A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, deve fechar o ano de 2022 com o atuarial do Plano 1 (BD) equilibrado ou muito próximo disso, afirmou o presidente da entidade, Daniel Stieler. Embora sem citar as rentabilidades específicas do BD nos meses de agosto e setembro, que ainda não foram divulgadas, ele disse que o consolidado do terceiro trimestre já conseguiu reverter o déficit do trimestre anterior, que era de R$ 3,99 bilhões no acumulado do ano.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“O mês de julho a gente ainda fechou com déficit, mas em agosto a situação já melhorou e em setembro nós já fechamos sem déficit”, afirmou o presidente da entidade. Segundo ele, por trás dessa reversão de resultados está a estratégia de imunização de passivos seguida pelo Plano 1, com a entidade aproveitando a abertura das altas taxas de juros desde meados de 2021 para comprar títulos públicos de longo prazo com rentabilidades superiores à sua meta atuarial. A meta atuarial do Plano 1 é de inflação mais 4,75% enquanto o retorno médio da carteira de renda fixa desse plano alcança hoje inflação mais 5%.
Os recursos necessários para a compra de títulos públicos, num plano maduro como o Plano 1, vieram da venda de posições em renda variável, principalmente ações da Vale. Atualmente, cerca de 60% dos ativos do Plano 1 estão em renda fixa, 30% em renda variável e 10% distribuídos por segmentos como imobiliário, empréstimos aos participantes, fundos de participações e investimentos no exterior.
Com a redução da Vale na carteira, a ação passou a representar cerca de 40% da renda variável do plano, com Petrobras, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Neo Energia, Anbev e algumas outras de menor relevância representando o restante. “São posições estratégicas, de ações com solidez e que são boas pagadoras de dividendos”, explica Stieler. Segundo ele, juntamente com a imunização da carteira de renda fixa, essas ações contribuíram para o bom resultado do terceiro trimestre.
Daqui até o final do ano a bolsa de valores é o principal vetor de preocupação da Previ. Com 60% do Plano 1 imunizado, é nos 30% de renda variável que está focada a atenção da fundação. “Esses 30% representam um total de cerca de R$ 70 bilhões, um impacto para baixo de 10% nessa carteira representa a perda de R$ 7 bilhões no plano”, diz Stieler. “Se o impacto para baixo for de 20%, a perda é de R$ 14 bilhões”.
Da mesma forma, um impacto para cima nessa carteira de renda variável representaria ganhos elevados para o plano. Vale, por exemplo, é uma ação que na avaliação de Stieler está descontada em relação aos seus pares internacionais, basicamente as mineradoras australiana e anglo-australiana BHP e Rio Tinto, respectivamente. A ação da Vale chegou a bater em R$ 110 em meados do ano passado, caindo a partir daí até os R$ 75 atuais. O presidente da Previ acredita que há espaço para valorização desse papel, voltando a um patamar de pelo menos R$ 85 a R$ 100 nos próximos meses. Ele diz que a valorização depende de duas variáveis muito importantes, que são a volta do crescimento da China e o desempenho do setor da construção civil”. Estamos observando atentamente essas duas variáveis”.
O presidente da Previ falou também sobre investimentos no exterior, segmento que segundo ele encontra-se em observação pelos analistas da fundação. “Não dá prá deixar de olhar o segmento de investimento no exterior”, diz Stieler. Atualmente, a alocação em exterior da Previ é de apenas R$ 1 bilhão, o que representa cerca de 0,4% da carteira total da fundação, considerando os três planos — Plano 1, Previ Futuro, Previ Família. A ampliação desse percentual, entretanto, não será feita de maneira muito rápida. “Não somos agressivos, preferimos movimentos mais cadenciados”, diz Stieler. “Mas estamos atentos às oportunidades”.
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