Não é conjuntural estarem presos 2 ex-presidentes e ex-diretor da PETROS. É rombo!!!

CURITIBA E SÃO PAULO – (Atualizada em 23/11/2018 às 13h34) A Lava-Jato, que teve sua 56ª fase deflagrada nesta sexta-feira, apurou que os três dirigentes da Petros, o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, presos hoje preventivamente participaram de acertos para que as empreiteiras OAS e Odebrecht vencessem a concorrência para a construção do edifício-sede da Petrobras em Salvador, conhecido como Torre Pituba. O prédio pertence à Petros e é alugado à estatal.

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Foram presos preventivamente Luis Carlos Fernandes Afonso e Carlos Fernando Costa, ambos ex-presidentes e ex-diretores de investimentos da Petros, e Newton Carneiro da Cunha, que foi diretor administrativo e de investimentos do fundo.

Wagner Pinheiro de Oliveira, que presidiu a Petros durante os dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF), mas não teve a prisão decretada.

Em troca dos acertos para favorecer OAS e Odebrecht, houve pagamentos de propinas entre 2011 e 2016 – o Ministério Público Federal (MPF) diz já ter rastreado R$ 68 milhões em pagamentos ilícitos a dirigentes da Petros, da Petrobras e ao PT. "A propina até agora rastreada representa quase 10% do valor da construção do prédio", disse a procuradora Isabel Cristina Groba Vieira, da força-tarefa da Lava-Jato.

O prédio, com 22 andares, 22 elevadores e 2,6 mil vagas de garagem, descrito como "de grande luxo" pela procuradora, foi orçado inicialmente em R$ 320 milhões, mas acabou custando R$ 747 milhões, em valores de 2010. Esse custo se refere apenas à execução da obra.

"Em valores de hoje, o empreendimento completo, incluídos o contrato de gerenciamento, projetos executivo e arquitetura, soma R$ 1,3 bilhão", relatou Vieira, em entrevista à imprensa concedida em Curitiba.

Petrobras e Petros, segundo ela, tiveram prejuízo com o negócio.

"A Petrobras assinou contrato de locação de 30 anos, pagando inicialmente quase R$ 4 milhões mensais. Corrigido, o valor está em R$ 6,5 milhões. Ele está sobrevalorizado porque propinas pagas no esquema ficaram embutidas no valor da obra, e o aluguel é calculado com base no valor total do empreendimento. A Petros tem prejuízo porque o prédio vale menos do que custou", afirmou a procuradora.

A Petros contratou uma empresa chamada Mendes Pinto para fazer o gerenciamento da obra. Mas se tratava de contratos de fachada, segundo a investigação.

"A Mendes Pinto chegou a receber mais de R$ 79 milhões, mas quem produziu todos os projetos para a obra já eram OAS e Odebrecht, que recebiam da empresa em conluio com funcionários da Petrobras informações privilegiadas", falou Vieira.

"OAS e Odebrecht também construíram as planilhas de preços para a contratação da obra. Elas cooptaram Carioca e Engeform para oferecer as chamadas propostas cobertura [para criar a aparência de que houve disputa na licitação]. Desde o início, executivos da Mendes Pinto acertaram que por meio deles seriam recebidos de 7 a 9% de propina sobre a obra, além de vantagens para o PT", ela prosseguiu.

Paulo Afonso Mendes Pinto, já morto, e seu sócio Mário Suarez eram os responsáveis por pagar propinas da OAS aos executivos da Petrobras e da Petros. Segundo o MPF, o dinheiro era entregue em espécie em hotéis em São Paulo – Alexandre Suarez, fiho de Mário, e Marcos Felipe Mendes Pinto, filho de Paulo Afonso, também atuaram nos pagamentos. Os três foram presos preventivamente hoje. A Odebrecht pagou propina pelo conhecido Setor de Operações Estruturadas.

"Além disso, 1% de todo o valor da obra [foi pago] para o PT por pessoa interposta por João Vaccari, sua cunhada Marice, que recebia em espécie e por meio de doações ao diretório nacional", disse a procuradora Vieira. "Como a obra era vinculada à Diretoria de Serviços da Petrobras, Renato Duque também recebeu, com pagamentos no exterior via offshores."

Segundo o MPF, Luis Carlos Fernandes Afonso recebeu pagamentos através do marqueteiro Valdemir Garreta, que atua para o PT. Newton Carneiro da Cunha, por sua vez, tinha "ligação total" com os executivos da Mendes Pinto.

A 56ª fase da Lava-Jato, apelidada de "Sem Fundos", é fruto de duas investigações paralelas, uma do MPF e outra da PF. Os procuradores partiram de uma investigação interna da Petrobras. Já os policiais tiveram como ponto de partida as delações premiadas de Roberto Trombeta e Rodrigo Morales, operadores financeiros que atuavam com o doleiro Alberto Youssef. Os dois revelaram um esquema para lavar R$ 2,8 milhões pagos como propina a um ex-dirigente da Petros. O nome dele não foi informado pela PF.

Ao todo, a "Sem Fundos" cumpre oito mandados de prisão preventiva, 14 de prisão temporária e 68 de busca e apreensão em cidades de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Nova fase da Lava-Jato prende 2 ex-presidentes e ex-diretor da Petros | Valor Econômico

https://mobile.valor.com.br/politica/5996003/nova-fase-da-lava-jato-prende-2-ex-presidentes-e-ex-diretor-da-petros

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