Indústria de fundos deve aumentar participação da renda variável para tentar mitigar perdas com queda de juros
A fatia dedicada a ações nos fundos brasileiros, inclusive os de pensão, ainda está abaixo da média histórica, o que continua amparando a ideia de que haverá mais migração para a renda variável, com o juro baixo. Assumindo que as ações passarão a ter uma participação dentro da média histórica na carteira dos fundos, deve migrar adicionalmente para a renda variável um total de R$ 110 bilhões, afirma o Bradesco BBI, em relatório.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Segundo o documento, assinado pelo analista Andre Carvalho, as ações mais líquidas e com relevante participação nos índices locais devem se beneficiar mais do fluxo para ações, o que inclui os setores financeiro, de energia, materiais e consumo. No Bradesco BBI, as recomendações acima do neutro (equivalente à compra) estão em Petrobras e B3.
De acordo como relatório do BBI, a indústria de fundos têm aproximadamente R$ 4,6 trilhões sob gestão atualmente, dos quais 12% estão em ações. Já os fundos de pensão têm R$ 903 bilhões em ativos sob gestão, sendo 18% em papéis na bolsa.
“A poupança doméstica pode migrar de fundos de menor risco, como fundos de renda fixa, onde encontramos pelo menos R$ 1,2 trilhão, para ações”, diz o banco. “Se extrapolarmos o potencial e assumirmos que a alocação em ações volte para o ponto mais alto da média histórica, o fluxo poderá atingir os R$ 650 bilhões.”
Desde 2002, diz o relatório, os ativos sob gestão da indústria de fundos como um todo cresceram a um ritmo médio anual de 16%, enquanto os ativos administrados pelos fundos de pensão avançaram em média 10% ao ano, em termos nominais.
Segundo o Bradesco BBI, a taxa de juros brasileira nas mínimas históricas e a perspectiva de que isso perdure pelos próximos anos continuam amparando a tomada de risco pelos investidores. Isso porque, após o pagamento de taxas e imposto, os investidores provavelmente vão registrar praticamente nenhum ganho real a partir dos instrumentos de renda fixa tradicionais.
“Isso já é uma realidade globalmente, mas é definitivamente uma realidade nova para o brasileiro que não está devidamente alocado”, afirma o relatório. “Como resultado, a poupança doméstica está agora aceitando migrar para ativos mais arriscados e essa rotação deve ganhar força nos próximos trimestres.”
Nos cálculos do BBI, a curva de juros atual precifica uma taxa Selic abaixo de 6% até meados de 2021.
(Este conteúdo é cortesia do Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor)
Migração da renda fixa pode levar mais R$ 110 bilhões para ações, diz Bradesco BBI | De Olho no Mercado | Valor Investe
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