Uma análise da rentabilidade recente dos fundos de pensão

Fatores que mais impactaram os resultados estão associados ao péssimo desempenho dos ativos financeiros do país no ano passado

Após os bons resultados alcançados no período de 2016 a 2019, quando a rentabilidade acima da inflação foi, em média, de 7,0% ao ano, os fundos de pensão brasileiros experimentaram um contratempo nos últimos dois anos.

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Não há como deixar de ressaltar o grave cenário que o mundo e o Brasil vêm passando desde 2020, cujos impactos sociais e sanitários ainda são preocupantes. Em termos de rentabilidade dos ativos financeiros, 2020 deveria ter sido o mais impactado devido à fase inicial da pandemia, que provocou um forte abalo nos mercados, mas os números mostram que não foi bem assim.

Com base no estudo comparativo de desempenho da Aditus Consultoria Financeira, apuramos que, em 2020, a mediana de rentabilidade do patrimônio de mais de 300 planos fechados de previdência complementar foi de 2,9% acima do INPC, ficando no terreno positivo, mas abaixo da taxa real média de juro atuarial de 4,6% utilizada na atualização do valor econômico do passivo.

Já em 2021, calculamos que a mediana de rentabilidade foi para o terreno negativo e ficou em 4,9% abaixo do INPC, se distanciando mais ainda da meta atuarial. E quais seriam as razões para desempenho abaixo do anterior?

Certamente que o risco inflacionário tem sido um problema econômico mundial nestes tempos e, por questões da conjuntura interna, o fenômeno foi mais acentuado no Brasil do que em outros países, com a inflação oficial atingindo 10% e sendo um obstáculo mais difícil de ser superado pela gestão de investimentos.

Contudo, os fatores que mais impactaram os resultados estão associados ao péssimo desempenho dos ativos financeiros do país no ano passado. Embora a recuperação dos mercados internacionais tenha continuado ao longo de 2021, os principais índices do Brasil destoaram do cenário externo e andaram na contramão. A maioria dos analistas e consultores de mercado apontou para os riscos econômicos e políticos como principais causas desse comportamento negativo.

Na renda variável, o Ibovespa apresentou uma desvalorização de 20% em termos reais, perdendo feio para a inflação de 2021. Na renda fixa, a carteira de Notas do Tesouro Nacional indexadas ao IPCA (NTN-B) com vencimento igual ou acima de cinco anos – representada pelo índice IMA-B 5+ da Anbima – rendeu incríveis 15% reais negativos como resultado da forte abertura das taxas ao longo do último ano.

Em relação aos inquietantes números acima, podemos afirmar que a rentabilidade dos fundos de pensão em 2021 apresentou um desempenho melhor e isso decorreu de uma alocação estratégica diversificada. Considerando o referido estudo da Aditus, é possível constatar que os investimentos no exterior renderam 14,6% acima da inflação. Esse tipo de aplicação vem ganhando espaço na diversificação das carteiras dos planos de benefícios, embora ainda represente 3% do total, em média.

A renda fixa permaneceu como principal alocação dos investimentos, com mais de 80% do patrimônio. Aqui merece destaque a contribuição dos títulos marcados pela curva, que estão alheios às flutuações de mercado e que serviram de ótima proteção ao capital investido, especialmente nos planos do tipo benefício definido, compensando parcialmente os efeitos negativos dos títulos marcados a mercado no ano passado.

Interessante observar que a abertura das taxas reais das NTN-B fez com que esses títulos encerrassem 2021 com rendimentos projetados bem acima das metas atuariais, revelando-se novamente como atrativos para as carteiras dos fundos de pensão. Contudo, contrariamente à ideia que vigorou por anos, no passado já distante, de que investir em títulos públicos seria suficiente para cobrir as obrigações do passivo, há a convicção de que, no momento atual, tal abertura não deverá alterar a estratégia de busca criteriosa por diversificação em outros tipos de investimentos, considerando-se que o cenário de queda das taxas de juro de longo prazo na nossa economia continua muito provável.

Jair Ribeiro é assistente da diretoria de investimentos da Fundação Real Grandeza
E-mail jair@frg.com.br

https://valor.globo.com/financas/coluna/uma-analise-da-rentabilidade-recente-dos-fundos-de-pensao.ghtml

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