Investimento Petros – O triste fim do Panamby, um precursor dos FIIs no Brasil

Num momento em que os fundos imobiliários se tornam conversa de bar entre os investidores de varejo, um evento (incomum) envolvendo um dos primeiros FIIs do Brasil chama a atenção para os riscos dessa classe de ativos.

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A BRKB, uma subsidiária da Brookfield — uma das maiores gestoras imobiliárias do País — informou semana passada que estava provisionado R$ 195 milhões e reduzindo o valor patrimonial do fundo imobiliário Panamby (PABY11) de R$ 250 por cota para uma cota negativa de R$ 7,35.

A empresa disse que a reavaliação se deu pela “deterioração das perspectivas de realização dos (…) terrenos e recebíveis, diretamente associadas às sucessivas tentativas para aprovação de diferentes projetos imobiliários junto aos órgãos municipais.”

Criado em 1995, o PABY11 é um fundo de desenvolvimento, não faz parte do iFix (o índice e benchmark dos FIIs) e tem menos de 300 cotistas em sua base — um número ínfimo para os padrões atuais do mercado.

Cerca de 90% das cotas estão nas mãos dos fundos de pensão Previ, Petros e Valia, e o restante dividido entre investidores de varejo.

O fundo foi o segundo FII relevante criado no Brasil e surgiu para desenvolver projetos residenciais na região do Panamby, vendendo alguns terrenos para construtoras como Camargo Corrêa e Cyrela. Nos primeiros anos, parte dos terrenos foram usados, com a construção de prédios como o monumental Villaggio Panamby.

O problema: a famigerada insegurança jurídica.

No começo dos anos 2000, a prefeitura determinou que as áreas restantes eram de preservação ambiental, proibindo qualquer novo projeto imobiliário.

Desde então, a BRKB e as construtoras travaram inúmeras disputas com diferentes gestões municipais — do PT ao PSDB.

“Essa novela já se desenrola há quase 20 anos e houve várias mudanças na orientação do poder público. Na gestão Marta [Suplicy], por exemplo, a prefeitura tinha aprovado os projetos, mas a gestão seguinte reviu a decisão,” diz uma fonte próxima à BRKB.

Recentemente, o Ministério Público também entrou em campo, judicializando as discussões e complicando ainda mais o desfecho da história.

O resultado (mais uma prova da burocracia, anacronismo e desperdício brasileiros) é que as autorizações nunca foram emitidas. Agora os gestores do fundo — cansados de esperar — decidiram lançar as perdas no balanço, provisionando o valor integral de todos os terrenos até que a questão seja resolvida.

Uma das alternativas em discussão é o Poder Público indenizar o fundo com o mesmo potencial construtivo em outra região de São Paulo, mas não há acordo neste sentido, segundo fontes ouvidas pelo Brazil Journal.Se eventualmente houver acordo, a provisão poderia ser revertida.

A cota do PABY11, que em 2007 chegou a bater R$ 295, hoje negocia próxima de R$ 24 na Bolsa.

O triste fim do Panamby, um precursor dos FIIs no Brasil | Brazil Journal

https://braziljournal.com/o-triste-fim-do-panamby-um-precursor-dos-fiis-no-brasil

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