Diante de cenário cada vez mais importador de derivados, segmento deve entrar no radar de investidores
[06.07.2017] 22h16m / Por Gabriela Medeiros
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!O Brasil caminha para ser cada vez mais um exportador de petróleo bruto e um importador de derivados, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética para o setor de combustíveis. Esse cenário, atrelado à disposição da Petrobras em vender seus ativos na área de refino e uma eventual recuperação na economia, pode se configurar como uma oportunidade para investidores desse segmento no médio prazo, na avaliação de algumas fontes da indústria.
A sensação é que à medida que os agentes confirmem as perspectivas de demanda crescente por refino, haverá uma procura pela construção de novas unidades nas plantas existentes ou novas plantas, sobretudo através das parcerias com a Petrobras.
Um primeiro passo nessa direção já foi dado pela CNPC, que anunciou um acordo com a Petrobras para avaliar oportunidades de interesse mútuo. De acordo com informações do mercado, a empresa teria interesse em tocar o projeto da refinaria do Comperj, paralisado após as denúncias surgidas a reboque das investigações da Lava Jato.
Contribui para essa percepção os movimentos recentes feitos pela petroleira para atrair parcerias. No mês passado, a Petrobras anunciou duas alterações na política de preços de derivados e em ambos os casos sugeriu que as mudanças devem contribuir para a atração de parceiros no refino. A empresa definiu uma política de preços própria para o GLP e anunciou que poderá reajustar a qualquer momento o preço da gasolina e do diesel.
Em maio, dados mais recentes disponibilizados pela ANP, as refinarias da Petrobras processaram 1,7 milhão de barris/dia. De acordo com a EPE, a Petrobras hoje detém 98% da capacidade de refino do país.
No primeiro trimestre de 2017 , o país produziu 1,8 milhão de barris/dia de derivados e teve uma importação líquida de 438 mil barris/dia.
Dados da Petrobras indicam que a demanda brasileira por derivados deverá alcançar 2,4 milhões de b/d em 2021. Desse total, 997 mil de b/d serão de diesel; 476 mil b/d, de gasolina; e 956 mil b/d, de outros derivados.
Hoje, a maior parte das refinarias da companhia já tem mais de 30 anos de operação. As unidades mais recentes são a Refinaria Potiguar Clara Camarão, no Rio Grande do Norte, que entrou em em atividade em 2009, e a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, que opera desde 2014 apenas com seu primeiro trem. O próximo empreendimento no segmento deve ser a refinaria do Comperj, em Itaboraí (RJ), cujo projeto previa uma refinaria com capacidade para processar 165 mil b/d de óleo foram abandonadas.
Excluindo a capacidade projetada do Comperj e considerando a capacidade em operação da Rnest, o parque nacional de refino é capaz de processar 2,226 milhões de barris/dia. A Rnest tem 230 mil projetados, distribuindo em dois trens de 115 mil, mas apenas o primeiro trem entrou em operação.
A obras do empreendimento, no entanto, foram paralisadas ao final de 2014, com 82% de conclusão e mais de US$ 13 bilhões já investidos. A previsão é que são necessários mais US$ 4,3 bilhões para finalizar as obras, o que depende de uma parceria da Petrobras com uma companhia privada, que arcará com metade deste valor.
Parcerias
Ainda não se sabe qual será o modelo das parcerias. No final do ano passado, o diretor executivo de Refino e Gás Natural da companhia, Jorge Celestino, afirmou que a companhia estudava a possibilidade de criar uma empresa para atrair parceiros para o refino. Com isto, seriam oferecidos ao mercado pacotes com ativos de refino e logística, como dutos e terminais da Transpetro.
“Para o downstream ser viável, ele precisa ser integrado. Apenas um ativo de refino não traz a premissa necessária para o investidor colocar dinheiro. O modelo que estamos desenvolvendo dá confiança ao mercado e ao investidor, de modo que ele tenha a gestão das margens”, afirmou o diretor.
Justamente com o objetivo de atrair novos investimentos e estimular a livre concorrência no refino, o governo brasileiro lançou no começo de 2017 o programa Combustível Brasil. Os objetivos da iniciativa são redesenhar o cenário do abastecimento de combustíveis, fomentar novos investimentos, alterar a regras de acesso a portos e terminais de abastecimentos e estimular a competitividade no setor.
“É importante que possamos abrir esse setor, sob uma nova visão de governo, de dar competitividade, transparência nos preços, realismo econômico, transparência na tomada de decisão. Está na hora de se discutir se queremos para o futuro um país autossuficiente ou um com maior equilíbrio no abastecimento de combustíveis”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho ao lançar o programa.
http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/daily/bog-online/logistica-refino/2017/07/oportunidade-no-refino-caminho-475049.html
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