O que será da Petrobras após domingo? O BTG traçou os cenários

É mais difícil alterar a política de preços do que o fluxo de dividendos, apontam os analistas

Os investidores da Petrobras estão em uma encruzilhada. Qual será a estratégia da maior empresa brasileira após a eleição presidencial no domingo? Na dúvida, talvez seja melhor esperar mais um pouco.

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Para quem encheu os bolsos com os gordos dividendos pagos nos últimos dois anos, a continuidade da estratégia iniciada no governo Temer — quando Pedro Parente assumiu como CEO — pode significar uma valorização e tanto do papel.

Mas um cenário alternativo, com os dividendos dando lugar à intensificação dos investimentos, está longe de ser descartado — o que derrubar o papel. Num relatório desta semana, os analistas do BTG Pactual calcularam os cenários para os investidores da Petrobras. “Recomendamos cautela para tomar uma direção mais séria”, escreveram Pedro Soares e Thiago Duarte.

No cenário mais otimista para os investidores, preservando a estratégia de Parente, o upside poderia chegar a 100%, fechando o gap de valuation da estatal brasileira para as majors do setor. Se fechar o gap de valuation para a média global (considerando aqui também as petroleiras de mercados emergentes), ainda assim as ações subiriam 40%;

A projeção alternativa, no entanto, também embute um downside relevante. Se a Petrobras quiser ampliar os investimentos (o que até poderia fazer sentido estratégico considerando as necessidades de investir na transição energética), o papel poderia cair mais de 50%.

Qual será o fluxo de dividendos da Petrobras após as eleições? — Foto: Petrobras

A grande dúvida está no ritmo de dividendos. O BTG avalia que, em empresas de commodities como Petrobras — que crescem pouco —, os analistas preferem olhar para o fluxo de dividendos de curto prazo do que para os múltiplos (EV/Ebitda).

Para o BTG, a política de preços da Petrobras é muito mais difícil de mudar do que o fluxo de dividendos. Uma mudança no business plan da estatal, programando mais investimentos, não precisa do Congresso para ser aprovado, lembram os analistas.

Se o fluxo de dividendos for reduzido, vemos poucos motivos para convencer os investidores a pagar pelos planos de crescimento da Petrobras”, escrevem os analistas. Para ele, o mercado só pagaria pelo crescimento da estatal se acreditasse que a taxa de retorno marginal do capex fosse maior que o retorno com dividendos, o que não parece ser a premissa básica.

Além disso, o histórico da Petrobras com o retorno de investimentos no downstream também não parece conspirar a favor dessa tese. “No início da década passada, os investimentos no downstream representam 40% do total (contra 11% atualmente). Naquela época, os retornos da Petrobras foram bastante baixos, arrastando o retorno consolidado da companhia para o terreno negativo”, prosseguem os analistas.

No relatório, os analistas não identificam explicitamente Lula ou Bolsonaro com algum dos dois cenários, até porque o atual presidente já mexeu várias vezes no comando da estatal para tentar mudar a lógica dos preços dos combustível, que lhes custaram bons pontos de popularidade. De qualquer forma, está implícito que a estratégia de mais investimentos, com diversificação no downstream, remete aos governos petistas.

A Petrobras está avaliada em R$ 452 bilhões. No ano, o papel sobe 69%.

https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/o-que-sera-da-petrobras-apos-domingo-o-btg-tracou-os-cenarios.ghtml

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