O campo de batalha estará aberto amanhã, na reunião do conselho de administração da Petrobras na qual seus 11 membros terão de votar a favor ou não do nome do Joaquim Silva e Luna para a presidência da Petrobras, no lugar de Roberto Castello Branco. Se houver rebeldia e o nome do general for rejeitado, o presidente Jair Bolsonaro pode levar a empresa a enfrentar uma batalha jurídica, sob acusação de abuso de poder, caso queira manter sua decisão. Isso ajudou a petroleira a perder mais de R$ 78 bilhões em valor de mercado na segunda-feira, após ter encolhido R$ 28,2 bilhões na sexta. Um atropelo dessa magnitude pode trazer implicações jurídicas para a companhia e rasgar uma lei criada em 2016, após o escândalo de corrupção da Petrobras, para regrar empresas estatais de economia mista.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Pedra cantada. Os conselheiros, por sua vez, também estão presos a compromissos e correm o risco de serem responsabilizados na pessoa física pelo voto. Isso vale, inclusive, para uma decisão favorável à indicação de Bolsonaro. Advogados consultados pelo Broadcast afirmam que o voto tem de ser justificado em bases técnicas, que mostrem a escolha à luz dos negócios da companhia e seu desempenho.
No laço. Não seria surpresa se o encontro se alongar por muitas horas e resultar em uma votação apertada. “Até aqui, a imagem foi de atropelo”, diz André Antunes Soares de Camargo, sócio do TozziniFreire Advogados, especialista na área ‘corporate’. “A partir de amanhã, caso a União insista em uma troca eventualmente à revelia da decisão do conselho, haverá implicação jurídica contra a empresa.”
Genérica. Na mesma linha, o sócio do escritório Mattos Filho e especialista em petróleo e gás, Giovani Loss, diz que a configuração de abuso de poder passa pela situação em que a decisão da União tenha causado prejuízo ou estresse financeiro à companhia. A Lei das SAs, à qual as empresas de capital misto com ações em Bolsa se submetem, prevê que a União deve usar o poder para que a empresa realize seu dever social.
Conflito. Ou seja, há argumentos a favor da postura do governo e a briga promete ser boa. “Esse dispositivo é tão genérico na lei, que, havendo uma conjuntura de interesse público, não há flagrante ilegalidade”, diz. No caso, o interesse público é a alta dos combustíveis.
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