Petrobras faz nova reestruturação

Companhia cria gerência de descomissionamento, corta centenas de cargos gerenciais e contrata executivo do mercado para comandar área de compras

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Por Claudia Siqueira Em 4/06/2020

A Petrobras fechará o ano de 2020 repaginada e mais enxuta. Em meio à crise, a petroleira começou a implantar um extenso processo de reestruturação que prevê, entre outras mudanças, a contratação de um executivo do mercado para comandar a Gerência Executiva de Suprimentos de Bens e Serviços.

Antes comandada por Cláudio de Araújo, a área passou, a partir de maio, a ficar subordinada à Diretoria Financeira e de Relacionamento com Investidores, sob a tutela de Andrea Marques de Almeida. Rodrigo Ugarte Ferreira, atual diretor de Procurement da Siemens Gamesa, deve ser o escolhido para substituir Araújo.

A nova reestruturação visa enxugar custos e adequar o organograma da companhia às medidas de resiliência adotadas em março por conta do novo coronavírus e da crise do preço do barril, além de reduzir as redundâncias da estrutura remanescentes ainda do período pós-Lava Jato.

Na alta cúpula da Petrobras, as mudanças são tratadas como uma otimização organizacional. A maior parte das funções extintas está relacionada a cargos de gerência geral e gerência. Somente na área de E&P serão extintas 351 funções gerenciais.

A nova estrutura da Petrobras já conta com a recém-criada Diretoria de Logística, comandada por André Chiarini, o que resultou no deslocamento da Gerência Executiva de Logística de E&P para a pasta, assim como a criação da Gerência Executiva de Logística, que atenderá às demais áreas operacionais e não-operacionais da companhia. Na prática, o modelo adotado separa, pela primeira vez, o segmento de Logística das áreas operacionais, estratégia que será testada nos próximos meses.

Raio X do E&P
No segmento de exploração e produção, onde as medidas de resiliência imporão um corte nos investimentos de US$ 8,4 bilhões para US$ 7,1 bilhões, o foco estratégico se volta às gerências executivas de Águas Profundas, Águas Ultraprofundas, Libra e Búzios. Entre as novidades, está a criação da Gerência Executiva de Eficiência, Confiabilidade e Descomissionamento de E&P,tendo em vista o crescimento da atividade nos próximos anos e o fortalecimento da área na estrutura organizacional de E&P.

A área seguirá mantendo o maior número de gerências na linha de frente, com oito gerências executivas (Exploração; Reservatórios; Terra e Águas Rasas; Águas Profundas; Águas Ultraprofundas; Eficiência, Confiabilidade e Descomissionamento de E&P; Libra; e Búzios), além de uma gerência geral (Gestão Integrada de Ativos de Exploração e Produção).

Já a Diretoria de Desenvolvimento da Produção contará com cinco gerências, sendo quatro executivas – Projetos de DP, Poços Marítimos; Sistemas Submarinos e Sistemas de Superfície, Refino, Gás e Energia – e uma geral (Gestão Integrada de Recursos e Projetos).

Outra mudança diz respeito à realocação das unidades de negócio (UNs) de E&P, que passam a ficar vinculadas a três gerências executivas distintas da linha de frente da área de E&P. A UN Bacia de Santos, por exemplo, está, agora, subordinada à GE de Águas Ultraprofundas, enquanto as unidades da Bacia de Campos e do Espírito Santo respondem à GE de Águas Profundas . Já as UNs da Bahia, Amazonas, Ceará-Rio Grande do Norte e Sergipe-Alagoas passam a operar atreladas à GE de Terra e Águas Rasas.

Isso fará com que os funcionários das plataformas localizadas nessas unidades passem a ficar vinculados à sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, o que elimina gastos de transportes até o aeroporto.

Destaque para Búzios
A relevância de Búzios dentro da Petrobras se reflete na nova estrutura. Além da gerência executiva do projeto, apoiada por quatro gerências gerais dedicadas – Concepção de Projetos; Reservatórios, Elevação e Escoamento; Planejamento e Parceria; e Produção –, o empreendimento contará com outras duas gerências gerais vinculadas à Diretoria de Desenvolvimento da Produção.

Búzios terá uma gerência geral exclusiva para projetos submarinos ligada à gerência executiva de Sistemas Submarinos e Projetos e mais uma pasta dedicada a poços, vinculada à GE de mesmo nome. O projeto terá também o suporte da Gerência de Serviços de Implantação II – pasta ligada à GE de Sistemas de Superfície, Refino, Gás e Energia – e da Gerência de Implantação de Projetos II, área subordinada à GE de Projetos de Desenvolvimento da Produção.

