A Petros aumentou a posição em renda variável e NTNB-s ao longo do ano e conseguiu reverter, em novembro, as perdas causadas pela crise do novo coronavírus em 2020. A estratégia bem-sucedida fez com que o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, que tem um patrimônio de mais de R$ 100 bilhões, reforçasse a aposta na gestão ativa como uma opção mais eficiente na busca por retorno.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“Olhando para o futuro, vamos reforçar a gestão ativa. Daqui para frente as fundações não vão poder fazer ‘buy and hold’ [comprar e manter os ativos], as metas ficaram muito arrojadas”, disse ao Valor o diretor de investimentos, Alexandre Mathias.
Em novembro, os investimentos subiram 6,79%, considerando todos os planos administrados pela Petros, elevando a rentabilidade acumulada do ano para 3,26%. Em 12 meses, os ganhos são de 5,72%. A rentabilidade obtida de abril a novembro contribuiu para um crescimento de cerca de R$ 15 bilhões da carteira de investimentos da fundação.
Os participantes da Petros fazem atualmente contribuições adicionais para sanear déficits de anos anteriores. Cauteloso, Mathias lembra que os resultados atuais ainda são uma prévia.
“Para os participantes é uma boa notícia. Se conseguirmos manter este tipo de trajetória ao longo do tempo, é intenção da direção reduzir as contribuições extraordinárias. Depende das circunstâncias e dos resultados, mas estamos trabalhando para acontecer de fato”, afirmou.
Por volta de abril, havia um consenso no mercado de que o Produto Interno Bruto (PIB) poderia cair de 8% a 12% em 2020, mas a visão da Petros era de que o recuo seria menor, de 4% a 5%. Diante dessa expectativa e com a bolsa por volta de 78 mil pontos, a fundação aumentou em 10% a exposição em renda variável e em NTN-Bs de longo prazo.
“O sucesso do ano passado e deste ano é decorrente de gestão ativa. Não conseguimos entrar e sair do mercado sem criar uma estratégia para comprar e vender ao longo do tempo”, afirmou o diretor. O tamanho da fundação coloca um desafio para os seus gestores — um movimento muito pequeno pode não ter impacto no resultado consolidado, já uma operação expressiva tem capacidade para afetar o mercado todo.
Assim, os fundos geridos internamente pela Petros possibilitam mais agilidade na gestão das carteiras. O objetivo de Mathias é ter a maior parte do portfólio gerido interinamente e um pedaço menor com gestores externos.
Das ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) realizadas em 2020, a Petros participou de uma apenas — o diretor não divulgou o nome nem o aporte realizado. “Nosso foco esteve muito voltado para a construção da nossa capacidade de ser um gestor ativo de maneira mais intensa. À medida que nossa capacidade amadureça, muito possivelmente no ano que vem estaremos mais presentes e os IPO trazem oportunidades.”
A fundação já tem dois fundos de ações e um multimercado geridos internamente, que devem ganhar volume ao longo do tempo. E outros virão. O próximo deve ser um fundo de small caps, que seria adequado para ações de novas empresas listadas em bolsa. Segundo Mathias, esse fundo poderia ter até R$ 1,5 bilhão e o objetivo é lançá-lo no primeiro trimestre de 2021.
Ao mesmo tempo, a Petros não tem pressa de se desfazer de suas participações relevantes, caso de BRF e Vale. “Enxergamos os nossos ativos com grande potencial de retorno”, disse o diretor.
A política de investimentos para 2021 no momento está sendo analisada pelo conselho deliberativo. Mas, segundo o diretor de investimentos, não deve trazer mudanças relevantes ao modelo atual, que é baseado em um portfólio de referência, otimizado para minimizar as diferenças entre ativos e passivos.
“Essa foi a orientação da última política de investimentos e em termos de arquitetura a experiência foi bem-sucedida”, afirmou o diretor. Em 2020, o resultado vai “chegar bem perto da meta”, mas os objetivos estão muito altos, de cerca de 9%. Para o próximo ano, o modelo de gestão será aperfeiçoado, com foco na meta atuarial.
Ao mesmo tempo, a Petros está terminando os processos de diligências junto a gestores externos para fazer alocações no exterior. Já novos investimentos em Fundos de Investimentos em Participação (FIPs) não devem acontecer no curto prazo, mas a Lei da Liberdade Econômica traz segurança jurídica para as fundações. A Petros aguarda a regulamentação do assunto, que depende, por exemplo, da CVM.
“Faremos pesquisas da melhores práticas no Brasil e no mundo, para que possamos nos sentir seguros”, afirmou. Um eventual novo investimento será discutido com a Previc, regulador dos fundos de pensão, e o Tribunal de Contas da União (TCU), acrescentou.
Você precisa fazer login para comentar.