Invepar estuda prorrogação de Guarulhos

A companhia planeja oferecer investimentos adicionais em troca da extensão do contrato que termina em 2032

Em uma tentativa de atrair novos parceiros e voltar a expandir seus negócios, a Invepar tem sondado o governo com uma proposta de prorrogação da concessão do aeroporto de Guarulhos por mais cinco anos. A companhia pretende oferecer investimentos adicionais, em troca da extensão do contrato, cujo prazo inicial é de 20 anos, contados a partir de 2012.

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O aeroporto terminou 2019 com uma movimentação de 43 milhões de passageiros. A avaliação é que a estrutura atual já está próxima de um limite e que, com ampliações, seria possível chegar a 70 milhões de pessoas, segundo uma fonte próxima ao grupo.

A empresa já levou a ideia ao governo em conversas informais. Fontes do poder público, porém, indicam resistência ao plano, que dependerá do aval da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pode criar um precedente perigoso.

A proposta é uma das alternativas em estudo pela holding de infraestrutura, que nos últimos anos passou por uma forte reestruturação, com a saída da OAS do negócio e a renegociação de sua dívida bilionária. O grupo é controlada pelos fundos de pensão Funcef, Previ e Petros, além do fundo Yosemite (que reuniu os credores da ex-acionista OAS). Cada um deles detém uma fatia de cerca de 25%.

O Valor apurou que a companhia contratou a assessoria financeira do Goldman Sachs sem um mandato específico, para estudar diversas possíveis estratégias para o futuro da holding.

Uma opção é a abertura de capital – alternativa que, desde o ano passado, tem sido defendida pelos acionistas a interlocutores.

Outro caminho analisado seria a própria venda do aeroporto de Guarulhos. Porém, essa proposta enfrenta forte resistência dos fundos de pensão acionistas, segundo pessoas que acompanham o tema.

A avaliação das fundações é que, com a venda o aeroporto, a Invepar perderia sua principal concessão e dificilmente voltaria a crescer. Além disso, conforme duas fontes, há uma questão fiscal que tem forte impacto sobre o retorno que podem ter com cada operação. “Em um IPO, o lucro que as fundações podem ter é bem maior do que uma venda direta, por uma questão tributária”, diz um executivo.

O Goldman Sachs e outros bancos consultados anteriormente pela companhia entendem que a Invepar não está pronta para ir à bolsa. Seria necessário um maior equilíbrio financeiro para atrair investidores, conforme teria ponderado o BTG Pactual, diz uma fonte.

A prorrogação da concessão do aeroporto com um novo sócio pode ser um caminho para tornar o grupo mais atrativo.

A ideia da Invepar seria aproveitar o processo de venda da participação minoritária da Infraero no aeroporto para combinar as operações: o novo parceiro faria a aquisição da fatia e ficaria responsável pelos novos investimentos, em troca da prorrogação.

A Aeroporto de Guarulhos Participações, que controla a concessão, tem 51% e é dividida entre Invepar (com 80%) e a South Africa Airports Company (20%). O restante (49%) está com a estatal.

O processo, porém, dependeria de como seria a venda da fatia. A Infraero já contratou uma consultoria para estudar a modelagem de venda. Os resultados devem ser divulgados em meados do segundo semestre, segundo o Ministério de Infraestrutura.

Procurada, a pasta diz que a informação sobre a intenção da concessionária de ampliar o contrato “chegou ao ministério, mas não há nada oficial”.

A Invepar também precisa decidir, até o dia 14, se vai vender suas participações nas rodovias do Nordeste – a Concessionária Bahia Norte e a Concessionária Rota do Atlântico. Em ambas, era sócia da OTP, controlada pela Odebrecht, que vendeu seus 50% de participação em cada concessionária para um fundo da gestora Monte Equity. A Invepar tem direito à preferência de compra da sócia, opção que já descartou, ou pode ainda aderir à venda no mesmo preço.

Invepar estuda prorrogação de Guarulhos | Empresas | Valor Econômico

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/03/06/invepar-estuda-prorrogacao-de-guarulhos.ghtml

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