Previ busca uma gestão mais ágil do portfólio

Fundação vai retomar programa de diversificação de investimentos, adiado no ano passado

Previ busca uma gestão mais ágil do portfólio

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A Previ vai retomar em 2021 o programa de diversificação de investimentos, adiado no ano passado por conta das incertezas geradas pela pandemia. Se anteriormente a estratégia tinha orçamento de até R$ 5 bilhões, agora poderá chegar a R$ 7 bilhões. O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (BB) reviu ainda sua política de investimentos para dar mais agilidade à gestão de seu portfólio de quase R$ 200 bilhões. Entre as novidades, cada categoria de investimentos passará a ser encarada como um subportfólio, de acordo com sua estratégia. É o caso dos investimentos em ofertas de ações ou da gestão na renda fixa com foco nos passivos, como o pagamento dos benefícios.

A política de investimentos da Previ tem um horizonte de sete anos e é revisada anualmente. No ciclo de 2021-2027, em vez de uma política específica por plano, como era anteriormente, os princípios que regem os investimentos passaram a ficar sob um documento único. Os planos ganharam módulos, que trazem estratégias mais customizadas e aderentes aos planos. Para os planos Família e Previ Futuro, ainda em fase de acumulação, a estratégia será voltada para o desempenho dos portfólios.

Já no Plano 1, de benefício definido e mais maduro, o foco principal é a gestão orientada ao passivo, conhecida como Liability Driven Investment (LDI), já utilizada ao longo de 2020. Funciona como uma “apólice de seguros”, na definição do diretor de investimentos da fundação, Marcelo Wagner. O objetivo é casar o prazo médio dos ativos com o dos passivos. “Isso dá estabilidade, resiliência e solvência maior para o Plano 1 estruturalmente para os próximos 35 anos”, disse Wagner. Em 2021, a Previ deve passar a pagar R$ 15 bilhões em benefícios ao ano.

No auge da crise, o principal plano da Previ chegou a um resultado negativo de quase R$ 24 bilhões, que foi revertido ao longo do ano. O Plano 1 fechou novembro com superávit acumulado de R$ 7,49 bilhões. Com uma posição de caixa forte, os dirigentes do fundo de pensão viram oportunidade para comprar, no total, R$ 13,3 bilhões em títulos públicos, com vencimentos de 2045 a 2055. O plano de benefício definido ficou com R$ 11,5 bilhões das compras.

Ao mesmo tempo, a retomada da bolsa em 2020 foi mais rápida do que o esperado, com a permanência das pessoas físicas — apesar da volatilidade — e o retorno dos estrangeiros após a eleição do democrata Joe Biden, nos Estados Unidos. “O Brasil corrigiu um pouco da depreciação da bolsa em dólar. Relativamente, a bolsa brasileira é uma das que mais se depreciaram na crise e ainda não retornou. Várias das empresas que puxaram a subida na bolsa fazem parte do nosso portfólio”, afirmou Wagner. Mas, segundo ele, há um segundo grupo de papéis na carteira da fundação que tem espaço para recuperação em 2021 e 2022.

A partir do segundo semestre de 2020, a Previ analisou a retomada dos IPOs e viu a chance de participar de cinco operações: Rede D’Or, Petz, Quero-Quero e Grupo Mateus, além da oferta subsequente da Rumo, de quase R$ 630 milhões no total. “Montamos uma carteira com mandato específico para participação nesse pipeline de IPOs e follow-ons”, disse o executivo.

Segundo ele, a Previ alterou o processo de análise das ofertas para dar mais agilidade à execução das ordens. Com as mudanças é feita uma análise prévia da operação, para facilitar a decisão sobre a aderência à carteira. O ritmo de ofertas deve se manter no primeiro trimestre e o interesse da Previ permanece, segundo Wagner. Nas operações, a Previ busca até 2% de participação das companhias.

No ano passado, a Previ planejava alocar até R$ 5 bilhões em um programa de diversificação de investimentos, como fundos multimercados e imobiliários, que foi adiado por causa da crise. Ele será retomado este ano e poderá chegar a até R$ 7 bilhões, segundo o diretor interino de planejamento, Ricardo Serone. Esse projeto também inclui o aumento dos investimentos no exterior.

“Estruturamos dois fundos exclusivos [para investimento no exterior] domiciliados no Brasil: um para renda fixa e outro para renda variável. Iniciamos o processo de seleção de gestores e estratégias em 2019. Acredito que faremos a primeira alocação em renda variável. Com o tempo, é possível que façamos também em renda fixa”, disse Wagner. O principal foco da renda variável será o mercado asiático, acrescentou.

Em 2021, o desempenho da economia brasileira está atrelada à questão fiscal, segundo Serone. “O nosso cenário base é de juros estáveis, e a inflação, no primeiro momento, não vem com pressão. Ainda há um nível de ociosidade forte na economia e se não tiver a parte fiscal mais forte, fica difícil para o Brasil”, disse. E a eficácia da vacina contra a covid-19 tende a ser um divisor de águas. “Estamos atentos a como o Brasil vai lidar com a trajetória da gestão da dívida. O setor chave que pavimenta discussões são as reformas estruturais. Fomos meio que sequestrados pela questão da covid-19 e as reformas estruturais ficaram mais em segundo plano”, completou Wagner.

https://valor.globo.com/financas/noticia/2021/01/04/previ-busca-uma-gestao-mais-agil-do-portfolio.ghtml

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