Primeira dança de cadeiras da gestão de Pedro Parente

2 de dezembro, o dia do boato

Em meio a um turbilhão de boatos, Petrobras passa pela primeira dança de cadeiras da gestão de Pedro Parente

[28.12.2016] 14h43m / Por Cláudia Siqueira e Felipe Maciel

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“É especulação em estado líquido.” Assim respondeu um dos assessores da Fundação Ulysses Guimarães ao boato de que o ex-governador do Rio de Janeiro e ex-ministro da Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, comandaria a Petrobras na gestão de Michel Temer, que havia tomado posse 20 dias antes.

Os jornais circularam com os mais variados nomes por cerca de 40 dias. Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrututa, foi dado como certo. Jorge Camargo, atual presidente do IBP, corria por fora. No final, os dois disseram que não foram convidados e não sabiam como havia surgido o boato, que só terminou em 19 de maio quando o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, anunciou o nome de Pedro Parente para comandar a petroleira.

No último dia 2 de dezembro a Petrobras viveu uma nova onda de boatos. Os telefones celulares de diversos executivos do setor pipocaram com a informação de que haveria mudanças na diretoria da petroleira.

Ninguém sabe de onde partiram os boatos, mas a coisa cresceu a tal ponto que o próprio Pedro Parente, em um comunicado interno aos funcionários, resolveu desmentir. “Em relação aos boatos que circularam no fim de semana passada sobre mudanças na diretoria executiva: não têm qualquer respaldo com a realidade”, comentou o presidente da Petrobras na segunda-feira, 5 de dezembro.

Os boatos surgiram logo após a nomeação de Regina De Luca, ex-secretária Nacional de Segurança Pública no governo Dilma Rousseff, para a Gerência Executiva de Inteligência e Segurança Corporativa. Junto com ela, Alberto Pinheiro Neto, que foi comandante geral da Política Militar no Rio de Janeiro, começou a trabalhar na área no último mês.

Pelas redes sociais começaram a circular críticas ao que foi chamado de um retorno do Partido dos Trabalhadores (PT) ao comando da Petrobras. Centenas de posts alertavam para o perigo que seria a indicação da executiva.

Esta reação também provocou resposta do presidente da Petrobras, que classificou as críticas como sectarismo. “Tenho a convicção de que uma pessoa ter exercido funções em governos liderados por partidos hoje na oposição de maneira nenhuma a desqualifica”, avaliou Parente no mesmo comunicado para a força de trabalho.

Mudança de verdade

Após a polêmica reestruturação feita por Ademir Bendine, no início de 2016, desdobrando a área de E&P em dois segmentos, a Petrobras vai entrar este ano de 2017 com mudanças em alguns de seus quadros gerenciais e já incorporando a nova estrutura da diretoria de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão, comandada por Nelson Silva. A dança das cadeiras, a primeira da gestão Parente à frente da companhia, envolve até agora pelo menos os nomes de seis executivos.

A diretoria de Nelson Silva passará a incorporar três novas gerências executivas: Estratégia e Organização; Controladoria e Riscos Empresariais. O executivo herdou as gerências, mas resolveu trocar os gerentes.
Com as mudanças, Carlos Alberto Oliveira, executivo da área de E&P, deixa a gerência de Estratégia e Organização para assumir a Gerência de Gestão Integrada de Ativos, área vinculada à diretora Solange Guedes e até então comandada por José Jorge de Moraes.

Para o lugar de Capo, apelido interno de Oliveira, será nomeado André Cordeiro, atual gerente-executivo de Águas Rasas e Terra. Seu substituto na área não havia sido escolhido até o fechamento desta edição.

José Jorge de Moraes deixará a área de E&P para trabalhar vinculado à GE de Cordeiro, comandando a gerência de Estratégia, Organização e Gestão, no lugar de Eber Rezende, que se aposenta da companhia. Até o fechamento desta edição, não tinham sido escolhidos os nomes dos novos responsáveis pela Controladoria e pela área de Riscos Empresariais. Também ainda falta definir o destino de Carlos Alberto Rechelo e Mário Jorge da Silva, que respondiam por essas áreas antes das mudanças. O destino de Silva pode ser a Diretoria de Assuntos Corporativos, comandada por Hugo Repsold.

A nova estrutura da diretoria de Nelson Silva foi aprovada no fim de novembro, durante a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária da Petrobras. Além das três gerências executivas, foi criada também uma gerência temporária que ficará responsável pela simplificação e padronização das regras.

A mudança no quadro gerencial da diretoria de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão começou a ser costurada entre o fim de novembro e o início de dezembro, por conta de divergências em relação a alguns indicadores do Plano de Negócios 2017-2021.
A consolidação da estrutura mostra que Nelson Silva vem ganhando cada vez mais força na Petrobras e está cada dia mais próximo de Pedro Parente, ainda que circulem rumores sobre um possível retorno seu ao comando da mineradora Vale. Mas esse é um outro boato.

http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/news/empresas/estrategia/2016/12/2-de-dezembro-o-dia-do-boato-450346.html

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