, Augusto Aras, o subprocurador Ronaldo Albo tomou a decisão de aplicar o desconto sozinho e atropelou o voto de outros dois colegas que se opunham à decisão.

Segundo Martins Lima, que também acionou o PGR, Albo teria passado por cima de uma decisão que ele próprio já havia tomado, negando a repactuação da multa, e atropelado o voto de dois outros subprocuradores que também já haviam recusado o pleito da J&F por um placar de 2 a 1 na própria 5ª Câmara, ao decidir que sua posição enquanto coordenador deveria prevalecer.

No acordo de leniência assinado em 2017, os R$ 10,3 bilhões a serem pagos pela J&F seriam distribuídos em quatro partes de R$ 1,75 bilhão a serem distribuídos entre a União, o BNDES, o Funcef e à Petros, além de mais duas cotas de R$ 500 milhões, uma para a Caixa e outra para o Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS). Outros R$ 2,3 bilhões seriam reservados para a execução de projetos sociais.

Com a repactuação, a J&F se compromete agora a pagar R$ 3,53 bilhões exclusivamente para a União – e os demais órgãos ficarão sem receber um centavo sequer.

Procurado, o subprocurador Ronaldo Albo não retornou até a publicação desta reportagem. No entanto, na semana passada, Albo divulgou uma nota, falando em nome da 5ª Câmara, na qual afirma que “toda e qualquer decisão administrativa estará submetida ao crivo do Poder Judiciário, que deverá decidir sobre as eventuais irresignações existentes”.

https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2023/08/mpf-corregedoria-vai-apurar-conduta-de-subprocurador-que-deu-desconto-de-r-68-bi-a-jandf.ghtml

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