Previ tem resultado positivo e evita equacionamento em 2017

A Previ vai encerrar 2017 sem necessidade de contribuições extraordinárias para seu Plano 1, de benefício definido – isso devido ao resultado positivo de R$ 5,7 bilhões alcançado pelo fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (BB) entre janeiro e novembro. O valor é suficiente para cobrir o limite de tolerância de déficit estabelecido pela legislação, de R$ 1,4 bilhão, sem precisar de aportes extras.

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Algo similar havia ocorrido em 2016, quando a Previ teve um superávit de R$ 2,2 bilhões. Mas em 2015, a entidade registrou um forte resultado negativo, de R$ 16 bilhões. Dessa forma, teve que preparar um plano de equacionamento para este ano, conforme especifica as regras do setor. O desempenho positivo até novembro, no entanto, possibilitou cobrir o valor a ser equacionado. O déficit técnico será, então, liquidado.

Segundo Gueitiro Genso, presidente da Previ, a previsão é voltar ao equilíbrio no próximo ano – mas o executivo evitou projetar uma data. “Mesmo com a volatilidade de 2018, dado o contexto dos nossos ativos temos a expectativa de que o nosso ALM [mecanismo de gestão de ativos e passivos] suporte passar por essa possível volatilidade”, disse Gueitiro ao Valor.

Um tópico importante que envolve a Previ no próximo ano é o IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) da Neoenergia, cancelado na semana passada. Para Gueitiro, o adiamento do IPO para 2018 – ou mesmo 2019 – pode trazer mais ganhos para os acionistas do que se tivesse acontecido na semana passada por um preço abaixo do previsto.

O acordo de acionistas da Neoenergia prevê que em qualquer momento o IPO pode ser realizado. Ou seja, pode acontecer a partir de 2018, desde que exista oportunidade e o preço seja considerado justo, afirmou Gueitiro. “É muito cedo para avaliar em que momento de 2018 [pode acontecer] ou se fica para 2019.” O próximo ano será especialmente complicado, com a reforma da Previdência e as eleições presidenciais. “Tem fatores extras que não permitem fazer um prognóstico agora”, acrescentou.

“Não tínhamos necessidade de vender e não temos necessidade de vender nenhum ativo a qualquer preço”, disse o executivo. A decisão de não fazer o IPO foi unânime entre o bloco de controle. “Tivemos um ‘call’ dos três acionistas durante toda a semana, em especial na quinta-feira, antes do possível ‘pricing’, e já sabendo que tinham ofertas a preços menores”, afirmou. A Previ tem 38,2% da Neoenergia, o Banco do Brasil, 9,35%, e a Iberdrola detém 52,45%.

Segundo Gueitiro, havia apetite dos investidores para a oferta cancelada na semana passada, mas não no preço que os acionistas entendiam como sendo justo. A empresa não conseguiu atrair demanda suficiente na faixa indicativa da oferta de ações, que ia de R$ 15,02 a R$ 18,52.

Caso a operação se concretizasse, a previsão era que a Previ vendesse apenas o suficiente para que a empresa tivesse “free float” adequado. E ainda faz sentido para a entidade ter a Neoenergia em sua carteira, na visão de Gueitiro. “É uma nova companhia, que acabou de fazer uma fusão [com a Elektro] e se tornou uma das maiores do país”, disse.

Enquanto um eventual novo IPO não se concretiza, a Previ já iniciou seus planos de desconcentrar a carteira de ações, tendo em vista ativos mais líquidos. O fundo de pensão participou do IPO da BR Distribuidora, que aconteceu na semana passada, e comprou de 2% a 3% da oferta, segundo o executivo.

“A entrada em novas empresas passa por setores que entendemos ter potencial de valorização, empresas que prometam – e depois vamos cobrar a entrega – um padrão excelente de governança. Este é todo o arranjo que a BR Distribuidora tem em relação a aspectos de governança e proteção dos acionistas”, afirmou.

O executivo lembrou que a Previ é um dos únicos entre os maiores que não precisou fazer contribuições adicionais, referindo-se, sem citar nomes, aos fundos de pensão Postalis (Correios), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal). Além disso, a contribuição regular de aposentados e pensionistas do Plano 1 é de 4,8%, enquanto em outras fundações em planos similares chega a 10,9% – desconsiderando as contribuições adicionais da Petros, por exemplo, que não começaram.

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