Folha de S.Paulo – Vale privatizada corta 3.300 funcionários – 05/01/98

A Companhia Vale do Rio Doce demitiu cerca de 3.300 pessoas desde que foi privatizada em maio, quando passou para o controle de um consórcio liderado pela CSN, tendo à frente o empresário Benjamin Steinbruch.
Esse corte no número de empregados foi realizado até novembro, de acordo com o último dado disponível, e representou 21,8% do quadro de pessoal.
A maior parte da redução foi obtida com o PDI (Programa de Demissões Incentivadas), com término previsto para o final de 1997.
Havia uma expectativa na empresa de que até o final do ano passado as demissões pudessem chegar a 3.500 funcionários. A Vale não divulgou ainda os números oficiais de cortes.
De acordo com relatório mensal do número de empregados da Vale, mês a mês, desde janeiro de 1993, obtido pela Folha, em maio deste ano a Vale tinha 15.142 empregados. No dia 30 de novembro, o total de empregados estava reduzido a 11.842.
Mais de 90% dos cortes posteriores à privatização foram feitos entre outubro e novembro, quando o PDI foi implementado. No dia 30 de setembro, o número de empregados era de 14.475, apenas 267 menos que no mês da privatização.
O presidente do Centro Corporativo e de Relações com o Mercado da Vale, Gabriel Stoliar, não quis confirmar as demissões. A empresa só fará comentários quando o PDI estiver concluído.
Stoliar disse apenas que “experiências análogas de outras privatizações” apontam reduções de pessoal em torno de 25% a 30%.
Segundo Stoliar, o programa da Vale não partiu de nenhum número prévio e sim de algumas transformações ocorridas na empresa.
A primeira transformação, segundo ele, foi a reestruturação da empresa, dividida agora por áreas de negócios -minérios, papel e celulose, alumínio e centro corporativo. Essa mudança, segundo ele, resultou em várias superposições de cargos e tarefas que estão sendo eliminadas.
A segunda fonte de redução de pessoal foi a eliminação de uma série de controles aos quais a Vale era submetida por ser estatal.
Como empresa privada ela não precisa, por exemplo, produzir relatórios para o TCU (Tribunal de Contas da União) nem fazer demoradas licitações antes de cada contrato a ser assinado.
A terceira fonte de cortes, segundo Stoliar, foi “a busca de instrumentos de gestão mais modernos para a empresa sob a ótica privada”. Ele ressalvou que a Vale já era eficiente como estatal.
O presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Mineração do Rio, Luiz Carlos Vieira, disse que há um sentimento de desânimo dentro da empresa por conta das demissões e de uma certa “paralisia geral”.
Segundo Vieira, havia na Vale “a certeza de que, se o trabalho fosse bom, a pessoa ficaria na empresa até se aposentar”.
“Os empregados compraram a idéia de que nada mudaria com a privatização”, disse Vieira, que chamou a direção da Vale de “aventureira”.

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https://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi050102.htm

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