Endividamento ainda pesa sobre lucro da Petrobras

A Petrobras fechou, nos últimos três meses de 2016, o sétimo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre positivo, marcando um de seus melhores resultados operacionais dos últimos anos. Apesar disso, o elevado endividamento da companhia continua pressionando os resultados e impedindo que a estatal apure lucros significativos.

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A estatal teve lucro líquido de R$ 2,5 bilhões no quarto trimestre de 2016, ante o prejuízo de R$ 36,9 bilhões registrado um ano antes. Em 2016, porém, a companhia amargou seu terceiro resultado anual negativo, com perda de R$ 14,8 bilhões, ainda refletindo baixas contábeis por redução ao valor recuperável de ativos e investimentos (“impairment”) e outras questões, como o custo alto da sua dívida, que pressiona o resultado financeiro.

O endividamento líquido da companhia caiu 20% no ano passado, para R$ 314,12 bilhões, refletindo, principalmente, a valorização do real ante o dólar no período. A combinação deste fator, com a melhora do resultado operacional, fez com que a relação entre a dívida líquida e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caísse de 5,11 vezes para 3,54 vezes no ano, se aproximando mais da meta da companhia, de chegar a uma alavancagem de 2,5 vezes até o fim de 2018.

Em dólares, porém, a retração da dívida foi menor, de 4%, para US$ 96,4 bilhões ao fim de 2016. “Nossa dívida líquida ainda está perto de US$ 100 bilhões e ainda é a maior de todas as empresas de óleo e gás do mundo”, disse Pedro Parente, presidente da Petrobras, durante entrevista coletiva concedida ontem, depois da divulgação do resultado. “A dívida da Petrobras é maior que a de todas as entidades não financeiras somadas no Brasil, soma 70% da dívida de todos os Estados da federação. Não podemos e não vamos descuidar desse assunto”, afirmou, quando questionado sobre a rápida queda da alavancagem em reais em 2016.

Parente destacou que a empresa apresentou resultados “muito bons”, mas pontuou, porém, que “é sempre bom ter o contexto que esse trabalho todo que está sendo feito tem como pano de fundo, ainda, uma dívida da empresa muito elevada.”

Companhia diz que sua geração de caixa operacional foi a maior entre todas as petroleiras listadas

Mesmo assim, a estatal apresentou a maior geração operacional de caixa entre todas as empresas de óleo e gás do mundo listadas em bolsa, segundo o executivo. Em 2016, o fluxo de caixa livre da Petrobras somou R$ 41,57 bilhões, 2,6 vezes maior que o de 2015.

A margem bruta do ano foi de 32%, acima de 31% do ano anterior. Já a margem Ebitda deu subiu de 24% para 31%.

O problema está no custo da dívida, com o resultado financeiro, uma despesa de R$ 27,2 bilhões, representando quase 10% da receita líquida.

Segundo Parente, há, na empresa, uma visão de que será possível chegar ao fim de 2018 com uma alavancagem abaixo de 2,5 vezes. “A meta é 2,5 [vezes], mas tudo aquilo que pudermos fazer, se chegar abaixo de 2,5 [vezes] neste prazo, não vamos reduzir o empenho e determinação em busca de resultados cada vez melhores”, disse.

Como parte da estratégia para reduzir endividamento e aumentar a rentabilidade, a Petrobras cortou investimentos e segue com o programa de venda de ativos, que irrigou o caixa da empresa com R$ 7,23 bilhões em 2016, sendo R$ 4,8 bilhões no quarto trimestre.

Foram justamente ganhos com a alienação de ativos (que não se confundem com o caixa recebido nas transações) que ajudaram a compensar novas baixas contábeis feitas no resultado do quarto trimestre, limitando o impacto negativo no resultado.

A Petrobras fez baixas por impairment de R$ 3,67 bilhões no trimestre, além de ter registrado perdas de R$ 397 milhões com programas de incentivo ao desligamento voluntário. Por sua vez, ganhos com vendas de ativos somaram R$ 3,4 bilhões, e a companhia também teve um resultado positivo de R$ 1,6 bilhão relacionado ao abandono de áreas. Dessa forma, a linha “itens especiais” do seu balanço veio positiva em R$ 2,5 bilhões, contra o resultado negativo de R$ 53,8 bilhões dos últimos três meses de 2015.

Os investimentos seguem em queda. Em 2016, a companhia cortou os aportes em 27%, para R$ 55,3 bilhões. O plano de negócios 2017-2021 prevê investimentos de US$ 74,5 bilhões no período, e vendas de US$ 21 bilhões em ativos.

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