Sérgio Salgado
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Na última sexta-feira, 15/12/2017, às vésperas de completar 7 anos, a atual gestão da Petros, em um negócio de e para profissionais, vendeu em leilão, na B3, a antiga Bovespa, bolsa de valores de São Paulo, a posição, 15,31% do capital votante, que a nossa Fundação mantinha com as ações ON, sem qualquer liquidez, da holding Itaúsa, ações ITSA3, ou 431.172.693 ações, recebendo em troca R$ 4,527 bilhões.
Não há como não parabenizar a gestão comandada pelo seu atual presidente, Sr. Wálter Mendes de Oliveira Filho, à frente desse processo para tirar a nossa fundação do lodaçal em que foi colocada pelas gestões sindicalistas e politicamente partidarizadas que a usurparam a partir de janeiro de 2003. Afinal, tem mesmo que ser muito incompetente – em alguns casos – e desonesto – em sua grande maioria, para gestarem um prejuízo dentro dos grandes fundos que atinge hoje em torno de R$ 70 bilhões. Convenhamos que isso não é para qualquer um, tanto do lado do bem quanto do lado do mal.
Recordando, em 30/12/2010, a Petros, tendo à frente, nomes como Wágner Pinheiro, Luiz Carlos Fernandes Afonso, Newton Carneiro da Cunha, Maurício França Rubem, Carlos Fernando Costa, Wilson Santarosa, bem como todo o seu Conselho Deliberativo, em especial os que para lá elegemos, Srs. Paulo Teixeira Brandão e Ronaldo Tedesco Vilar, que se juntaram aos conselheiros indicados pela patrocinadora e, todos, juntos aprovaram a operação, que a Petros fechou com a Camargo Correa, em outro leilão, histórico e controverso, a compra de 11,46% do capital votante da holding Itaúsa, o equivalente a 192.572.583 ações. A esse total, acresceu outras 20.810.510 ações compradas de espertos investidores (espertos porque certamente já haviam tido conhecimento prévio dos valores da venda e assim compraram essas ações a valores bem menores para os revenderem no leilão a um valor bem maior). A compra final a leilão resultou em 213.383.113 ações ON, 12,70% do capital votante. A Petros pagou R$ 14,48 por ação, embutindo um elevado e injustificado ágio em um negócio intermediado pelo ex-ministro Antônio Palocci, agora criminoso confesso e encarcerado à espera de que se aceite sua proposta de delação premiada pelo STF.
A compra consumiu o valor total de R$ 3,091 bilhões do nosso patrimônio e envolveu a troca e venda de títulos federais, que nos causou prejuízo imediato de mais de R$ 16 milhões. Beneficiados nessa operação, os gestores todos, a Camargo Correa, o presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli que ganhou uma boquinha altamente remunerada como conselheiro no CA da Itaúsa, o Palocci, o Governo Federal que esticou sua dívida pública, a campanha da presidente cassada Dilma Roussef que recebeu R$ 8,5 milhões de doação da Camargo Correa que, diga-se de passagem, foi uma das maiores senão a maior doadora das campanhas políticas em 2010, possivelmente com recursos extras da venda das ITSA3 para a Petros naquele ano. Somente nós saímos prejudicados no processo.
A operação, 6 meses após, em 12/6/2011, acabou denunciada através da revista Veja e provocou a imediata saída do Palocci do ministério da Dilma. Essa denúncia provocou a curiosidade de um participante atento, Domingos de Saboya que, a partir de toda a documentação que lhe pudemos disponibilizar, fez uma excepcional análise e concluiu pela sua ilegalidade. Os conselheiros eleitos, soberbos, não aceitaram a análise e preferiram rachar e desqualificar o trabalho. Saboya foi ameaçado de processo em boletim eletrônico emitido pela Petros, que tentou justificar a operação.
As gestões envolvidas, não satisfeitas, foram em busca de se atingir os 15% do capital, votante, situação só alcançada em 10/1/2014, não sem antes, em dezembro de 2013 terem manipulado de forma vergonhosa e criminosa valores dessas ações que foram negociadas em bolsa, de forma a provocar uma valorização fictícia que permitisse aos gestores diminuírem o tamanho do déficit daquele ano em mais ou menos R$ 1 bilhão. Acrescente-se que, ao pagar preços maiores e manipulados, aumentaram o prejuízo financeiro da Petros.