Financeiro em alta
Outra área que ganha mais peso dentro da estrutura organizacional da petroleira é a Diretoria Financeira e de Relacionamento com Investidores. Além de controlar todas as compras da companhia – modelo incomum na organização de grandes petroleiras –, a pasta passa a ser a segunda diretoria com maior número de gerências na primeira linha, com sete pastas, superando até mesmo as áreas operacionais de Desenvolvimento da Produção e de Refino e Gás Natural.

Sob a nova estrutura, a diretora Andrea de Almeida, ex-executiva da Vale, passará a comandar as GEs de Finanças, Contabilidade e Tributário, Desempenho Empresarial, Relacionamento com Investidores, Risco Empresarial e Suprimento de Bens e Serviço, além da gerência geral de Supervisão Integrada de Planos de Previdência.

Um dos focos de atenção do mercado promete se voltar à aplicabilidade do remanejamento da GE de Suprimentos de Bens e Serviços à Diretoria Financeira. A indústria demonstra preocupação com a possibilidade de a medida comprometer o ritmo das contratações, já considerado lento, além de temer uma postura de enfoque pontuada pelo menor custo.

O novo gerente executivo da área deve assumir a posição a partir da segunda quinzena de junho. No momento, a GE de Suprimentos de Bens e Serviços é comandada interinamente por César Cunha. Já Cláudio de Araújo responde por uma gerência geral da Diretoria de Desenvolvimento da Produção, ligada à GE de Sistemas de Superfície, Refino, Gás e Energia.

A Petrobras mantém a estrutura de oito diretorias, sendo três operacionais – E&P (Carlos Alberto Oliveira), Desenvolvimento da Produção (Rudimar Lorenzatto), Refino & Gás Natural (Anelise Lara) – e cinco de apoio – Financeiro e de Relacionamento com Investidores (Andrea de Almeida), Governança & Conformidade (Marcelo Zenkner), Relacionamento Institucional (Roberto Ardenghy), Transformação Digital & Inovação (Nicolás Simone) e a recém-aprovada Logística (André Chiarini).

A nova reestruturação da gestão de Castello Branco contemplará ainda a redefinição das remunerações das novas gerências. Também são realizadas novas nomeações de gerentes e remanejamento de pessoal.

Em paralelo, o Conselho de Administração aprovou, em sua última reunião, a ampliação de 30% para 40% do limite de contratação de executivos oriundos do mercado para os cargos de alto escalão, o que envolve as posições de diretor e gerente executivo.

Cronograma
A implantação do novo modelo organizacional da Petrobras será feita em fases, seguindo um ciclo de cinco ondas. Embora o plano seja concluir o processo no final de setembro, fontes consultadas pelo PetróleoHoje enxergam o risco de o cronograma avançar para 2021.

Até o momento, apenas uma fase piloto foi implantada, envolvendo as áreas de Recursos Humanos, ligada à Presidência, e de Robotização e Digitalização de Processos, vinculada à Diretoria de Transformação Digital e Inovação. Ao longo de junho, a Petrobras trabalhará na onda 1, direcionada prioritariamente aos segmentos de E&P e de Desenvolvimento da Produção, além de incluir algumas gerências das diretorias de Transformação Digital e Inovação e de Logística.

O cronograma formatado para os segmentos de E&P e Desenvolvimento da Produção envolverá, neste mês, a otimização das GEs de Águas Profundas, Libra, Búzios, Exploração, Decomissionamento, Poços Marítimos e Sistemas de Superfície, Refino, Gás e Energia, além das GGs de Gestão Integrada de Recursos e Projetos e de Gestão Integrada de Ativos de Exploração e Produção.

Em julho, a onda 2 incluirá as últimas áreas de E&P e de Desenvolvimento da Produção, além do Jurídico e a área de Inteligência e Segurança Corporativa da companhia e gerências das Diretoria Financeira, Logística , Refino & Gás Natural e Transformação Digital & Inovação.

A implantação das fases 3 e 4 ocorrerá entre agosto e setembro.

Desde que assumiu o comando da Petrobras, em janeiro de 2019, Castello Branco vem implantando uma série de mudanças na estrutura organizacional da companhia. Ainda no primeiro mês de sua gestão, trouxe a Gerência Executiva de Aquisições & Desinvestimento à sua tutela, nomeando nova gerente para a área.

Em abril de 2019, o executivo criou a Diretoria de Relacionamento Institucional, extinguindo a Diretoria de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão. Mais recentemente, remanejou a GE de Recursos Humanos para seu comando e criou a Diretoria de Logística, acabando com a Diretoria Corporativa.

Fonte: Brasil & Energia

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