- Gisele Pimenta – 28.abr.2015/Frame/Estadão Conteúdo
Marice Correa Lima em 2015
Entre as 22 pessoas que tiveram a prisão decretada nesta sexta-feira (23) no âmbito da Operação Lava Jato está Marice Correa Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. No despacho em que autorizou o mandado de prisão preventiva (por cinco dias), a juíza federal substituta Gabriela Hardt disse que Marice era operadora de propinas do PT.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Marice foi presa em São Paulo na manhã desta sexta-feira pela PF (Polícia Federal) no âmbito da 56ª fase da Lava Jato, batizada como "Sem Fundos", que investiga um esquema de corrupção envolvendo a construção da sede da Petrobras em Salvador, a Torre Pituba.
O esquema, que movimentou mais de R$ 68 milhões em propinas, teria beneficiado o PT, de acordo com as investigações. As empreiteiras Odebrecht e OAS, que comandaram o esquema, teriam pago os valores.
Segundo a Lava Jato, Marice teria sido responsável por arrecadar "significativas quantias de vantagens indevidas destinadas à agremiação partidária em decorrência do empreendimento da Torre Pituba". Ela se reuniu com representantes da OAS para ajustar a maneira como seriam feitos os pagamentos em favor do PT.
Os investigadores apontam que as vantagens indevidas destinadas ao partido somam mais de R$ 2,8 milhões. Desse valor, R$ 1,7 milhão foram dados a Marice, que repassou ao PT por meio de doações oficias, em uma tentativa de dar aparência legal à operação. O restante foi entregue em dinheiro vivo para a cunhada de Vaccari.
"[Ela] foi responsável por receber pessoalmente em sua residência as vantagens indevidas pagas em espécie para o Partido dos Trabalhadores, parte delas entregues por Alberto Youssef", traz o despacho da juíza, citando o doleiro que é um dos colaboradores da Lava Jato.
Procurada pela reportagem, a defesa de Marice ainda não se manifestou. O PT também não emitiu posicionamento até o momento.
Em 2015, Marice chegou a ser presa por engano pela Lava Jato.
A Lava Jato também teve como alvo de prisão temporária –por até cinco dias– o publicitário Valdemir Garreta, que já atuou em campanhas do PT. Segundo os investigadores, ele também teria atuado como operador do partido e arrecadado valores provenientes da Odebrecht.
Haveria registros de "intenso contato telefônico" entre Garreta e membros da Odebrecht e da OAS. Teriam passado por suas mãos cerca de R$ 7,4 milhões em propina relacionada à Torre Pituba.
O publicitário teria realizado 871 ligações e enviado 1.032 mensagens de texto ao ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. "Fora outras centenas de ligações com telefones de titularidade da OAS", traz o despacho da juíza. "Destaca-se terem sido encontradas, inclusive, mensagens de texto nas quais Valdemir Garreta e Léo Pinheiro discutiam a sucessão da presidência da Petros [fundo de pensão da Petrobras]".
A defesa de Garreta foi procurada pela reportagem e disse que irá se manifestar posteriormente.
Esquema
As obras da Torre Pituba foram pagas pelo fundo Petros, e a Petrobras se comprometeu a alugar o edifício por 30 anos —o aluguel custaria cerca de R$ 6,8 milhões por mês. Em valores corrigidos pela inflação, o valor total do empreendimento chega a mais de R$ 1,3 bilhão.
Segundo as investigações, existiriam fraudes nos contratos das obras da Torre Pituba, tocadas pela OAS e pela Odebrecht. "A investigação evidenciou que, para a contratação das empreiteiras, foram acionadas outras duas empresas (Carioca e Engeform) integrantes do cartel que atuava na Petrobras para apresentar propostas-cobertura no procedimento seletivo", diz a Lava Jato.
Além de operadores ligados ao PT, a operação também tem como alvos executivos das empresas que se envolveram na construção do empreendimento, além de intermediadores, agentes públicos da Petrobras e então dirigentes do fundo de pensão Petros.
Segundo a força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) na Lava Jato, "o esquema de contratações fraudulentas e pagamentos de vantagens indevidas se estendeu de 2009 a 2016".
Batizada de "Sem Fundos", o nome da operação refere-se à perda do fundo de pensão da Petrobras, "assim como ao fato de os crimes investigados parecerem revelar um ‘saco sem fundos’", segundo a PF.
Procuradas pela reportagem, OAS, Odebrecht, Engeform e PT ainda não se manifestaram a respeito da operação. A Carioca informou que não comentaria as acusações.
Em nota, a Petrobras disse ser "reconhecida pelas autoridades, no Brasil e no exterior, como vítima dos atos desvendados pela Operação Lava Jato". "A companhia reforça a informação, divulgada pelos procuradores da República, de que a nova fase da Operação Lava Jato teve início a partir de uma investigação que a própria empresa realizou internamente e cujos relatórios com os resultados foram enviados ao Ministério Público Federal", comentou a empresa.
http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/11/23/lava-jato-cunhada-vaccari-operadora-pt-petrobras.htm
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/11/23/lava-jato-cunhada-vaccari-operadora-pt-petrobras.htm
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