As grandes empresas ocidentais de petróleo e gás estão prestes recomprar ações em níveis próximos aos recordes neste ano, num momento em que tentam conquistar a confiança do investidor por meio da melhoria dos retornos.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!As sete petrolíferas supergrandes — BP, Shell, ExxonMobil, Chevron, TotalEnergies, Eni e Equinor — se preparam para oferecer um retorno de US$ 38 bilhões aos acionistas por meio de programas de recompras de ações neste ano, segundo dados da Bernstein Research.
O banco de investimentos RBC Capital Markets situa a cifra total em patamares ainda maiores, de US$ 41 bilhões no total.
Se confirmado, esse valor representará quase o dobro dos US$ 21 bilhões em recompras contabilizados em 2014, a última vez em que o petróleo foi negociado acima de US$ 100 o barril, e alcançará o nível mais elevado desde 2008, quando o total das recompras empreendidas pelas empresas ultrapassaram US$ 46 bilhões, puxadas por um enorme programa de compras de papéis promovido pela Exxon.
Entre 2006 e 2008, a Exxon, na época a maior empresa do mundo por valor de mercado, recomprou aproximadamente US$ 30 bilhões em ações próprias todos os anos, amparada em um período de disciplina de capitalização e na alienação de ativos que se seguiu à sua fusão, em 1999, com a Mobil.
Desta vez, toda supergrande petroleira turbinou seu programa de compra de ações, disse Biraj Borkhataria, do RBC Capital Markets. “O setor está em sua melhor forma de um longo período. Agora a questão é a duração do ciclo”, afirmou Borkhataria.
A Shell deverá encabeçar o grupo, ao recomprar mais de
US$ 12 bilhões em ações próprias em 2022, segundo a RBC e o Bernstein. Pelo menos US$ 8,5 bilhões dessas recompras serão concluídas no primeiro semestre do ano, informou a Shell neste mês, entre os quais US$ 5,5 bilhões gerados pela venda de seus ativos na bacia Permiana, localizada nos Estados Unidos.
A Chevron recomprou US$ 1,4 bilhão em ações em 2021 e informou que gastará mais US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões em recompras neste ano.
O desempenho abaixo da média do setor durante a pandemia levou a concluir que a maioria das equipes de direção sentiram que suas ações estavam subvalorizadas e que as recompras estavam baratas, disse Borkhataria.
Além das aquisições de ações, haverá um retorno de cerca de US$ 50 bilhões a ser repassado aos acionistas por meio de dividendos, acrescentou ele, observando que os retornos totais pagos pelas supergrandes a seus acionistas poderão ser ainda maiores caso os preços do petróleo continuem a subir.
Vários bancos, entre os quais o Goldman Sachs, preveem que o petróleo bruto tipo Brent, atualmente negociado a US$ 93 o barril, será transacionado por mais de US$ 100 no curto prazo, ainda neste ano. A meta da BP de US$ 4 bilhões em recompras de ações ao ano e o aumento anual de 4% no dividendo até 2025 têm como base um preço do petróleo de apenas a US$ 60 o barril.
Alguns críticos sugeriram que as recompras estão desviando o capital que deveria se voltar para a transição energética. A BP recomprou US$ 3,2 bilhões e ações em 2021, enquanto os gastos totais em bens de capital em sua divisão de energia de baixo carbono foram de US$ 1,6 bilhão. Mas muitos investidores argumentam que pagar um retorno aos investidores lhes permite reinvestir esses recursos em outras partes do setor energético.
Em vista das incertezas que cercam a demanda futura por energia, as empresas tiveram de “fazer uma média” entre pagar um retorno aos acionistas, manter os gastos nas divisões principais e investir na transição energética, disse Nick Stansbury, diretor de soluções climáticas da Legal and General Investment Management, a maior gestora de ativos britânica.
“Diante dessa incerteza, dar peso significativo à recompra de ações em patamares que envolvem um nível de esforço especialmente pequeno tende a ser uma proposta atraente para os investidores”, disse Stansbury.
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