A eleição é uma fonte de incerteza ainda maior do que se imaginava, além de outros fatores na área econômica
O Ibovespa na linha dos 117 mil pontos e o juro de médio prazo de dois dígitos são a clara expressão de que o mercado financeiro começa a cair na real sobre o tamanho do desafio guardado para 2022. A eleição é uma fonte de incerteza ainda maior do que se imaginava, não porque será disputada por dois candidatos considerados extremistas do ponto de vista político, mas principalmente pelo fato de que ambos são vistos hoje como pouco comprometidos com uma política fiscal austera. Ou seja, neste momento, não há em cena um nome considerado competitivo que assegure a preservação do teto de gastos. E, diante disso, o tamanho do prêmio de risco que o mercado vinha carregando era pequeno demais.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Com a queda de terça-feira, de 1,07%, o Ibovespa devolveu toda a valorização promovida pelas surpresas positivas vindas dos indicadores de crescimento econômico e também do quadro fiscal. A inflação mais alta traria um espaço maior no teto de gastos para acomodar os gastos típicos do período eleitoral, enquanto a vacinação em aceleração justificava maior otimismo com a retomada. Isso começou a ser observado no início de maio, quando o Ibovespa girava ao redor dos mesmos 117 mil pontos do fechamento de ontem, e levou o indicador para a máxima histórica de 130.776 pontos. A expectativa de um crescimento robusto continua, mas a perspectiva de que o juro terá que subir com mais força, inclusive para dar conta da piora das contas públicas, eliminou completamente o efeito positivo sobre o mercado de ações.
O que virou a chave do sentimento do mercado foi o evento dos precatórios – o “meteoro” de R$ 90 bilhões eliminou por completo o espaço fiscal que investidores acreditavam existir e colocou na pauta o medo de descumprimento do teto de gastos. Esse evento, para o qual ainda se encontrou uma solução, reforçou o medo de atitudes mais populistas do atual governo, que vê sua popularidade em franca queda diante dos desmandos na condução da crise da pandemia e também pelo efeito da inflação em alta.
O que amplia a preocupação do mercado é que a disputa presidencial pode acontecer sem o amparo das forças da liquidez global. Um cenário nada desprezível traçado pelos economistas é que a retomada do crescimento econômico mundial levará os grandes bancos centrais – inclusive o Federal Reserve – a diminuir o grau de estímulo monetário, inclusive com aumento de juros.
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