Novo diretor de participações diz que ‘pluralidade de visões melhora qualidade de decisões’

A tendência da Previ de sair de posições de controle em empresas para uma carteira mais diversificada implica também em um número menor de conselheiros que representam o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Na recém-encerrada temporada de assembleias, o fundo de pensão elegeu 72 representantes entre conselheiros de administração ou fiscal — ou três a menos do que em 2019.
De qualquer forma, isso não reduz o papel do fundo de pensão em ter uma postura mais engajada quando julgar necessário. “É fundamental reforçar a base de governança e sermos vocais nos pontos que consideramos importantes, como a pauta dos investimentos ESG [sigla em inglês para ambiental, social e de governança]”, disse ao Valor o novo diretor de participações da entidade, Denísio Liberato.
Em 2018, por exemplo, a Previ e a Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras) se articularam para trocar o conselho de administração da BRF, em que possuem participação relevante. Entre 2015 e 2020, o número de representantes eleitos pela Previ nos conselhos variou entre 101 e 51 assentos.
As empresas acompanhadas pela diretoria de participações da Previ somam R$ 82 bilhões. E as participações majoritárias concentram-se no Plano 1, de benefício definido, e incluem uma importante fatia na Vale. “É fundamental pensarmos 20 ou 30 anos à frente”, afirmou. E pela proporção das participações, o movimento de venda da Previ tem que ser paulatino. “Estamos sempre atentos a preço e condições de mercado. Não temos pressão de curto prazo para fazer movimentos bruscos e vamos seguir esse padrão”, afirmou o diretor, sem detalhar ou dar exemplos.
Liberato defende a diversidade nos conselhos. “A pluralidade de visões e posições melhora a qualidade das decisões. Quanto mais diversidade nos conselhos e nas instâncias superiores, melhor a qualidade do debate”, afirmou. Em 2015, 10% das indicações da Previ eram mulheres, após o processo de seleção de conselheiros. Esse número subiu para 25% na temporada de 2020. A Previ não tem uma meta específica, mas a tendência é que essa participação cresça ao longo do tempo. “A Previ estimula que mais mulheres e outros perfis de diversidade participem do processo de seleção de conselheiros”, disse Liberato.
A Previ é signatária da iniciativa internacional Princípios para o Investimento Responsável (PRI), que estimula a inserção dos critérios ambientais, sociais e de governança corporativa e integridade (ESG) nos processos de investimento. “Ao participar dos comitês e conselhos podemos dar nossa visão, participar do debate e fazer com que a companhia tenha direcionamento correto em termos de práticas ESG, e é o que temos feito na Vale, por exemplo.”
A fundação desenvolveu ratings internos para avaliar o comportamento das empresas e os utiliza como pano de fundo para induzir a adoção de boas práticas. “A Previ tem impacto no longo prazo e tem que estar muito atenta a essas questões. É melhor continuarmos dentro da companhia e sermos vocais dentro dessas práticas do que simplesmente vendermos o papel”, afirmou o diretor.
O executivo lembrou que ainda não há um consenso do mercado no estabelecimento dessa metodologia, o que leva a uma mesma empresa a ter ratings de ESG ainda muito díspares entre si, conforme a classificadora. “A métrica ainda não está bem fundamentada. Temos as nossas, mas é um processo de evolução. Precisamos acompanhar, há várias empresas fazendo isso.”
Avaliada em cerca de R$ 11 bilhões, a carteira imobiliária da Previ tem apresentado “resiliência” durante a crise causada pelo coronavírus, de acordo com Liberato. Desse total, cerca de R$ 5 bilhões são lajes corporativas que têm apresentado uma vacância estável, com possibilidade de redução. Segundo o diretor, o fundo de pensão está na iminência de fechar novos contratos de locação com empresas que fazem um movimento de reduzir o espaço de escritórios, mas mudando para prédios de maior qualidade e mais bem localizados.
A participação da Previ em shopping centers chega a outros R$ 5 bilhões. O setor de shoppings como um todo definiu que o melhor desenho seria preservar o pagamento dos condomínios e isentar os aluguéis. Com a retomada das atividades, esses pagamentos serão retomados gradualmente.
“Ficaremos bem atentos a essa retomada da atividade ou da flexibilização das medidas de isolamento, que vão permitir a retomada gradativa do pagamento de aluguéis. A suspensão do pagamento ocorreu de acordo com o setor de cada loja”, afirmou. A Previ também tem R$ 1 bilhão em galpões logísticos localizados principalmente na região da Grande São Paulo, que se beneficiam da maior demanda pelo aumento das vendas pela internet.
A Previ já divulgou os resultados do primeiro semestre. No ano até junho, o Plano 1, que é o maior, teve queda de 4,76%, com um déficit anual de R$ 10,6 bilhões. As perdas chegaram a quase R$ 25 bilhões em março, no auge da crise provocada pelo coronavírus. No segundo trimestre, a recuperação do Plano 1 foi de R$ 12,93 bilhões.
Previ diminui sua presença em conselho de empresa | Finanças | Valor Econômico
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