O dia em que o candidato falou mais alto que o ministro

Na linguagem popular, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, botou a mão num vespeiro e levou de carona o presidente Michel Temer. Ontem de manhã, em entrevista à rádio CBN, afirmou que o governo está discutindo com a Petrobras uma nova política de reajuste de preços dos combustíveis.

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O ministro esclareceu que o objetivo da nova política é evitar que nem o consumidor final nem a empresa sejam prejudicados com oscilações bruscas do preço do petróleo no mercado internacional. “O presidente Michel Temer está trabalhando nisso também e, tão logo haja uma nova política definida, vamos anunciar”, disse.

Na entrevista, Meirelles afirmou que, diferentemente do que foi feito no governo Dilma Rousseff, não haverá controles artificiais. “Esse governo não faz controle artificial de preços. Isso não existe, foi uma política malsucedida do governo anterior que quase quebrou a Petrobras e prejudicou o governo como um todo. Isso não será feito.”

Por entusiasmo ou “premonição”, Meirelles foi bem além do plausível, mesmo sendo ministro da Fazenda, ou até por ser o titular da Fazenda. Primeiro, porque entusiasmo de pré-candidato à Presidência da República não deve contaminar discurso oficial; segundo, não há ‘premonição’ quando um ministro de tal envergadura faz afirmações que podem ser atribuídas a uma agenda que ainda não foi aprovada pelo governo.

“Não gosto de falar sobre coisas que ainda não estão decididas. É muito importante que nós transmitamos certo nível de confiança. É importante para o público, para que ele de fato saiba que tudo aquilo que está sendo anunciado será cumprido. Portanto vamos esperar a decisão e daí anunciar”, afirmação que soou ingênua depois das supostas revelações.

No início da tarde de ontem, a Petrobras informou em nota, ao Valor, que o governo federal consultou recentemente a companhia sobre o comportamento dos preços internacionais de petróleo, registrando preocupação com a volatilidade no valor dos combustíveis para o consumidor final. A estatal, contudo, ressaltou que em nenhum momento foi cogitada a alteração na política de preços dos derivados de petróleo da empresa, “que são de sua exclusiva alçada”.

“A Petrobras continuará ajustando o preço da gasolina e do diesel em suas refinarias diariamente conforme as variações nas cotações internacionais do petróleo”, informou a estatal, em nota.

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