4ª rodada evidencia disposição da Petrobras em continuar expandindo sua atuação no pré-sal
Última atualização em 7/06/2018

Cinco anos depois da realização do leilão de Libra, o primeiro do regime de Partilha, a Petrobras segue mantendo com folga a liderança do novo modelo, sobretudo agora diante do resultado da 4a rodada, realizada nesta quinta-feira (7/6). No espaço de pouco mais de uma hora de licitação, a petroleira garantiu a operação de Uirapuru, Três Marias e Dois Irmãos, estabelecendo o feito de sair como a única operadora do leilão e passando a responder por nada menos que sete dos dez ativos regidos hoje pelo modelo de partilha no país, todos na posição de operadora. Entre as estrangeiras, a Shell, que disputou Uirapuru e Três Marias e arrematou apenas o último bloco, passa a ocupar o melhor lugar no mapa de partilha, com um total de cinco áreas, sendo duas na condição de operadora e três como sócia.
Junto com a Petrobras e a Shell, o mapa da partilha traz também a Equinor, que garantiu participação em mais dois ativos neste leilão (Uirapuru e Dois Irmãos), ficando com a terceira posição no ranking, com um total de três blocos, sendo um Norte de Carcará, na condição de operadora
Com o resultado assegurado nesta rodada, o seleto grupo de players com atuação no regime de partilha passa a contar com 13 companhias, sendo três na condição de operadora e dez na posição de sócia. A reboque do resultado do leilão, o novo mapa da partilha traz agora a Chevron, que depois de algumas tentativas internas frustradas, fez enfim sua estreia no pré-sal brasileiro, através de uma parceria com a Shell, garantindo participação na área de Três Marias.
Com Itaimbezinho entrando para lista que não despertaram o interesse da indústria, o país fica um total de dez áreas regidas pelo modelo partilha, dos quais oito estão localizados na Bacia de Santos e dois em Campos. A lista de petroleiras é formada também pela BP, com três blocos, ExxonMobil (dois), Total (dois), Petrogal (dois), Repsol (um), QPI (um), CNOOC (dois), CNODC (um) e CNPC (um).
A nova carteira de ativos de partilha da Petrobras contempla cinco projetos operados na Bacia de Santos – Libra, Uirapuru, Três Marias, Peroba e Entorno de Sapinhoá e dois em Campos – Dois Irmãos e Alto de Cabo Frio Central.
Raio X da rodada
O resultado da 4a rodada, a primeira desse regime sob o comando do ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, confirmou o interesse das companhias pelo pré-sal e pelo regime de partilha, repetindo o sucesso dos leilões anteriores. A licitação garantiu a participação de muitos apostadores e uma grande vencedora, no caso a Petrobras, que, usando da prerrogativa do direito de preferência assegurou a operação das três áreas vendidas nesta quinta-feira (7/6).
Na avaliação do secretario executivo do MME, Márcio Félix, o resultado foi extremamente bem sucedido. Embora o ministério tenha comemorado o desfecho do leilão, o ministro Moreira Franco adotou o estilo low profile: fez abertura do evento, jurando em seus discurso que não há intervenção do governo na política de preço dos combustíveis, na ANP ou em qualquer segmento do setor petróleo, e foi embora sem participar da tradicional coletiva de imprensa, realizada sempre no fim de cada leilão. Sem Fernando Bezerra Filho e com Félix agora comandando vários temas da agenda do ministério, o balanço da rodada ficou a cargo de João Vicente, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, e Décio Oddone, diretor geral da ANP, que tradicionalmente participa da coletiva.
Em menos de duas horas de leilão , o governo assegurou a venda da área de Uirapuru, em Santos, onde foi protagonizada a maior disputa já vista em um leilão de partilha, com nada menos que quatro consórcios; Três Marias, ambos em Santos; e Dois Irmãos (Campos). Embora MME e ANP previssem a venda de Itaimbezinho, em Campos, tendo em vista que o ativo foi incluído no leilão por solicitação de algumas empresas, a área não teve interessados conforme já era especulado pelo mercado e, como foi a última a ser ofertada, não foi para a repescagem.
Além da Petrobras, ExxonMobil, Shell, BP, Equinor, Chevron e Petrogal saíram com suas carteiras de ativos reforçadas, impondo forte competição ao leilão. Com a petroleira brasileira assumindo a operação das três áreas vendidas, não será desta vez que o mercado assistirá à diversificação do número de operadoras no pré-sal.
Embora tenha se firmado como a grande vencedora da rodada, a Petrobras teve uma participação mais comedida do que nos últimos dois leilões e viu pela primeira vez duas de suas três propostas sendo desbancadas por outras concorrentes. Na prática, não fosse o recurso do direito de preferência, a petroleira brasileira teria ficado fora de Uirapuru e Três Marias, arrematando apenas Dois Irmãos, ativo que adquiriu sem concorrência pelo profit oil mínimo de 16,45%, em consócio com a Statoil (45%) e a BP (30.%).
Arrematado pelo consórcio Petrobras (30%)/ Equinor (28%)/ ExxonMobil (28%)/ Petrogal (14%), a disputa por Uirapuru, bloco vizinho a Carcará e Norte de Carcará, foi conforme previsto o grande destaque da rodada. Das 16 empresas inscritas no leilão, 11 entraram na disputa pelo ativo, formando quatro consórcios – Petrobras/ Total/BP, Equinor/ ExxonMobil/ Petrogal, CNOOC/ CNODC, e Shell/ QPI/ Chevron. O consórcio vencedor ofertou 75,49% de óleo lucro, ante a proposta original da Petrobras com o consórcio Total/BP de 72,45%.
Já era esperado que o consórcio Equinor/ ExxonMobil/ Petrogal viesse pesado na disputa por Uirapuru, já que o grupo detém as áreas de Norte de Carcará, arrematada na 2a rodada de partilha, e Carcará (concessão). Visto como um dos ativos mais promissores desta rodada, Uirapuru traz de volta a Petrobras ao “complexo” de Carcará, dois anos depois da venda do ativo para a então Statoil por US$ 2,5 bilhões.
A participação da CNOOC e da CNODC na disputa por Uirapuru deixou claro que as petroleiras chinesas estão apostando com força no pré-sal. Depois de cinco anos seguindo a estratégia de participação junto a grandes petroleiras, as companhias assumiram o risco de vir sozinhas, sem um operador.
Outra disputa importante ocorreu pela área de Três Marias, onde, para não perder a área para o consórcio Shell/Chevron, a Petrobras elevou o óleo lucro de 18% para 49,95%. Tanto no caso de Uirapuru quanto de Três Marias, a decisão de assumir o direito de preferencia foi definida em uma sala reservada na segundo andar do hotel onde foi realizado o leilão, onde se reuniram Ivan Monteiro, presidente da Petrobras, Solange Guedes, diretora de E&P, Mário Carminatti, gerente executivo de Exploração, e Carlos Alberto Oliveira, gerente de Gestão Integrada de Ativos de E&P.
Na prática, o resultado do leilão mostrou que ExxonMobil e BP estão com apetite para continuar ampliando suas carteiras no pré-sal e dispostas a recuperar o atraso. As duas petroleiras ingressaram no pré-sal apenas nas rodadas do ano passado, quando praticamente todas as grandes companhias já tinham adquirido alguma participação nesses ativos.
Confirmando atuações anteriores, Shell e Statoil mostraram mais uma vez que a aposta no Brasil é de longo prazo. Outro destaque em relação às empresas ficou por conta da estreia da Chevron com a Shell, repetindo a associação da 15a rodada.
A participação da Petrogal na rodada também reforça o compromisso do grupo com o Brasil, ainda que sob percentuais mais modestos. Repetindo a formação do consórcio de Norte de Carcará, a petroleira portuguesa arrematou 14% de participação em Uirapuru, sendo a única empresa não super major a ter ativos de partilha na carteira.
Entre os que não compareceram, a surpresa ficou por conta da Petronas. A petroleira está montando escritório no Rio de Janeiro e já tem até um country manager escolhido para o Brasil.
Outra que também ficou de fora foi a Ecopetrol. A petroleira colombiana ensaia um “namoro” com o pré-sal há alguns anos, mas até agora não conseguiu entrar em nenhum consórcio.
Campanha de trabalho e indicadores
Segundo a Petrobras, o plano é perfurar pelo menos um poço em cada uma das três áreas. A princípio, a petroleira não prevê a aquisição de dados sísmicos nos novos ativos.
Especialistas ouvidos pela Brasil Energia Petróleo estimam que as campanhas de perfuração tenham início entre o fim de 2019 e o primeiro semestre de 2020.
“Tudo irá depender do tempo do licenciamento ambiental. Como estamos falando de Campos e Santos, a tendência é de que as licenças não demorem a sair”, afirma uma fonte.
O secretário executivo do IBP, Antonio Guimarães, comemorou o resultado do leilão. “Sem dúvida nenhuma, do ponto de vista do leilão, foi um sucesso, muito interessante. Não tenho dúvida que o foi vendido terá um nível de atividade expressivo e que algumas das áreas têm alto potencial de descoberta. Se isso se materializar em descoberta daqui a três a quatro anos veremos grandes investimentos voltados a compra de equipamentos”, avaliou o executivo.
No caso Uirapuru, tendo em vista a proximidade e a similaridade com Carcará, especialistas especulam que, em caso de sucesso, o trabalho exploratório poderá confirmar volumes de até 1 bilhão de boe a 2 bilhões de boe. Em geral, reservatórios desse porte podem demandar a contratação de duas a até cinco unidades de produção, exigindo investimentos da ordem de US$ 15 bilhões e US$ 30 bilhões desenvolvimento.
https://bepetroleo.editorabrasilenergia.com.br/leilao-de-muitos-apostadores-e-uma-unica-operadora/
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