Após anos de retornos baixos, os investidores buscaram garantias das petroleiras de que elas irão moderar o crescimento e se concentrar nos pagamentos aos acionistas
As grandes empresas petrolíferas estão gerando seus maiores fluxos de caixa em anos, e estão repassando grande parte para aos acionistas em vez de investir na produção.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!As duas maiores empresas de petróleo dos EUA, Exxon Mobil e Chevron, divulgaram na sexta-feira (29) os melhores ganhos trimestrais desde antes do início da pandemia global.
A Exxon registrou lucro de US$ 6,8 bilhões e disse que lançaria um programa de recompra de ações de US$ 10 bilhões a partir do próximo ano. A Chevron reportou US$ 6 bilhões de lucro líquido, seu melhor trimestre desde 2013, e disse que gerou US$ 6,7 bilhões em fluxo de caixa livre, o maior de sua história.
O setor está colhendo os frutos da retomada dos preços das commodities — os preços do petróleo nos EUA chegaram a US$ 80 o barril neste mês pela primeira vez desde 2014 —, à medida que a economia recupera-se da estagnação provocada pela covid-19. A demanda global de energia está se recuperando mais rápido do que o previsto, e a produção global de petróleo, embora continue crescendo, não consegue acompanhar o aumento do consumo.
Investidores e analistas observam de perto para ver se a indústria do petróleo sucumbirá à tentação de investir mais dinheiro no crescimento da produção em meio à alta dos preços do petróleo e ao aumento da demanda, ignorando as medidas de austeridade implementadas durante a pandemia.
Após anos de retornos baixos, os investidores buscaram garantias das petroleiras de que elas irão moderar o crescimento e se concentrar nos pagamentos aos acionistas.
Alguns investidores querem que as empresas se concentrem na energia renovável num momento em que muitos países fazem a transição para fontes de energia mais limpas em meio a preocupações com as mudanças climáticas.
Até agora, a maioria das empresas está se atendo a orçamentos menores e prometendo devolver mais dinheiro aos acionistas.
A Exxon aumentou seus dividendos trimestrais em 1 centavo na quarta-feira (27), seu primeiro aumento desde 2019, e disse, na sexta-feira, que gerou US$ 12 bilhões de caixa com as operações. A Chevron disse, na sexta-feira, que seus gastos de capital acumulados no ano caíram 22% e que pagou dividendos de US$ 2,6 bilhões, reduziu a dívida em US$ 5,6 bilhões e recomprou US$ 625 milhões em ações durante o trimestre.
“O fluxo de caixa livre mais do que cobriu os dividendos e US$ 4 bilhões em redução adicional da dívida”, disse o executivo-chefe da Exxon, Darren Woods. “Com o progresso feito na restauração da força do nosso balanço patrimonial, anunciamos, nesta semana, um aumento de dividendos mantendo 39 anos consecutivos de crescimento de dividendos anuais.”
As empresas europeias de energia também estão ganhando dinheiro, mas dizem que continuarão a usar mais para financiar projetos de energia renovável e pagamentos de investidores do que o crescimento da produção de petróleo e gás.
A TotalEnergies divulgou US$ 4,6 bilhões de lucro na quinta-feira (28) e disse que a forte geração de caixa de combustíveis fósseis está permitindo que ela invista no crescimento de seus negócios de energia renovável e eletricidade.
A Royal Dutch Shell, que enfrenta uma moção do investidor ativista Third Point para se dividir em duas empresas, divulgou um prejuízo de US$ 447 milhões na quinta-feira, após dar baixa de US$ 5,2 bilhões vinculados a derivativos de commodities. Mas a gigante anglo-holandesa disse que gerou US$ 16 bilhões em fluxo de caixa livre, seu maior fluxo de caixa, e distribuirá US$ 7 bilhões aos acionistas da venda de US$ 9,5 bilhões de seus ativos de xisto na bacia do Permiano para a ConocoPhillips em setembro.
A BP reporta ganhos na próxima semana.
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