O incômodo de meio bilhão da Petros na BRF

Fundo de pensão pediu justificativa para necessidade de capital e timing

A BRF já sabe que terá um acionista resistente na assembleia de 17 de janeiro, quando haverá votação da proposta da administração para um mega follow-on primário de até R$ 6,6 bilhões. Acionista histórico da companhia, a Petros questionou a empresa sobre a necessidade real desse aumento de capital.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

Não é para menos: se não quiser ser diluída na oferta, a Petros vai ter que colocar coisa de meio bilhão de reais na compra de novas ações. O fundo de pensão tem hoje 7,01% da BRF.

Numa carta assinada pelo gerente jurídico e de compliance, Eduardo Tavares Pereira, a fundação questiona o que a companhia fará com os recursos e como isso se encaixa na política financeira da empresa, uma vez que as informações mais recentes eram sobre projeções de aumento de Ebitda nos próximos trimestres – o que daria o caixa extra que a BRF eventualmente precise.

A Petros também questiona se a companhia planeja um programa de recompra de ações ou se vai eliminar o prejuízo acumulado contra a reserva de capital permitindo a distribuição de proventos. Afinal, a companhia vai fazer aquisições, quitar dívidas ou pagar dividendos?

Dois dias depois de receber os questionamentos, a companhia respondeu aos acionistas ontem à noite, salpicando argumentos em defesa da proposta da administração, sem cravar o uso do dinheiro para fins muito específicos.

Falou em redução de alavancagem para fazer investimentos orgânicos e eventuais aquisições, no exterior e no Brasil, como no segmento de pet food, melhorar a nota de risco, potencializar a compensação de créditos tributários sobre prejuízos fiscais e a utilização de saldo ativo de tributos no balanço com o aumento de capital – e até em ter dinheiro para eventuais multas da CGU.

A BRF também rebateu o questionamento sobre timing da oferta, argumentando que o nível historicamente baixo das ações hoje se deve às restrições de sua capacidade de crescimento e que esperar para levantar capital quando já houver um ativo ou investimento em vista demandaria previsibilidade das janelas de mercado em ano eleitoral.

De acordo com o VP financeiro da BRF, Carlos Alberto de Moura, todos os argumentos foram apresentados ao Comitê de Finanças e Gestão de Riscos, ao Comitê de Pessoas, Governança, Organização e Cultura e ao Comitê de Auditoria e Integridade, e depois apresentados e discutidos em reunião do conselho. O conselho fiscal foi favorável, de forma unânime, à proposta. Já no board, como o Pipeline mostrou, coube ao chairman Pedro Parente o voto de minerva.

O que a Petros não questiona em sua carta mas é um incômodo na fundação, segundo fonte próxima ao fundo de pensão da Petrobras, é a possibilidade de Marcos Molina tomar o controle da BRF por meio da Marfrig sem pagar prêmio – valor extra que obviamente beneficiaria a acionista de referência com uma porta de saída.

O que incomodou a Petros parece estar sendo bem digerido pelo mercado – seja lá pela possibilidade de um dono ou pela oportunidade de desalavancagem. Desde o anúncio da proposta, no início da segunda quinzena de dezembro, as ações da BRF subiram 10,4%.

https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/petros-questiona-follow-on-e-brf-retruca.ghtml

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading