DA INSEGURANÇA À SEGURANÇA ZERO – risco de desabastecimento

FERNANDO SÁ

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O Brasil é o 15º país em reservas de petróleo, sendo o décimo produtor mundial de tal commodity. 29% da sua produção é exportada. Todavia, o Brasil ainda importa 16% de petróleo como 7º consumidor mundial da commodity.

O grave aqui é que o Brasil apesar do crescimento de produção e exportação é um importador não só de petróleo. O Brasil importa derivados, que caracterizam a maior despesa de sua balança comercial. Avalia-se que o “trading” internacional de petróleo é somente da ordem de 45% do petróleo produzido mundialmente.

A contrário senso dos maiores produtores e exportadores de Petróleo, o Brasil é importador de derivados. Ou seja, vendemos commodity e importamos produtos de valor agregado, ou seja, vendemos um produto mais barato do que o produto final que compramos.

Estamos na contramão, pois ganhamos menos exportando e pagamos mais importando. Os demais países produtores buscam exportar excedente após produção de derivados seja para pleno abastecimento seja para tranding, além da manutenção de reservas de segurança. Essa opção brasileira afeta diretamente a balança comercial do país, principalmente pela despesa com derivados. Ademais, a situação de importadores exige que façamos nosso preço no “import parit”, ou seja, o preço de nossos derivados envolvem o custo do produto importado, tributação e frete, além da diluição do frete de exportação e da margem de diferença entre importação e exportação da commodity. E atente-se que esse preço será influenciado pela escala de produção e importação.

Quando se desfaz o sistema de refino da Petrobras, com venda separada de unidade de refino, para empresas fora do segmento de “upstream”, a perda de escala tende a gerar um aumento do “import parit”, o que põe em dúvida o conceito de que competição trará queda de preços aos derivados no Brasil.

E aqui começamos a ouvir que o governo pretende reativar a antiga “conta petróleo” para garantia de entrantes (compradores) na atividade de refino, ou seja, subsidiar quem comprar os ativos da Petrobras. Qual o custo envolvido nisso? Como isso impacta na real existência de um mercado aberto e competitivo? Há muitas perguntas sem resposta pelo Estado brasileiro que como acionista estaria querendo vender sua participação na atividade de refino.

Mas há um problema mais grave, que envolve a falta de estoques de segurança, que são uma prática em países de alto consumo de petróleo e derivados, como EUA e Japão, e de grandes produtores. No Brasil, como já dito em artigo anterior, o abastecimento nacional é dever legal da ANP, tendo sido exercido tal papel pela Petrobras. A ANP nunca regulou estoques estratégicos ou estoques de segurança, salvo para Biodiesel (mais para garantir produtores que consumidores).

A Petrobras sempre manteve, com sua logística, estoques de segurança no país. Por razões de caixa, com o tempo, a Petrobras foi reduzindo tais estoques, o que significa que hoje temos estoques de derivados na faixa medida de 7 a 10 dias para a necessidade de consumo brasileira.

A redução inicial e posterior saída da atividade de refino pela Petrobras importa também à redução de ativos de logística, portanto os estoques serão menores, e, em eventual situação de desabastecimento, o país estará em maus lençóis. Primeiro menos estoques e depois falta de logística para alcançar todo o território nacional.

Apesar de sua sensível dependência de petróleo e derivados, o Brasil opta por deixar seu país sem estoques de segurança, trazer risco de aumento nas despesas de sua balança comercial e redução de patrimônio pelah venda do refino. Se tivermos problemas, de quem a sociedade deverá cobrar a conta?

Candidato ao CA da Petrobras – Fernando Sá 1912

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