Onde o fundo de pensão canadense CDPQ quer investir seus bilhões no Brasil

O discreto Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ), segundo maior fundo de pensão do Canadá e que gere cerca de US$ 300 bilhões, está olhando investimentos em infraestrutura e em empresas de educação, saúde e serviços financeiros no Brasil. A estratégia é contornar a recessão que se avizinha e a turbulência política apostando em “ativos defensivos”, como rodovias, linhas de transmissão e energia renovável — ou seja, investimentos com demanda cativa, que sofrem menos em cenários adversos.

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— Em infraestrutura, há um mundo de coisas a se explorar no Brasil. Estamos olhando ativamente. Já quase fizemos alguns negócios, batemos na trave algumas vezes, mas estamos à procura — conta à coluna Denis Jungerman, responsável pela operação brasileira. — Olhamos ativos defensivos porque faz parte da nossa essência e porque sabemos que o mercado local tem um histórico de volatilidade. No fim do dia, a gente investe dinheiro da aposentadoria da professora, do policial e do bombeiro do Québec.

O plano é expandir um portfólio que já supera US$ 4,5 bilhões (R$ 25 bilhões) por aqui e ganhou relevância no passado recente, com a abertura de um escritório local em 2018 e a compra de 35% da empresa de gasodutos TAG, que pertencia à Petrobras, por US$ 3,3 bilhões. Essa operação foi feita em parceria com a francesa Engie, que comprou os outros 65% do negócio.

— Não estamos amarrados a um número, mas a intenção é, no mínimo, manter em 1,5% a participação do Brasil nos ativos totais. Considerando que nossa “torta” cresce mais ou menos 15% todo ano, estamos falando de alguns bilhões de dólares nos próximos anos — explicou.

Cheques que mais de US$ 200 milhões

Além da TAG, o CDPQ tem uma posição de longa data no segmento brasileiro de shoppings, já que sua subsidiária imobiliária Ivanhoe é sócia da Ancar. Juntas, elas administram shoppings como Rio Sul, Botafogo Praia Shopping e Rio Design Barra e Leblon. E, este ano, o fundo pagou R$ 1,8 bilhão para ter metade da FiBrasil, empresa de fibra óptica que é uma joint venture com a Telefônica.

— A gente é muito associativo. Somos donos de algumas empresas, mas não é a regra. Em infraestrutura, geralmente, ou temos participação minoritária grande ou co-controle — acrescenta Jungerman. — A ideia é entrar em ativos que nos sirvam de plataforma de expansão, como queremos fazer com a TAG e com a FiBrasil.

Os cheques mínimos do CDPQ são de cerca de US$ 200 milhões, em infraestrutura, e de US$ 75 milhões no caso de participação em empresas (private equity).

— No Brasil, nosso plano é ser minoritário no private equity. Nossos parceiros serão fundos que já estão na companhia investida ou as famílias que controlam os negócios. A flexibilidade do nosso horizonte de tempo, aliás, casa bem com as boas empresas familiares, que são um terreno fértil no Brasil — explica o executivo.

https://blogs.oglobo.globo.com/capital/post/onde-o-fundo-de-pensao-canadense-cdpq-quer-investir-seus-bilhoes-no-brasil.html

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