Presidente do Comitê de Elegibilidade (Celeg) da estatal, Francisco Petros, votou contra a indicação
A aprovação do currículo de Caio Paes de Andrade para que ele assuma os cargos de conselheiro da Petrobras e de presidente da estatal não aconteceu de forma unânime dentro do Comitê de Elegibilidade (Celeg) da companhia. O presidente do Comitê, Francisco Petros, votou contra a indicação, afirmando que a aprovação de Paes de Andrade para os cargos deveria acontecer apenas em uma assembleia de acionistas.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!O Celeg aprovou o currículo de Paes de Andrade no começo da noite de sexta-feira. Com isso, a companhia convocou, ainda na sexta, uma reunião do conselho de administração, que vai acontecer amanhã e deve aprovar a indicação de Paes de Andrade como conselheiro interino e presidente da empresa. Posteriormente, uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas deverá ser convocada e deliberar sobre a efetivação de Paes de Andrade como conselheiro.

Aprovação do currículo de Caio Paes de Andrade para a presidência da Petrobras não foi unânime no Comitê de Elegibilidade — Foto: Denio Simoes/Valor
A ata da reunião do Celeg, divulgada ao mercado na noite de sábado, mostra que os quatro integrantes do comitê – Petros, o também conselheiro de administração Luiz Henrique Caroli, e os membros do Comitê de Pessoas da estatal Ana Silvia Corso Matte e Tales José Bertozzo Bronzato – entenderam que o regramento para a indicação de um executivo para a Petrobras determina que deve “preferencialmente” haver a experiência do indicado no setor de óleo e gás. Ou seja, que essa não é uma obrigação legal.
Mas enquanto Caroli, Matte e Bronzado decidiram que Paes de Andrade poderia, portanto, entrar para o conselho de administração e assumir, caso aprovado pelo conselho, a presidência da Petrobras até ter seu nome reiterado em uma AGE, Petros concluiu que “na inexistência de convicção em relação à capacidade técnica do candidato, de minha parte, creio que se torna ainda mais recomendável que a eleição do candidato seja feita em sede de Assembleia de Acionistas”.
“Afinal de contas, ao tomar para si esta decisão, sem a devida convicção sobre o tema, o conselheiro, mesmo que momentaneamente, supre a instância de eleição do candidato e assume uma responsabilidade que seria, em princípio dos acionistas. Já a eleição pela Assembleia de Acionistas expõe a natureza da decisão sobre o candidato: o exercício do poder de controle, com seus riscos e benefícios”, disse Petros, em seu voto.
O conselheiro, que também é presidente do Celeg, afirmou ainda que não encontrou nos documentos disponibilizados o respaldo que permita formar uma convicção favorável ao candidato. “De fato, os considero inconclusivos e deixam aos órgãos de governança a decisão, sem uma opinião que balize tal processo decisório”, disse.
Paes de Andrade é formado em comunicação social pela Universidade Paulista (Unip), com pós graduação em universidades nos Estados Unidos. “Muito embora tenha estudado em renomadas universidades norte-americanas, o que é louvável, a combinação deste inegável mérito com a correspondente experiência profissional está a meu juízo, muito aquém às necessidades de governança e gestão da Petrobras”, frisou Petros ao votar, acrescentando que a experiência profissional de Paes de Andrade aconteceu “em empresas cuja complexidade é substancialmente menor que a da Petrobras”.
“Neste sentido, avalio o candidato sem as aptidões necessárias para o exercício do cargo em vista da interpretação das normas cabíveis. Vale dizer que esta avaliação pode até estar equivocada da minha parte, caso a gestão do candidato seja um grande sucesso”, afirmou o presidente do Celeg, de acordo com a ata da reunião.
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