Nova contabilização de Vale impulsiona resultados da Previ

A nova metodologia para contabilizar a participação da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, na Vale teve um impacto positivo de mais de R$ 12 bilhões para o Plano 1, de benefício definido, e levou a um superávit de R$ 6,611 bilhões em 2018 até setembro. Até agosto, a fundação acumulava déficit de R$ 9,9 bilhões. O plano tem investimentos de mais de R$ 170 bilhões, é o maior e mais maduro da fundação, e concentra as principais participações em empresas.

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Antes, a avaliação de Litel – veículo de investimentos em que detém a fatia em ações da Vale junto com outras fundações – era feita anualmente pelo valor econômico. Agora, a precificação se dá ao final de cada mês, determinada a partir de uma média ponderada das cotações do trimestre anterior ao último dia útil do mês corrente. Como resultado da mudança, a participação saltou de R$ 30,84 bilhões em 2017 para R$ 43,5 bilhões, em setembro.

"No nosso entendimento, essa é a fórmula que melhor reflete o resultado do ativo dentro da Previ. Ela reflete o que está acontecendo lá. Com a revisão do acordo de acionistas, boa parte das ações que a Litel tem da Vale já ficaram fora do bloco de controle. Esse é um fator que ajuda a sustentar a mudança da metodologia. Mais da metade das ações já ficam fora do bloco de controle", disse o presidente da Previ, José Mauricio Coelho. A fatia relevante do investimento, de mais de R$ 40 bilhões, também justifica a adoção de uma metodologia para a precificação, afirma o executivo. "Ter alguma coisa que suaviza um pouco, tirando picos e baixos [dos preços], é importante", disse.

Até agora, os resultados são positivos. A ação da mineradora teve forte valorização desde o novo acordo de acionistas. Mas um potencial aumento da volatilidade não assusta, segundo Coelho. "Pode aumentar [a volatilidade], é uma consequência natural da metodologia. Também vai depender do que acontecer no mercado de ações. De certa forma, isso acontecia anteriormente, mas era uma vez ao ano. Quando se faz o cálculo a valor econômico, essas incertezas vão para o preço também. O importante é a qualidade do ativo."

O executivo também descartou uma potencial venda da fatia na Vale ainda este ano. Um movimento neste sentido seria coordenado com outros fundos de pensão.

Para Coelho, a mudança de governo no próximo ano não trará alterações de grande impacto na fundação, mesmo que implique em trocas na diretoria do fundo de pensão. "Somos uma entidade que vive do longo prazo. A relação da Previ se dá com o Banco do Brasil e se dá com governança muito bem estruturada. E a governança não é inserida na figura do presidente. Mudanças são naturais ao longo da vida da Previ e isso não nos preocupa", afirma.

Enquanto a eleição ainda estava em fase de definição, a Previ aproveitou a volatilidade dos mercados para aumentar sua fatia em títulos públicos. A fundação comprou cerca de R$ 3 bilhões destes papéis, com vencimento entre 2035 e 2050. Além disso, realizou vendas de ações no total de R$ 1,5 bilhão. Segundo o diretor de investimentos da fundação, Marcus Moreira, essa foi a estratégia enquanto a fundação aguardava uma consolidação do cenário eleitoral para definir as aplicações.

Moreia afirma que os títulos públicos trazem um conforto para a fundação, uma vez que, com taxas de até 6% mais o IPCA, estão em linha com a atual meta atuarial da entidade, de INPC mais 5%.

"Aguardamos agora uma definição dos quadros no próximo governo para definir os investimentos", disse o executivo, referindo-se à venda de R$ 1,5 bilhão em renda variável. A Previ analisa aplicar o montante em títulos públicos ou títulos de dívida, se houver uma retomada deste segmento. O executivo descartou novas vendas de ações até o final do ano. "Se houver, será algo residual", disse.

Moreira não detalhou quais ações foram vendidas pela fundação nos últimos dois meses. As maiores participações da Previ listadas em bolsa, além de Vale, são Banco do Brasil (R$ 6,4 bilhões), Petrobras (R$ 6,074 bilhões), Ambev (R$ 4,42 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 3,93 bilhões), Bradesco (R$ 2 bilhões) e BRF (R$ 1,86 bilhão).

A política de investimentos do fundo de pensão prevê uma redução da participação em renda variável, além da saída dos blocos de controle de empresas. O plano é revisado anualmente e tem horizonte de sete anos. A política atual – de 2018 a 2024 – prevê que a fatia de renda variável do Plano 1 caia de 43% para 30%. Em setembro, a renda variável representava 36,28% da carteira a mercado e 63,18% da carteira de participações.

A Previ também estuda implementar, no final do ano, a troca da chamada "tábua de mortalidade" – instrumento que permite estimar a longevidade dos participantes e definir o montante de recursos necessários para pagar aposentadorias e pensões no futuro. Essa revisão acarreta um aumento do compromisso financeiro dos planos, como consequência de uma longevidade maior. Segundo a fundação, possíveis superávits serão utilizados para cobrir esses impactos.

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