A força-tarefa da Operação Greenfield pediu à Justiça Federal que obrigue a J&F a apresentar contratos, petições e outros documentos que comprovem a prestação de serviços do advogado Frederick Wassef à JBS e a outras empresas do grupo. No requerimento, os procuradores lembram de cláusulas do acordo de leniência firmado pela companhia que a impedem de continuar cometendo atos ilícitos. O pedido foi feito após resistência da JBS em mostrar os documentos aos investigadores.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!“A indevida ausência de resposta apenas alimenta as graves suspeitas veiculadas pela imprensa envolvendo a JBS. É necessário que a empresa aja de fato para afastar efetivamente todo o contexto de mora no cumprimento do acordo apresentado nestes autos, em vez de continuar protelando e agindo com o intuito de cumprir apenas aquilo que lhe convenha, no momento que bem entender”, afirmam os integrantes da força-tarefa.
Os pagamentos de 9,8 milhões de reais ao advogado de confiança de Jair Bolsonaro foram revelados por Crusoé. A reportagem também mostrou que, com ajuda do presidente e do procurador-geral, Wassef foi recebido na PGR para tentar salvar os acordos de delação premiada dos irmãos Batista. Como não tinha sequer procuração da JBS, Wassef foi dispensado pelo subprocurador-geral José Adonis Callou de Araújo Sá, então chefe do grupo de trabalho da Lava Jato na PGR.
Diante da notícia, a força-tarefa, responsável pelo acordo de leniência da J&F, pediu que a holding esclarecesse os pagamentos em até cinco dias. Em resposta, a empresa disse nunca ter firmado contratos com Wassef, e deixou os esclarecimentos a cargo da JBS. Em ofício à Greenfield, os advogados da JBS se recusaram a fornecer os documentos sob alegação de que as informações estão protegidas pelo sigilo profissional de advogado e cliente e ainda criticaram os procuradores.
“Tal ‘exigência’ se traduz em verdadeira imputação (totalmente descabida!) do envolvimento da JBS com atividades, em tese, ilícitas, podendo, inclusive caracterizar odioso constrangimento ilegal trajado de responsabilização penal objetiva”, disseram os advogados da JBS.
A empresa ainda diz que “grande parte dos contratos de prestação de serviços advocatícios celebrados e os respectivos pagamentos relacionados à atuação profissional do Sr. Frederick Wassef foram realizados durante o mandato do então presidente da República Michel Temer e da então procuradora-geral da República Raquel Dodge”.
À Justiça, no entanto, a força-tarefa diz que não pediu documentos referentes à comunicação, relacionamento ou estratégia de Wassef na defesa da JBS, mas sim papéis que comprovem que ele efetivamente prestou serviços para a empresa.
Greenfield pede à Justiça que obrigue JBS a explicar pagamentos a Wassef – Crusoé
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