Petros tem impasse para definir comando

Há resistências ao candidato apontado pela Petrobras, que tem de passar pelos mesmos crivos dos executivos que participaram de processo de seleção

Resistências ao nome de Henrique Jäger, indicado pela Petrobras para assumir a Petros, levam a um impasse na escolha do novo presidente do segundo maior fundo de pensão do país. Diferentemente de outras fundações, a patrocinadora não é a única responsável pela escolha do nome. O candidato por ela apontado deve passar pelos mesmos crivos dos outros que participam do processo de seleção. Segundo uma fonte que acompanha o caso, Jäger pode ter restrições, e a petroleira pressiona para que o economista seja selecionado, o que a empresa nega.

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Enquanto isso, há quase três meses sem presidência e diretoria definitivas, grandes decisões estratégicas são adiadas. “O que está andando é a engrenagem usual da Petros, a fundação está basicamente no automático”, afirma uma fonte. A situação se agrava após a renúncia, anunciada ontem, do presidente interino Leonardo Moraes, que ficará na fundação até 16 de julho. Somada ao anúncio da saída do diretor de seguridade, Akira Miki, foi a segunda baixa da semana. O único que se mantém na alta cúpula da fundação, formada por três diretores e o presidente, é Paulo Werneck, da área de investimentos.

A primeira etapa da escolha dos candidatos à presidência da Petros foi feita pela Fesa, empresa de recrutamento e seleção de executivos. Após analisar dezenas de nomes, a Fesa apresentou uma lista de quatro executivos: dois egressos do Banco do Brasil, um ex-diretor da Abrapp (associação dos fundos de pensão) e um executivo da Caixa. Adicionalmente, Jäger foi indicado pela Petrobras.

Feito isso, a Petros formou uma comissão interna responsável por analisar currículos e entrevistar essas pessoas. A última etapa inclui exames de “checagem de integridade”. Com os resultados, o grupo indicará três nomes que serão apreciados pelo conselho deliberativo, responsável pela palavra final.

Sem presidência e diretoria definidas, decisões estratégicas têm sido adiadas

Na comissão, há um impasse sobre incluir ou não o nome de Jäger na lista tríplice, apurou o Valor. Se houver empate, não existe uma regra que aponte uma solução. Uma fonte não descarta a possibilidade de que se decida enviar ao conselho uma lista com quatro nomes, incluindo o indicado pela Petrobras.

Um diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que apoia a indicação de Jäger, espera que, se levado ao conselho deliberativo, o economista deve obter quatro votos, do total de seis. Mas há quem considere que pode haver um empate. Nesse caso, a presidente Claudia Padilha de Araujo Gomes terá direito ao voto de qualidade.

Uma fonte disse ao Valor que a Petrobras tem forçado para que o nome de Jäger seja aprovado, o que tem atrasado a seleção, mas a empresa nega. “O processo de escolha do executivo que presidirá a Petros está sendo conduzido pela própria instituição, de acordo com o estatuto social da Petros”, diz a estatal, em nota. E acrescenta que os executivos indicados para a função precisam atender a requisitos técnicos e de conformidade do fundo de pensão e da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).

A reunião do conselho para definir o nome seria realizada em 28 de junho, e provavelmente não ocorrerá nessa data. Diante da demora na escolha do nome, há chance de o novo presidente ser aprovado e tomar posse no mesmo dia, para acelerar o processo.

Jäger foi presidente da Petros entre 2015 e 2016, e na época teve assentos em conselhos de investidas. Hoje, é assessor do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates. A reportagem tentou contato com o executivo, mas não teve resposta. Em seu curto mandato no fundo de pensão, as contas não foram aprovadas pelo conselho fiscal em 2015 e em 2016. E os auditores independentes fizeram ênfases e ressalvas nos balanços.

De acordo com uma ata de reunião da FUP realizada em 15 de junho, os sindicalistas defendem que Jäger conhece muito bem os problemas da Petros e não responde a nenhum processo judicial. Quando foi presidente da fundação, teria identificado vários “esqueletos no armário” e descobriu o rombo à época. Ele daria tratamento adequado ao plano de equacionamento, mas ficou injustamente com o ônus de ser um dos responsáveis, avaliam. Agora em 2023, se voltar à presidência da fundação, estaria comprometido em solucionar o resultado negativo da Petros.

A Petros disse em nota que o novo presidente e diretores serão escolhidos por processo seletivo no mercado. E, além da aprovação pelo conselho, os novos executivos precisarão ser habilitados pela Previc. (Colaborou Liane Thedim)

https://valor.globo.com/financas/noticia/2023/06/23/petros-tem-impasse-para-definir-comando.ghtml

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