A depender dos desdobramentos, as negociações de venda da Eldorado Brasil Celulose podem colocar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em posição de conflito. Na condição de maior credor da companhia dos irmãos Batista, o banco de fomento terá de anuir previamente à operação, seja para a chilena Arauco ou outro grupo.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Outro ponto importante é que o BNDES é também um dos maiores acionistas da Fibria, que opera uma fábrica de celulose no mesmo município da Eldorado (Três Lagoas-MS) e tem interesse explícito na concorrente. Caso a chilena chegue a um acordo com a J&F Investimentos, o banco terá de optar entre dar anuência à operação ou contrariar os interesses da companhia em que é acionista relevante, exercendo controle junto com o grupo Votorantim, que tem 29,4%.
Atualmente, na Fibria – fruto em 2009 de uma fusão de Votorantim Celulose e Papel com a Aracruz -, o banco é dono de 29,08% por meio da BNDESPar.
O Valor apurou que a Fibria tentou sensibilizar o BNDES sobre as desvantagens da entrada dos chilenos na produção brasileira de celulose e incluir o banco em uma possível operação de compra. O BNDES, porém, teria declarado que está “conflitado” e não se envolveu nas negociações.
Procurado, o banco informou que não vai comentar o assunto. Sobre a anuência prévia, informou que “operações de fusão e aquisição envolvendo empresas beneficiárias de crédito requerem anuência prévia do banco”.
“Não é interessante para a Fibria ter, no quintal de casa, um investidor de longo prazo como concorrente”, diz fonte da indústria ao analisar os impactos da potencial compra da Eldorado pela Arauco.
Sem a anuência do BNDES, que não significará veto à operação, os chilenos terão de aceitar novas condições para a dívida da ou quitá-la imediatamente, a exemplo do que aconteceu com a chinesa State Grid no fim de 2010, depois de comprar a Plena Transmissoras. Os chineses não aceitaram os novos termos para a dívida da Plena e decidiram quitar os R$ 1,5 bilhão.
Esse cenário poderia tornar o negócio mais caro para a chilena. Em suas notas explicativas, a Eldorado informa que, no fim do ano passado, empréstimos e financiamentos junto ao banco estatal somavam quase de R$ 3,5 bilhões, da ordem de 40% do total.
Principal fonte de financiamento para projetos de celulose e papel no país, o BNDES é também importante acionista no setor. Além da Fibria, tem participação de 4,5% na Klabin e 6,9% do capital total Suzano Papel e Celulose.
Ontem, em comunicado à CVM, a Fibria informou que não há qualquer tratativa neste momento em relação a eventual sociedade com a Arauco para uma potencial operação de aquisição direta ou indireta da Eldorado. Há três semanas, o Valor publicou que esse era um caminho na reta final do negócio.
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