Sustentabilidade será o grande foco de atenção

Companhias mais dispostas a se transformarem para diminuir impactos climáticos terão acesso ao custo de capital mais baixo

Com 40 anos de experiência no mercado financeiro, Larry Fink, CEO da BlackRock, uma das maiores gestoras de ativos do mundo, afirma que o mercado financeiro está começando a enxergar a sustentabilidade como um grande fator de risco aos investimentos.

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“Isso vai mudar o capitalismo e determinar quem ganha ou perde, conforme o volume de capital investido em estratégias sustentáveis”, disse Fink em conversa sobre os rumos dos investimentos com José Berenguer, CEO do Banco XP S.A, durante a Expert XP, realizada na semana passada.

O CEO da BlackRock observa que, durante a pandemia, houve uma aceleração do capital em direção a estratégias sustentáveis. Segundo Fink, a covid-19 e o risco existencial da saúde reforçaram a perspectiva das pessoas sobre o risco climático e o impacto na saúde do planeta.

“Vimos mais clientes dispostos a investir em novas tecnologias para reduzir esse custo adicional da sustentabilidade e, portanto, isso vai ser muito importante para o mundo financeiro. Estamos falando de uma interseção entre ciência, saúde do planeta e da humanidade e investimentos a longo prazo para temos grandes retornos”, afirma Fink.

Uma das grandes expectativas de Fink para a 26ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU, a CoP-26, que acontecerá de 31 de outubro a 12 de novembro de 2021, em Glasgow, na Escócia, é a discussão sobre a padronização de critérios para identificar os melhores ativos em termos de impacto à sustentabilidade.

“Espero que, na CoP-26, isso seja resolvido. É uma questão muito importante, tem que ser resolvida para que possamos criar uma taxonomia global que permita mensurar essas forças. No momento, temos processos muito bons para medir o risco para o clima, temos modelos, conseguimos avaliar o que cada investimento significa para um recurso ativo. Se tivermos riscos de enchentes numa área, por exemplo, isso significa que vamos ter preços maiores devido ao risco”, diz Fink.

A tendência futura para a precificação de ativos está intimamente ligada à avaliação do risco climático. Segundo Fink, estamos no início de uma grande mudança na forma de financiar empresas. Ele explica que essa mensuração de riscos aliada aos efeitos do clima já é feita em seguros e resseguros, e as seguradoras já estão aumentando os valores dos prêmios de seguros residenciais em áreas mais sujeitas a incêndios, por exemplo.

“Nossa taxonomia não é tão boa na mensuração do risco de transição, ou seja, na identificação da velocidade que uma companhia ou sociedade necessita para se adaptar a essa mudança. Os reguladores vão ter que pedir às companhias para informarem como estão fazendo essa transição de riscos, os bancos, provavelmente, serão questionados sobre suas respectivas gestões de carteira, sobre a avaliação do risco climático”, ressalta Fink.

Em uma certa medida, o CEO da BlackRock identifica que o compromisso das empresas com essa transparência já está em curso. Fink diz que essa exigência faz parte do seu dia a dia. Para ele, é imprescindível que as companhias deem cada vez mais transparência aos impactos climáticos das suas atividades.

“Isso nos permite avaliar se as empresas estão se desenvolvendo. E assim conseguimos criar estratégias sustentáveis para os investidores. Também estamos criando estratégias para investimentos que eu chamo de novos unicórnios do mundo: estamos focando em diversas avenidas para medir os riscos ao clima nas transações das companhias e isso em si já é um grande avanço”, afirma Fink.

Essas ações podem significar pouco, mas a maior parte dos fundos de pensão investe em passivos tradicionais, observa Fink. “Se o indivíduo quiser ter uma carteira de 20% a 30% com menos risco ao clima em potencial, podemos criar um portfólio por meio de divulgações melhores para as companhias. Assim é possível verificar que companhias em cada um dos setores está avançando mais rápido”, diz.

Na busca pelas melhores oportunidades de financiamento, as companhias que não estejam dispostas a empreender grandes transformações serão preteridas, na visão de Fink. “As companhias que mais se transformam são incluídas, recebem mais capital para os seus ativos, enquanto que as que atuam no mesmo setor e não se desenvolvem tão rápido acabam recebendo menos investimentos. Vemos uma reorganização em cada setor”, afirma.

https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2021/08/31/sustentabilidade-sera-o-grande-foco-de-atencao.ghtml

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