Petrobras demite gerente-executivo de RH suspeito de caso de ‘insider’

Execultivo também deixa o conselho de administração da Transpetro, braço de logística da petroleira

O gerente-executivo de recursos humanos da Petrobras, Cláudio da Costa, foi demitido do cargo, ontem. A estatal informou que Pedro Bracântemo, chefe do gabinete da presidência, ocupará a função interinamente até indicação de novo executivo para a função. Costa também deixa o conselho de administração da Transpetro, braço de logística da petroleira.

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De acordo com duas fontes, a demissão teria sido motivada, em parte, por suspeitas de uso de informação privilegiada pelo gerente-executivo. Costa teria vendido ações da companhia no dia 18 de fevereiro, na véspera de o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciar a troca no comando da Petrobras – o que levou à forte desvalorização da empresa nos dias seguintes.

O Valor apurou que as investigações seguem em andamento e que ainda não há uma conclusão se o gerente se beneficiou, de fato, de informação privilegiada – ou se a ordem da operação já havia sido programada com antecedência pela corretora de confiança do executivo.

Em nota à imprensa divulgada na noite de ontem, a Petrobras esclareceu que Costa foi desligado por ter atuado, “em episódio pontual”, em desacordo com a política que veda a negociação de ações por pessoas vinculadas à empresa nos 15 dias que antecedem a divulgação das demonstrações financeiras da companhia – o que ocorreu no dia 24 de fevereiro. Procurado, Costa preferiu não comentar os motivos da demissão.

A ocorrência de possível “insider” na Petrobras, no episódio do anúncio da troca no comando da estatal, virou alvo de processo administrativo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Este mês, “O Globo” relatou uma operação atípica com opções de vendas de ações, às vésperas do vencimento dos papéis e pouco antes de Bolsonaro afirmar, no dia 18 de fevereiro, que “alguma coisa” iria acontecer na estatal. A operação poderia ter gerado lucro de R$ 18 milhões, ante um aporte de R$ 160 mil.

A CVM já informou, porém, não ter detectado o ganho financeiro estimado. Segundo o órgão, a operação em questão “não foi levada ao vencimento”.

Costa assumiu a gerência de RH em 2019, no início da gestão de Roberto Castello Branco à frente da estatal, após experiência como secretário executivo adjunto de gestão de pessoas da Prefeitura de São Paulo, durante o mandato de João Doria (PSDB). A gerência-executiva de recursos humanos reporta diretamente a Castello Branco – que está de saída da empresa, por intervenção de Jair Bolsonaro. O substituto será o general da reserva e diretor-geral de Itaipu Binacional, Joaquim Silva e Luna. A sucessão, contudo, ainda precisa passar pelo crivo dos acionistas e do conselho de administração da petroleira,

Como gerente-executivo, Costa tratou de assuntos como o corte de pessoal, por meio dos programas de desligamento voluntário, e a reformulação do modelo de gestão do plano de saúde, o Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS) – alvo de questionamentos da Federação Única dos Petroleiros (FUP), em ação civil pública na 4ª Vara Justiça Federal – Seção Judiciária do Distrito Federal.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/03/30/petrobras-demite-gerente-executivo-de-rh-suspeito-de-caso-de-insider.ghtml

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