Petros está perto de negociar FIPs no mercado

A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, está prestes a concluir uma negociação para venda, no mercado secundário, de quotas de um dos Fundos de Investimento em Participações (FIP) que possui em sua carteira. Se tiver sucesso, a iniciativa será inédita entre os fundos de pensão, e pode servir como estratégia madura de desinvestimentos no segmento, disse em entrevista ao Valor o presidente da fundação, Daniel Lima.

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"Estamos tendo sucesso em algumas negociações", afirmou. Sem dar mais detalhes sobre o negócio, o executivo acrescentou que espera concluir a primeira venda dentro de algumas semanas, o que chamou de "projeto-piloto".

O segmento é sinônimo de aplicações problemáticas para a Petros. Um dos exemplos mais conhecidos é o FIP Sondas, que investiu na empresa de sondas Sete Brasil. Atualmente há um recurso contra a Petrobras em uma câmara de arbitragem para tentar recuperar os prejuízos causados por um esquema de corrupção envolvendo a petroleira.

Não haveria empecilhos de realizar vendas de ativos que tenham alguma pendência judicial. "Se o comprador tiver interesse na questão judicial, depende. Depende da natureza da questão judicial. Estamos falando de um mercado que não é estruturado no Brasil. Isso é muito no caso a caso", comenta Lima.

Em termos de valores, a aplicação em FIPs atualmente é pequena comparada ao patrimônio total da Petros, de R$ 86 bilhões. A Petros tem 30 FIPs que em novembro de 2018 representavam R$ 1,3 bilhão. Ao longo dos últimos anos, já foram feitas as baixas contábeis nos balanços da fundação, alguns até mesmo com avaliação negativa.

"Não é só pelo tamanho do investimento marcado hoje, mas sim pelo operacional que o monitoramento destes FIPs carrega. Há um custo de observância nada desprezível", lembra, afirmando que a estratégia representa uma racionalização da gestão e aumento de eficiência da carteira. Lima chegou ao fundo de pensão em outubro de 2017 como diretor de investimentos. Com a saída de Walter Mendes um ano depois, o executivo assumiu como presidente e vai permanecer à frente da fundação.

Para 2019, a Petros tem um cenário de uma "boa performance dos investimentos" e considera que algumas das reformas propostas pelo governo Bolsonaro devem ser atendidas "em alguma base". Com a recuperação da economia brasileira, a renda variável tende a se beneficiar. Já com a queda dos juros, o rendimento dos títulos do Tesouro NTN-B ficará abaixo das metas atuariais.

No ano passado, com a volatilidade do mercado de juros, a Petros negociou R$ 18 bilhões em títulos públicos. Se até então era possível conseguir rentabilidades de cerca de 6% ao ano, agora elas estão abaixo de 4% – diante de uma meta atuarial de 5,3%, em média.

"Para nós, 2019 será um ano de fazer gestão mais ativa, porque as grandes tendências que enxergávamos já se apropriaram na renda fixa. Na renda variável, o cenário é de recuperação da economia. Se a economia se recupera, teremos uma tendência de alta", afirma Lima, acrescentando que vai procurar fazer "hedge" (proteção) sem revelar sua estratégia.

A renda variável do PPSP, plano de benefício definido e que concentra as principais participações da fundação, sofre do que Lima chamou de "risco específico", enquanto no PP-2, de contribuição definida, as participações são pulverizadas.

No ano passado, a rentabilidade da renda variável do PP-2 ficou em linha com o mercado, enquanto a do PPSP, não. "Ali você tem os FIPs, Invepar, Nesa [Norte Energia], BRF. São investimentos muito grandes e que, por serem representativos na carteira, as suas histórias idiossincráticas acabam se refletindo no desempenho da renda variável", explica o presidente da Petros.

No caso da Vale, a participação do fundo de pensão se dá por meio da Litel – veículo de investimentos dos fundos de pensão – e representa cerca de R$ 4 bilhões. Desde que chegou na fundação em 2017, ainda como diretor financeiro, Lima determinou que as ações fossem marcadas a mercado.

Segundo o executivo, uma potencial venda de qualquer participação vai depender das condições de mercado. "Não é verdade que precisamos sair de 15% [de uma empresa] para zero. Tem ajuste nas posições que vamos fazer. Não devemos sair de Vale, mas é bem possível que vamos vender alguma coisa no PPSP", disse Lima, em entrevista concedida na sede de Petros, antes da tragédia em Brumadinho (MG).

O executivo não descarta que a venda possa ser feita em conjunto com outros fundos de pensão. "A grande parte da exposição está em Litel, é importante o alinhamento entre as entidades. É uma posição relevante. Vamos conseguir um melhor ‘deal’ negociando conjuntamente."

Com o forte recuo das ações da mineradora após o rompimento da barragem, a Petros esclareceu que sua concentração em Vale está dentro dos parâmetros de risco. Também informou que a suspensão dos dividendos anunciada pela empresa não compromete a liquidez do fundo de pensão.

https://mobile.valor.com.br/financas/6102291/petros-esta-perto-de-negociar-fips-no-mercado

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