Aliados do governo ganham espaço no BB

Servidores e políticos veem influência de Flávio Bolsonaro

A recente dança das cadeiras na cúpula do Banco do Brasil (BB) e na direção de empresas ligadas à instituição promoveu a ascensão de nomes de carreira do banco ligados a políticos do núcleo mais próximo do governo. As nomeações confrontam a retórica do presidente Jair Bolsonaro, que se elegeu com o discurso de que colocaria fim às práticas da “velha política”, como as indicações para cargos na direção de estatais.

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Desde a nomeação de Fausto Ribeiro para a presidência do banco, no fim de março, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) passou a ser apontado por fontes políticas e por servidores de carreira da instituição como um dos políticos mais influentes no Banco do Brasil. Flávio é citado nos bastidores como um político próximo a Ribeiro e ao novo vice-presidente de agronegócios, Renato Naegele, embora este negue a interlocutores que conheça o filho do presidente.

Conforme oficial do banco dirigido ao mercado há duas semanas, informando as mudanças na cúpula da instituição, a vice-presidência de governo e agronegócios foi dividida em dois cargos: vice-presidência de governo e vice-presidência de agronegócios.

O ex-titular dessa vice-presidência, João Pinto Rabelo Junior, também servidor de carreira, teve o nome cotado para assumir a presidência da Previ, fundo de pensão dos servidores do Banco do Brasil. No entanto, como aposentado do BB, esse movimento não é possível. O comando da Previ ficou vago com a renúncia, na terça-feira, de José Maurício Coelho. Ele saiu poucos dias depois da decisão de Paulo Caffarelli de deixar o comando da Cielo, motivada por falta de entrosamento com o governo, segundo fontes. Coelho foi indicado à Previ na gestão de Caffarelli no BB.

Com a criação das duas novas vice-presidências, foi nomeado novo vice-presidente de governo, um dos postos-chaves da instituição, o servidor de carreira do banco Antônio José Barreto de Araújo Júnior. Antônio Barreto, como é conhecido no governo e entre funcionários do banco, é ligado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni. O deputado licenciado do DEM é um dos principais auxiliares de Bolsonaro, e considerado um dos quadros mais leais ao presidente.

Barreto foi auxiliar da confiança máxima de Onyx em dois ministérios dos quais o deputado licenciado do DEM foi titular. Quando Onyx era ministro-chefe da Casa Civil, Barreto foi subchefe de Articulação e Monitoramento e secretário-executivo interino. Quando Onyx foi remanejado para o Ministério da Cidadania, Barreto foi nomeado secretário-executivo da pasta, novamente o número dois do ministério.

Por sua vez, a nomeação do vice-presidente de agronegócios, Renato Naegele, foi feita por Ribeiro, mas interlocutores veem a digital de Flávio Bolsonaro. Naegele era funcionário do gabinete do senador Wellington Fagundes (PL-MT), um dos parlamentares mais próximos ao filho do presidente no Senado. Fagundes integra a base governista, é líder do bloco PL-DEM-PSC na Casa, e é pré-candidato do PL à reeleição para o Senado pelo Mato Grosso – Estado referência do agronegócio.

Naegele, no entanto, é servidor de carreira do BB, foi diretor de marketing do banco no governo de Fernando Henrique Cardoso, e também é muito próximo de Ribeiro, de quem seria amigo desde os tempos de juventude.

Ao Valor, o senador Wellington Fagundes negou, por meio de sua assessoria, que responda pela indicação de Naegele. Onyx, também por meio de sua assessoria, não quis comentar a nomeação do ex-assessor para a vice-presidência do banco. Procurado por meio da assessoria, o senador Flávio Bolsonaro também não quis comentar.

O BB informou que “a indicação dos executivos observou o estabelecido nos normativos e legislação vigentes: Lei das Sociedades Anônimas, Lei das Estatais e Estatuto Social do BB”.

https://valor.globo.com/financas/noticia/2021/05/27/aliados-do-governo-ganham-espaco-no-bb.ghtml

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