Governança da Previ é sólida e não depende apenas de um dirigente, dizem representantes da fundação eleitos por participantes
A governança da Previ blinda o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil contra interferências externas e o novo presidente tende a ser um nome técnico, na visão de fontes ouvidas pelo Valor. No entanto, a renúncia de José Maurício Coelho, anunciada na terça-feira, foi considerada abrupta e gera preocupação entre os participantes da fundação.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“Há pessoas preocupadas porque o José Maurício não é ligado a grupos políticos e realizou uma gestão técnica, adequada, com rebalanceamento de ativos. A mudança ocorreu sem justificativas”, disse um ex-diretor da Previ, que pediu anonimato. A saída de Coelho, ocorre depois da chegada de Fausto Ribeiro no comando do Banco do Brasil, em março.
Para ser indicado a um cargo na fundação, as regras vigentes desde 1997 preveem que o candidato deve ser funcionário de carreira do Banco do Brasil e filiado à Previ por pelo menos dez anos. Também há regras de paridade: metade da diretoria, que é composta por seis membros, é eleita pelos participantes. A outra metade é indicada pelo Banco do Brasil, como é o caso do presidente. Um dos cotados para a sucessão de Coelho é o atual diretor de participações, Denísio Liberato, que possui trânsito no governo. Em sua carreira de 20 anos no Banco do Brasil, também teve cargos no ministério da Fazenda, na gestão Dilma Rousseff.
Os diretores e conselheiros eleitos por participantes da Previ buscaram tranquilizá-los sobre a situação. “Em vários momentos no passado houve trocas dos diretores e conselheiros indicados por parte do banco, antes da conclusão dos seus respectivos mandatos. A governança da Previ é muito sólida e não depende apenas de um dirigente”, disseram o dirigentes eleitos em nota divulgada ontem. Na Previ, integram esse grupo o diretor de seguridade, vaga ocupada por Wagner Nascimento; de administração, Márcio de Souza; de planejamento, Paula Goto, além de membros do conselho deliberativo e do consultivo.
Nos últimos anos, a Previc, autarquia que fiscaliza os fundos de pensão, aumentou o rigor para a indicação ou eleição de administradores das fundações de forma geral. As normas passaram a exigir que os candidatos tenham “reputação ilibada”, comprovação de conhecimento técnico e experiência executiva. As mudanças ocorreram na esteira de problemas enfrentados por fundações que foram, inclusive, alvo da operação Greenfield, da Polícia Federal, que investigou desvios no setor. Foi o caso, por exemplo, de Petros (Petrobras), Postalis (Correios) e Funcef (Caixa).
Para o presidente da Abrapp, associação que representa o setor, Luís Ricardo Martins, o sistema está blindado com relação a indicações políticas. “Houve amadurecimento e desenvolvimento de estruturas de governança”, afirmou. A associação agora trabalha para ajudar na retomada dos investimentos em fundos de investimentos em participações (FIP).
A Abrapp e a Previc vão desenvolver um código de boas práticas para o investimento em FIPS. O objetivo, segundo Martins, é trazer mais segurança para a supervisão baseada em risco e também na gestão destes fundos. “O veículo é bom e precisamos trabalhar isso. Ainda há grandes fundos com restrições a esse tipo de investimento”, disse o presidente da associação.
https://valor.globo.com/financas/noticia/2021/05/27/governanca-blinda-previ-dizem-diretores.ghtml
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