Os fundos de investimentos excluídos da arbitragem aberta contra a Petrobras vão entrar com um pedido de reconsideração para tentar rever a sentença parcial proferida no início do mês, apurou o Valor.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Cerca de 100 fundos estrangeiros requerem um pagamento de indenização da petroleira, alegando que sofreram prejuízos financeiros com os desdobramentos da “Operação Lava-Jato”. A decisão excluiu do processo 17 fundos, que não comprovaram sua condição de acionista e, assim, não estão legitimados a iniciar um pleito contra a companhia, conforme informou a Petrobras no início do mês.
A sentença parcial extinguiu o pedido por ilegitimidade e falta de documentação suficiente. Segundo uma fonte, por serem fundos de fundos, não conseguiram comprovar junto aos custodiantes a posse de ações da Petrobras no período indenizável.
Independentemente da decisão sobre o pedido de reconsideração, o procedimento arbitral terá continuidade. Para os fundos, o entendimento é que a sentença parcial não terá influência sobre o mérito do caso, que será analisado na segunda fase, segundo uma das pessoas envolvidas. O caso aponta que os números dos balanços da Petrobras foram inflacionados e houve manipulação de documentos e informações. E assim, os investidores tomaram suas decisões de investimentos com base em informações que não eram verdadeiras. Os fundos são representados pelo escritório Finkelstein Advogados, que não comentou.
Já do lado da Petrobras, o entendimento é que não é possível nem discutir o mérito do caso porque a legislação brasileira não permite este tipo de indenização, segundo uma pessoa a par do assunto. A exemplo de outras arbitragens em curso, os fundos solicitam o pagamento de indenização pela petroleira, algo que não tem previsão na legislação brasileira. No Brasil, pela Lei das Sociedades por Ações, são os administradores e controladores da companhia que podem ser responsabilizados.
A Petrobras é representada pelo advogado Marcelo Gandelman, sócio do escritório Souto Corrêa. Procurado, ele afirmou que o tribunal arbitral acatou os argumentos da Petrobras no sentido da ilegitimidade dos fundos estrangeiros, mas não fez mais comentários. A Petrobras também não comentou.
No documento enviado ao mercado, a estatal disse que a sentença parcial é “favorável”, mas não deu mais informações, já que de acordo com as regras da Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM), da B3, a arbitragem é confidencial. A Petrobras enfrenta outros procedimentos arbitrais com características semelhantes, e questionamentos acerca da documentação de fundos se repetem.
Há seis arbitragens instauradas contra a estatal na CAM. Outra sentença parcial já conhecida refere-se ao pedido de indenização dos fundos de pensão Petros e Previ. Proferida em maio, foi favorável às fundações A empresa tentou anular a decisão na Justiça, em caso que está longe de representar um ponto final na disputa.
https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/12/18/fundos-querem-revisao-de-arbitragem.ghtml
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