Previ busca se equilibrar entre desafios opostos de seus planos

Versão mais nova, de contribuição variável, exige gestão ativa

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, tem desafios opostos em seus dois principais planos de benefícios. De um lado, o Plano 1, com patrimônio de mais de R$ 200 bilhões, tem a maioria de participantes aposentados e o principal objetivo é pagar os benefícios, o que deve ocorrer até 2099. De outro, ainda em fase de acumulação, o Previ Futuro deve ter uma gestão de investimentos mais ativa. Até agora, são R$ 26 bilhões – e contando.

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“O Plano 1 é orientado para o passivo e o Previ Futuro considera relevante o conceito de busca de performance. Essa é nossa maior preocupação no momento. O Plano 1 teve boas oportunidades e tem um volume expressivo alocado”, afirma o presidente do maior fundo de pensão do Brasil, Daniel Stieler. Dos mais de 108 mil participantes, somente 3.900 estão na ativa. Os demais são aposentados ou pensionistas.

Stieler: ‘Previ Futuro considera relevante o conceito de busca de performance’ — Foto: Leo Pinheiro/Valor

No maior e mais maduro plano da Previ, o pagamento de juros de títulos públicos e o recebimento de dividendos totalizam R$ 15 bilhões e garantem o pagamento de benefícios do ano. O Plano 1 garante aposentadoria vitalícia aos seus participantes, e é ele a referência quando se fala de déficit ou superávit da Previ. Tecnicamente, é chamado de benefício definido (BD), e os participantes sabem o quanto vão receber ao se aposentar no momento que assinam o contrato de previdência. Esse tipo de modalidade está fechada a novos entrantes e, de forma geral, não há novos planos BD sendo abertos no Brasil.

O plano BD da fundação ficou negativo em R$ 900 milhões em 2021, mas reverteu a trajetória e fechou 2022 com resultado positivo, antecipa Stieler, sem revelar números consolidados. Até novembro, últimos resultados disponíveis, o superávit era de R$ 4,5 bilhões. “Temos uma posição importante em bancos e, assim como Petrobras e Vale, foram bons pagadores de dividendos. É importante nos posicionarmos em investimentos que nos deem oportunidade de caixa”, afirma o executivo.

A Previ tem R$ 73 bilhões em investimentos em renda variável e metade disso está alocado na mineradora. O objetivo, diz Stieler, é não precisar fazer nenhum movimento de venda de forma abrupta. “Temos sempre a questão da Vale no radar, seja em movimentos estratégicos, seja em relação à economia chinesa, maior mercado da Vale, que representa mais de 50% de nossa posição em renda variável. Analisamos as melhores oportunidades de sair, mas em movimentos sutis.”

O Previ Futuro é de contribuição variável. Isso significa que os participantes vão receber como benefício os valores que acumularam ao longo da vida. Atualmente, são 84 mil participantes, e cerca de 80 mil estão na ativa. As diferenças para o Plano 1 não param por aí. A expectativa dos executivos da Previ é que as oportunidades de taxas de juros de dois dígitos que o plano BD teve e um investimento como o da Vale não vão se repetir nas mesmas proporções. “O mercado evoluiu bastante. O que fará diferença é a habilidade de interpretar o mercado e fazer alocações no momento certo”, afirma. A equipe de investimentos irá buscar gestão mais ativa de títulos privados e oportunidades no exterior, por exemplo. Até então, o Previ Futuro tinha o IBR-X como “benchmark”, que foi alterado para o Ibovespa mais 0,3% ao ano.

Esse tipo de estratégia foi definida na nova política de investimentos da Previ, para o ciclo de 2023 a 2029. “A política de investimentos é fundamental à gestão do risco, de crédito, de liquidez de mercado e de solvência. Esses quatro riscos nos ajudam a fazer um processo robusto de análise. O prazo está a nosso favor”, diz a diretora de planejamento da entidade, Paula Goto.

Segundo a diretora, os fundos de investimentos em participações (FIPs) ainda estão vedados para a Previ, mas a fundação acompanha a evolução da regulação, que tende a trazer maior segurança jurídica, para reavaliar uma retomada desse tipo de alocação. Além disso, a executiva dá a entender que a entidade está atenta ao desenvolvimento de novos produtos, voltada para o “ecossistema de longevidade”. “Queremos ir além da nossa missão de pagar benefícios na fase mais frágil das pessoas e ajudá-las nessa jornada, pensando em soluções e produtos que possam ajudar os participantes”, diz ela.

Os executivos da Previ afirmam que o modelo de governança da entidade segue sólido e robusto, e que por isso pode transitar por várias gestões, inclusive em processos de mudança de conjuntura. Com a nova direção do Banco do Brasil, a cúpula da Previ tende a ser substituída – o patrocinador indica o presidente e dois diretores -, mas ainda não há definição.

https://valor.globo.com/financas/noticia/2023/01/31/previ-busca-se-equilibrar-entre-desafios-opostos-de-seus-planos.ghtml

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