Ação bilionária de sindicatos contra a Petrobras deve expor racha no TST

Um julgamento que pode produzir impacto bilionário nas contas da Petrobras tem potencial para expor, mais uma vez, a divisão entre os ministros do Tribunal Superior do Trabalho que são mais alinhados às teses empresarias e os que seguem as dos sindicalistas. A questão envolve a política de remuneração praticada pela Petrobras desde 2007 e deve ser enfrentada pelo plenário da Corte no dia 21 de junho.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

Os ministros vão avaliar se é correto o cálculo da remuneração acertada com os funcionários em 2007 e que é utilizada até hoje. Uma eventual derrota pode custar à estatal ao menos R$ 16 bilhões e atingir os salários de cerca de 50 mil trabalhadores da empresa – o processo é considerado um dos maiores em análise no tribunal. A decisão terá efeito em 43 ações coletivas e 7.400 ações individuais espalhadas pela Justiça do país.

Em 2007, a Petrobras firmou acordo coletivo de trabalho com uma política salarial chamada de Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR). Esse sistema fixou que os funcionários em funções administrativas e sem exposição a riscos ocupacionais passaram a receber um complemento sobre o salário básico.

Foi estabelecido que a RMNR leva em consideração o regime de trabalho do empregado e a região do país onde trabalha, sendo que funcionários do mesmo nível e da mesma localidade que recebiam menos do que os outros trabalhadores passaram a ganhar uma diferença. Na prática, o acordo incluiu no cálculo o adicional de 30% a que têm direito os trabalhadores expostos a riscos, como os que trabalham em refinarias e plataformas de petróleo.

Com isso, quem já recebia vantagem pessoal ou adicional de periculosidade teve ganho de 2% a 4% e quem não recebia nenhuma dessas rubricas teve incremento de 32% a 34%.

Além da Petrobras e da União, a batalha judicial envolve 17 entidades sindicais. Três anos após o acordo coletivo, começaram na Justiça as ações individuais questionando o modelo de remuneração da empresa, afirmando que a medida desrespeita o quanto foi negociado e criou uma distorção no sistema.

Os trabalhadores defendem que deveriam ser excluídos do cálculo de complemento da RMNR os adicionais decorrentes dos regimes e condições especiais de trabalho, o que, segundo a estatal, poderia representar uma majoração no complemento no mesmo valor dos adicionais retirados.

No TST, a Petrobras argumenta que, se essa tese for vitoriosa e a corte determinar um novo cálculo sem a consideração dos adicionais, o negociado em 4% do salário base, pode chegar até 129% para funcionários do turno de revezamento de 12 horas com confinamento. Cálculos internos apontam que a exclusão dos adicionais teria um impacto de R$ 3 bilhões por ano.

Numa tentativa de sensibilizar os ministros, os advogados da estatal chegaram a anexar informativos produzidos pelos sindicatos tratando do acordo coletivo da época e que elogiam a negociação.

O TST tem precedentes divergentes sobre a questão. Em 2013, a Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) contraria interpretação da cláusula pactuada. O próprio relator do incidente de recurso repetitivo, Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, já se posicionou contra a tese da empresa. A revisora, Maria de Assis Calsing, também em análise anterior, seguiu outra corrente, o que pode indica uma divergência já no início do julgamento. A ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi se declarou impedida para analisar o caso.

Em caso de derrota, a Petrobras poderá ainda recorrer ao próprio TST pedindo esclarecimentos sobre a decisão e levar o caso ao Supremo se avaliar que há alguma questão constitucional a ser enfrentada.

Um dos precedentes que pode ser utilizado pela estatal é o julgamento do Recurso Extraordinário 590415, que traz a tese: no âmbito do direito coletivo do trabalho não se verifica a mesma situação de assimetria de poder presente nas relações individuais de trabalho. Como consequência, a autonomia coletiva da vontade não se encontra sujeita aos mesmos limites que a autonomia individual.

Márcio Falcão – Brasília

https://www.jota.info/tributos-e-empresas/trabalho/acao-bilionaria-de-sindicatos-contra-a-petrobras-deve-expor-racha-no-tst-08062018

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading