Previ tem déficit de R$ 24 bi no 1º trimestre

Resultado, que já teve melhora em abril, se deve à desvalorização de 26% da renda variável

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

A crise nos mercados causada pelo avanço do coronavírus levou a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, a um déficit de R$ 24 bilhões no primeiro trimestre do ano. O resultado refere-se ao Plano 1, de benefício definido (BD), que concentra a maior parte dos investimentos em bolsa. Com o resultado positivo da bolsa em abril, houve recuperação de R$ 2 bilhões, segundo dado prévio.

No primeiro trimestre, o segmento de renda variável teve desvalorização de 26%. O recuo foi menor do que o resultado negativo de 37% do Ibovespa e dos fundos de ações, que tiveram perdas médias de 33,41%, segundo a Associação das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), diz o presidente do fundo de pensão, José Maurício Coelho, em entrevista ao Valor.

“Foi uma intensidade [de quedas do mercado] que não tínhamos experimentado em tão pouco tempo. No resultado consolidado, o resultado negativo foi de 12,39%”, disse Coelho, referindo-se ao Plano 1. As perdas do Previ Futuro, plano de contribuição variável, foram de 12,14%, entre janeiro e março.

O fundo de pensão havia encerrado 2019 com superávit de R$ 2,19 bilhões, mesmo após o após o impacto de R$ 5,11 bilhões da revisão das premissas atuariais. Com parcela expressiva em renda variável, o plano vem trabalhando para reduzir a concentração em bolsa para fatia mais diversificada. Os 12 maiores ativos do Plano 1 representam a maior parte da carteira de ações.

A Previ optou fazer uma revisão extraordinária de sua política de investimentos, em um acompanhamento mensal. Em geral, essa revisão era anual. O que deve ser feito são ajustes na “ponta tática”, disse Coelho. Para 2020, o projeto inicial era fazer investimentos da ordem de R$ 4,8 bilhões em fundos multimercado, imobiliários e também no exterior. “Suspendemos essa alocação temporariamente até que entendamos melhor os efeitos da intensidade [da crise] e demos preferência para as NTN-Bs”, afirmou. A fundação não mudou sua ideia de buscar a diversificação, completou.

A Previ viu oportunidades nos títulos do Tesouro NTN-B, a maioria com vencimento em 2055, que ficaram mais atrativos e em linha com a meta atuarial da entidade. Assim, comprou R$ 2,5 bilhões no mercado secundário, e a maior parte foi destinada à carteira do Plano 1. Já na renda variável, não houve movimentos no plano BD, enquanto no Previ Futuro houve oportunidades de compra, segundo Coelho.

O presidente da Previ reforça a qualidade da carteira de ações. Entre os maiores ativos estão Vale, Neoenergia, Banco do Brasil e Petrobras. “Nossas dez maiores empresas do Plano 1 são empresas em que não se discute a qualidade”, disse. Ele lembra que as ações da Vale chegaram ao patamar de R$ 9 em janeiro de 2016 e quatro anos depois, perto de R$ 60 – recuperando-se, inclusive, do impacto com o rompimento da barragem em Brumadinho (MG).

“É fundamental termos uma gestão de liquidez e regras muito fortes. A Previ paga R$ 13 bilhões ao ano de benefícios. Se vendermos qualquer uma dessas ações para pagarmos benefícios, tiramos a chance de recuperação”, disse. Quando a Previ teve o déficit em 2015 por causa da recessão, as empresas estavam com preços muito depreciados, mas naquela ocasião também não vendeu os papéis, lembra o executivo, que na época não estava à frente da fundação. “Em 2016, 2017 e 2018, os preços foram se recuperando e o superávit voltou. Temos convicção em nossa estratégia. O que esperamos agora é uma recuperação parecida.”

A Previ realizou testes de “estresse” e, considerando um cenário extremo sem receber dividendos ou aluguéis em 2020 e 2021, ainda teria liquidez por 20 meses para pagar benefícios. “Não é o que estamos vendo na prática, temos uma expectativa menor de receber dividendos, mas não de zerá-los. Quanto aos aluguéis, até agora temos casos pontuais de atraso ou uma ou outra renegociação”, diz.

O mês de abril apontou alguma melhora e o Plano 1 reverteu perdas de R$ 2 bilhões. Mas ainda assim, o período foi marcado por muita volatilidade, lembrou. “Esperamos que a recuperação aconteça, mas a velocidade dela ainda é uma grande incógnita. Precisamos de um pouco mais de tempo para entender”, afirmou Coelho. O desenvolvimento de uma vacina ou medicação para combater a covid-19 pode mudar a velocidade recuperação. “Nossa função é estarmos preparados para o cenário mais difícil. Se for melhor, aproveitamos as oportunidades”.

Previ tem déficit de R$ 24 bi no 1º trimestre | Finanças | Valor Econômico

https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/05/15/previ-tem-deficit-de-r-24-bi-no-1o-trimestre.ghtml

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading