O número de eleitos a partir de indicações da fundação depende, por exemplo, do apoio de outros investidores institucionais, segundo o diretor Denísio Libertao
A Previ deu início à seleção de conselheiros que vão concorrer, na temporada de assembleias de 2022, a vagas em companhias nas quais a fundação detém participação acionária. O maior fundo de pensão do país prevê a eleição, no próximo ano, de cerca de 80 assentos, entre conselheiros de administração e fiscais, incluindo titulares e suplentes. O número deve ficar em linha com o de 2021, mas já foi mais de quatro vezes maior no passado. No fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, a entidade dos funcionários do Banco do Brasil tinha mais de 350 representantes indicados em colegiados de participadas.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“O número de eleitos depende de uma série de fatores. Estamos junto da área de investimentos para decidirmos quais posições iremos pulverizar. Dependemos do apoio de outros investidores institucionais, que comunguem dos mesmos princípios da Previ e acompanhem nossos candidatos”, disse o diretor de participações do fundo de pensão, Denísio Liberato.
A Previ chegou a ter mais de 350 assentos logo depois do movimento de privatização de estatais – muitas vezes o mesmo conselheiro se replicava na holding e controladas. Futuramente, o número atual de conselheiros tende a cair, mas vai depender de dois movimentos do fundo de pensão.
Hoje, a maior parte das empresas investidas da Previ concentra-se no Plano 1, que detém as grandes participações. Dos mais de R$ 104 bilhões em renda variável da carteira, R$ 97,5 bilhões estão alocados na carteira de participações, com investimentos em 33 empresas. A entidade tem um plano de reduzir o risco desse portfólio, e chegar a uma carteira mais diversificada. Na Vale, a Previ não alterou a sua participação, mas com as mudanças na mineradora, que passou a ser uma “corporation”, o fundo de pensão deixou de fazer indicações. Os nomes sugeridos partiram de um comitê de nomeação. Ao mesmo tempo, o plano de contribuição variável, Previ Futuro, está em fase de acumulação e tende a aumentar sua carteira de ações, abrindo espaço para indicações nesta ponta.
No processo de seleção atual, a Previ incluiu uma novidade. A fundação decidiu olhar além do currículo formal dos candidatos. Para isso, contratou a consultoria Weplace, que irá analisar as habilidades comportamentais e subjetivas dos candidatos. Chamadas no jargão empresarial de “soft skills”, incluem características como inteligência emocional, colaboração e comunicação, por exemplo.
O processo seletivo foi aberto em 9 de agosto e vai até o dia 27, e vale tanto para associados da Previ quanto para representantes externos, que chegaram a quase 35% dos candidatos na seleção passada. “Para determinados segmentos, buscamos pessoas com perfis e habilidades diferentes daquelas características de candidatos vinculados ao Banco do Brasil”, disse Liberato.
Atualmente, a Previ tem cerca de 80 conselheiros eleitos nas companhias participadas. Os representantes estão divididos em conselhos de administração e fiscal, e estão divididos entre titulares e suplentes. Por determinação de acordos de acionistas dos quais a entidade faz parte, alguns conselheiros são replicados em mandatos de empresas de um mesmo grupo econômico.
Do total de conselheiros, em quase 30% são mulheres e os dados mostram que os números quase dobraram ao longo dos anos. Em 2015, 12% dos selecionados eram do sexo feminino. Mas entre os candidatos à seleção da entidade, o percentual feminino fica em torno de 15%, ainda considerado baixo. A Previ incentiva a participação feminina, mas não tem uma meta específica. Em geral, são as empresas que perseguem índices para a diversidade em seus conselhos.
Mudanças recentes no mercado americano podem de alguma forma ter impacto no Brasil, na visão do diretor da Previ. Na última semana, a Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA aprovou regras da Nasdaq que exigirão que as empresas que listam ações em suas bolsas atendam a certas metas de raça e gênero. Se os conselhos das empresas não atenderem aos requisitos, as empresas deverão explicar por escrito por que não o fizeram. “As empresas brasileiras listadas nos Estados Unidos vão ter que buscar esses percentuais. Pode ser que reverbere aqui”, disse. No Brasil, a CVM abriu uma audiência pública para reforma da regra do formulário de referência, com divulgação mais ampla sobre diversidade.
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