Como resultado, tudo isso despertou de imediato, em um grupo de participantes, a desconfiança de que, muito mais que negócios de risco com o nosso patrimônio, a gestão partidária que se apoderou dos grandes fundos de pensão estatais a partir de 2003, vinha dando um golpe com a visão de se apoderar do poder político e financeiro do nosso país, além de, os mais esfomeados, se locupletarem individualmente em valores financeiros que jamais haviam sonhado, enquanto simples sindicalistas. Atuante, esse grupo mostrou, através de análises consistentes, apesar da falta de documentação necessária, que o assalto era geral: Lupatech, Oi/Telemar, Brasil Pharma, Dasa, Totvs, Vanguarda Agro, Rumo, Sete Brasil, Belo Monte, Invepar etc., investimentos da rubrica Participações, estavam condenando nossa fundação a um rombo estratosférico.
O resultado da venda do último dia 15/12, embute, ainda assim, prejuízos inestimáveis. R$ 2 bilhões é o valor calculado pelo Raul Rechden como prejuízo consolidado (a ação atingiu, em outubro último, o valor mais elevado historicamente, R$ 11,00, vendemos a R$ 10,50 por ação). No entanto, necessário relembrar que no déficit fechado em 31/12/2015, motivo da proposta do equacionamento trazido a 2017 para a esfera dos R$ 28.8 bilhões – pelo seu máximo, R$ 22,7 bilhões – esse prejuízo, calculado por nós, mas também pelos gestores atuais da Petros, atingia valor acima de R$ 3 bilhões. Ou seja, no plano que equacionamento estão embutidos 13% que nós pagaremos para cobrir o rombo de Itaúsa. É um dos maiores ou o maior rombo individual e que tem investigação criminal instaurada, por denúncia de nosso Grupo, desde 2011 em TODOS os órgãos de controle do país (Mpf, Pf, Tcu, Cpi dos fundos de pensão, Lavajato, Greenfield)
O prejuízo, em torno de R$ 550 milhões, inicialmente calculado no trabalho do Domingos Saboya, como resultado no absurdo ágio que se aceitou naquela operação de 2010 e sem qualquer justificativa técnica, trazidos pela meta atuarial atinge hoje o equivalente a R$ 1,242 bilhão, valor esse que jamais poderia ser recuperado.
Os compradores dos 15,31% das ações que nos pertenciam, a Fundação Antônio e Helena Zerrener, ligada à Ambev, onde é dona de 10,2% do seu capital votante, assim como fizeram em 2010 os administradores da Petros na compra do lote da Camargo Correa e outros em leilão previamente acertado, dão como uma das principais justificativas para a compra das ações sem liquidez, o ganho previsto dos dividendos da holding Itausa que, no caso deles, agora em função do preço de mercado pago poderá trazer generosos rendimentos.
Peço a todos que abram o anexo, com comentários e rápida entrevista do diretor executivo da Fundação Zerrener, Edson De Marchi, ao Brazil Journal, onde grifamos (e também colamos abaixo) o que fez a verdadeira diferença de pessoas que são ou deveriam ser (ao menos foram eleitas para isso) responsáveis por questões que afetam milhares de outras pessoas.
Outro diretor-executivo da Fundação, Edson De Marchi, disse ao Brazil Journal que a Fundação se viu pressionada a encontrar um ativo com retorno maior dado a alta exponencial dos custos de saúde.
“Temos nos assustado com a velocidade do crescimento dos custos de saúde no Brasil,” disse De Marchi, que além de dirigir a Fundação trabalha na Ambev há 30 anos. “Já há alguns anos o custo tem crescido dois dígitos, e os nossos dividendos não crescem nesta taxa. Não é mais uma questão de se, é uma questão de quando teremos um problema.”
Há três anos, a Fundação começou a investir pesado para aumentar seu know-how de gestão de saúde. Outra medida é diversificar os investimentos, buscando um retorno maior.
