RIO – A Previ, maior fundo de pensão do Brasil, aproveitou a volatilidade recente dos mercados para aumentar sua fatia em títulos públicos e comprou cerca de R$ 3 bilhões desses papéis, com vencimentos entre 2035 e 2050. Além disso, realizou R$ 1,5 bilhão em vendas de ações em que possui participação mais robusta. Agora a entidade espera a conclusão do processo eleitoral para definir suas aplicações, disse ao Valor o diretor de investimentos da fundação, Marcus Moreira.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Segundo o executivo, os títulos públicos trazem um conforto para a fundação, uma vez que, com taxas de até 6%, estão em linha com a atual meta atuarial da entidade, de INPC mais 5%.
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“Aguardamos agora uma definição dos quadros no próximo governo para definir os investimentos”, disse o executivo, referindo-se à venda de R$ 1,5 bilhão em renda variável. A Previ analisa aplicar o montante em títulos públicos ou títulos de dívida, se houver uma retomada deste segmento.
O executivo descartou novas vendas de ações até o final do ano. “Se houver, será algo residual”, disse. O montante é pequeno frente à necessidade de pagamentos da fundação, de cerca de R$ 1 bilhão mensais. Apenas o Plano 1, de benefício definido, tem investimentos de mais de R$ 170 bilhões. No Previ Futuro, de contribuição definida, as alocações chegam a R$ 13,3 bilhões.
Moreira não detalhou quais as ações foram vendidas pela fundação nos últimos dois meses. As maiores participações que a Previ tem em bolsa são: Banco do Brasil (R$ 6,4 bilhões), Petrobras (R$ 6,074 bilhões), Ambev (R$ 4,42 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 3,93 bilhões), Bradesco (R$ 2 bilhões) e BRF (R$ 1,86 bilhão). A fundação também tem uma participação relevante, de mais de R$ 40 bilhões, em Vale, e a Previ reiterou possibilidade de venda no curto prazo. A segunda maior alocação é em Neoenergia, de R$ 8,5 bilhões, companhia de energia de capital fechado.
A política de investimentos do fundo de pensão prevê uma redução da participação em renda variável e saída dos blocos de controle de empresas. O plano é revisado anualmente e tem horizonte de sete anos. A política atual — de 2018 a 2024 — prevê que a fatia de renda variável do Plano 1, que concentra as principais participações acionárias da fundação, baixe de 43% para 30%.
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