“Historicamente, Ambev e Itaú têm nos dado um ‘dividend yield’ de 4% a 5% ao ano; nossa estimativa para a Itaúsa é de um ‘yield’ de 6,8% ano que vem,” disse De Marchi.
O interesse pela Itaúsa começou há sete anos, quando a Camargo Correa colocou à venda sua participação na holding.
Ao procurar um ativo para diversificar seus investimentos, a Fundação procurava uma empresa com qualidade de gestão, cultura de governança e rentabilidade, disse De Marchi. A Itaúsa passava no teste, mas a venda do lote da Camargo sairia com ágio, e a Fundação decidiu esperar.
Enquanto isso, começou a montar uma posição em Itaú Unibanco, esperando o dia em que outro lote relevante de Itaúsa viesse a mercado. Para um investidor que não se preocupa com a iliquidez do papel, a troca é vantajosa: nos últimos dez anos, a Itaúsa tem negociado a um desconto médio de 21% em relação à soma de seus ativos.
Nos últimos três dias, a Fundação vendeu sua participação no Itaú (60% em ONs e 40% em PNs) para fazer a oferta pelo lote da Petros nesta sexta. O próprio Itaú — que tem um programa de recompra de ações em curso — e a família Moreira Salles deram liquidez à fundação em leilões separados.
Nossos conselheiros eleitos sequer se dispuseram a discutir a questão – antes, durante ou mesmo depois -. Aceitaram o engodo a que certamente foram levados pelos responsáveis pelo ato que já se configurava como criminoso, bem como, mais lá adiante, prevenidos pela análise do Saboya e pelo debate intenso que se formou, preferiram justificar o erro involuntário que cometeram (até aquele instante) com afirmações descabidas e fora da realidade.
Quase sete anos após, a Zerrener, faz o negócio, antes adiado por total falta de aderência aos postulados mínimos para uma empresa que, embora capitalista, faz uso dele para cuidar da questão social, herança da antiga Companhia Antártica e do sonho dos seus proprietários. Diferente de uma fundação previdenciária (e com plano BD) que tem por obrigação, em sua fase madura, zelar pela fluidez do seu patrimônio, portanto da sua liquidez, a fundação Zerrener, sem o peso, consciente, da iliquidez do ativo, aguardou a oportunidade e a aproveitou.
Conforme está na abertura do artigo em anexo, Itaúsa, a mãe de todas as carteiras de dividendos. A forma como compramos o ativo, fez dessa mãe uma grande madrasta. Portanto, muito longe de chorar o prejuízo, necessário ter consciência que nos livramos de um ativo que, por falta, de consciência coletiva dos envolvidos, só nos trouxe dor de cabeça e um prejuízo real no déficit fechado em 31/12/2015 da ordem de mais de 10% dele, portanto um valor acima de R$ 3 bilhões.
Por que será que a Zerrener não aceitou ágio em uma operação que envolvia, da parte da Camargo Correa, somente 11,46% do capital votante em 2010 (na verdade a Camargo Correa, tempos antes, conforme informações da mídia era dona de somente 10,31% dessas ações) e a gestão da Petros e todos os conselheiros do CD aceitaram? Não havia naquele momento, como não houve agora, conforme definido em comunicado anexo, pela gestão do Walter Mendes, a participação no Bloco de Controle. O assento na cadeira de conselheiro do CA da Itaúsa depende de acordos internos somente.
Será que na discussão para aprovação desse novo leilão, o ágio fez parte da pauta? Permito eu responder, só se ainda persiste a existência de algum conselheiro inocente no CD da Petros.
Os responsáveis pela nossa fundação, seus gestores partidários, somados aos nossos conselheiros eleitos que não tinham conhecimento da matéria e acabaram engolidos pelos mais espertos, nos devem respostas e não discursos.
Infelizmente a Petros pagou preços acima da realidade e manipulados à época em 30/12/2010 e nos anos seguintes até alcançar o percentual ora vendido.
Ficamos livres do péssimo negócio mas tivemos que absorver o gritante prejuízo que nos causaram e que nunca será recuperado.
Esperamos que os culpados sejam punidos legalmente e devolvam pelo menos parte das perdas por eles causadas ao patrimônio do PPSP.
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